Último dia de desfiles na Sapucaí tem Paraíso do Tuiuti, Vila Isabel, Grande Rio e Salgueiro

Escrito em 19/02/2026


Marquês de Sapucaí Jornal Nacional/ Reprodução Na noite de terça-feira (17), os últimos desfiles na Sapucaí homenagearam o multiartista Heitor dos Prazeres e a carnavalesca Rosa Magalhães. E ainda levaram para a avenida o movimento Manguebeat e o Ifá, uma religião de origem africana e cubana. Paraíso do Tuiuti Paraíso do Tuiuti Jornal Nacional/ Reprodução Cantando como quem reza, o intérprete Pixulé mostrou toda a beleza da sua voz na primeira passada do samba. Entrando na avenida, a Paraíso do Tuiuti cantando as riquezas e os mistérios da tradição oracular de Ifá. "A gente vai ver desfilar uma tradição religiosa ligada ao culto aos orixás que se fortalece muito no Caribe, em Cuba. É uma ponte África, Caribe, Brasil”, explica o historiador Luiz Antônio Simas. A comissão de frente, onde tudo começa, era reverência ao princípio criador, Olodumare. Na bateria Supersom, de Mestre Marcão, que misturou salsa e samba, a rainha sensação Mayara Lima tirou o fôlego da Sapucaí. Vila Isabel Vila Isabel Jornal Nacional/ Reprodução Às vezes acontece de os enredos combinarem, e aconteceu na noite desta terça-feira (17). Saiu a Tuiuti cantando o Ifá e chegou a Vila cantando a negritude, a macumba, cantando Heitor dos Prazeres. "Uma homenagem a um multiartista brasileiro que criou um legado no carnaval. E hoje, a Vila Isabel vai mostrar na avenida”, diz Macaco Branco, mestre de bateria. A Suingueira de Noel desfilou com fantasias pintadas à mão, referência ao talento de Heitor nas artes plásticas. No carnaval, ele foi um dos fundadores das escolas de samba. "A primeira bandeira que vem com formato de raios foi Heitor dos Prazeres que fez”, diz a porta-bandeira Dandara Ventapane. A antiga Praça Onze, onde aconteciam as primeiras disputas entre as escolas de samba. Destaque para Martinho da Vila desfilando ao lado da bisneta de Tia Ciata, personagem fundamental na criação do samba carioca. Grande Rio Grande Rio Jornal Nacional/ Reprodução A Grande Rio, escola de Duque de Caxias, Baixada Fluminense, foi até o Recife para botar os pés na lama e as mãos na massa. Terceiro enredo da noite: com vocês, o movimento Manguebeat. No tom do roxo de Nanã, orixá do barro e da lama, a Grande Rio usou luxo para denunciar o precário. Vice-campeã de 2025, a tricolor de Caxias também apostou no talento da bateria de Mestre Fafá, que teve uma estreante: a influenciadora Virgínia Fonseca. Os caboclos de lança são figuras centrais do maracatu rural de Pernambuco. A gente vê os elementos: os óculos escuros e a rosa branca, que geralmente vem na boca. Mas como o pessoal precisa cantar, hoje ela veio na mão. Salgueiro Salgueiro Jornal Nacional/ Reprodução A Academia do Samba fez uma emocionante homenagem à maior vencedora da Sapucaí: Rosa Magalhães, única carnavalesca a conquistar sete campeonatos nessa avenida. Destaque para o abre-alas de quase 70 m, um dos maiores que a escola já teve. No tradicional vermelho encarnado salgueirense, o rosa acendeu um novo brilho. Com Viviane Araújo à frente, a Furiosa do Salgueiro fez paradona para o solo do violino. O universo erudito da professora do carnaval ilustrado em livros: uma imensa biblioteca na avenida. Mesmo depois de partir, em 2024, coube à mestra o dever de fechar as páginas de mais esse carnaval. LEIA TAMBÉM Qual o maior campeão do carnaval carioca? E da Sapucaí? E qual o carnavalesco mais vencedor? Veja curiosidades FOTOS: famosos trocam beijos durante o terceiro dia de desfiles do carnaval no Rio