Engenheiro de Florianópolis Paulo Henrique Silva Alves foi uma das 62 vítimas da queda do avião da Voepass Reprodução/Redes sociais O pai do engenheiro Paulo Henrique Silva Alves, uma das 62 pessoas que morreram na queda do avião da Voepass em 2024, estava presente pessoalmente na reunião em que o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou o relatório sobre o acidente. Paulo Machado Alvez contou ao g1 que foi desafiador relembrar a tragédia. "Foi difícil reviver aqueles momentos de horror pelos quais nosso filho passou". ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp Com o relatório, ele anseia por respostas da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). "A dor não vai passar por causa de um relatório. Mas esperamos uma resposta da ANAC". O relatório final do Cenipa definiu recomendações às instituições envolvidas na tragédia - entre elas a ATR, fabricante francesa da aeronave, e a ANAC - e apontou conclusões sobre o acidente aéreo. Sobre a apresentação, Paulo apontou pontos altos e baixos em relação a esclarecimentos sobre o acidente. "Achei que o relatório foi conclusivo e não omitiu a responsabilidade da ANAC". "Também achei que as perguntas do ex-piloto da Voepass Almeida não forma respondidas satisfatoriamente", completou. O voo 2283 da Voepass caiu na tarde de 9 de agosto de 2024 em um condomínio de Vinhedo, durante o trajeto entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP). As 62 pessoas a bordo — 58 passageiros e quatro tripulantes — morreram. Paulo Henrique Silva Alves, nascido em Florianópolis, está entre as vítimas do avião que caiu em Vinhedo (SP) Mateus Pioner/Arquivo Pessoal Quem era o engenheiro Paulo Henrique Silva Alves? Paulo nasceu em Florianópolis e trabalhava no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-SC), que emitiu nota de pesar pela perda (veja mais abaixo). Era casado há 15 anos, fã de surfe, e lutava jiu-jitsu em uma academia na cidade vizinha de São José. De acordo com o Conselho, Paulo Henrique se destacou pela atuação na área de saneamento, administrando uma empresa de obras junto com o pai. "Neste momento de dor, o CREA-SC, seus diretores, conselheiros e servidores, se solidarizam com a família e amigos do engenheiro, bem como as famílias de todas as vítimas do acidente, expressando suas mais sinceras condolências pelas perdas irreparáveis", diz o comunicado. Ele tinha 40 anos quando morreu na queda do avião. Quem eram os moradores de SC vítimas de queda de avião Qual a conclusão do Cenipa sobre o acidente? O resultado da investigação foi apresentado nesta quinta-feira (23) e concluiu que falhas da Voepass, dos pilotos e da fiscalização da Anac contribuíram para a queda. Ao todo, 39 itens foram listados como conclusões da investigação no documento final. Veja, abaixo, um resumo deles: Presença de gelo severo: o avião encontrou condições meteorológicas de formação de gelo severo durante o voo. Isso ocorreu ainda durante a subida e persistiu por todo o trajeto; Falha no sistema de degelo: a falha técnica afetou o sistema responsável por remover o gelo da asa direita; Desconsideração de avisos críticos: o sistema de monitoramento da aeronave emitiu pelo menos oito avisos de velocidade baixa e alertas de performance degradada, mas os pilotos não executaram os procedimentos de emergência previstos para essas situações; Falta de atenção na cabine: conversas entre os pilotos sobre assuntos pessoais, não relacionadas ao voo, tiraram o foco do monitoramento do gelo e dos instrumentos; Erros na tentativa de recuperação: quando a aeronave perdeu a sustentação e começou a cair (estol), o copiloto agiu de forma contrária aos manuais, puxando o manche em vez de empurrá-lo, o que agravou a situação e impediu a recuperação do controle; Problemas de manutenção e registros: o avião ATR 72-500 foi liberado para voar com uma falha técnica no sistema de degelo que não foi registrada em diário de bordo, o que impediu os reparos; Falta de segurança: a Voepass tinha cultura de "normalização de desvios", em que pilotos e mecânicos não relatavam as panes em diário de bordo para que os aviões pudessem voar no dia seguinte; Fiscalização insuficiente: o relatório aponta que o processo de gerenciamento de risco da Anac não foi suficiente para evitar o acidente; Detalhes da queda: o avião entrou em parafuso chato (girando sobre o próprio eixo enquanto caía verticalmente) e completou cinco voltas antes de colidir com o solo. Velocidade da queda: Com a perda de controle, a velocidade de descida foi de 14 mil pés por minuto, o equivalente a uma queda de 4 quilômetros a cada minuto. Acidente Voepass: relatório final aponta que empresa, pilotos e Anac falharam VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias
'Difícil reviver aquele momento': pai de engenheiro morto em queda do avião da Voepass cobra resposta da ANAC
Escrito em 25/07/2026
Engenheiro de Florianópolis Paulo Henrique Silva Alves foi uma das 62 vítimas da queda do avião da Voepass Reprodução/Redes sociais O pai do engenheiro Paulo Henrique Silva Alves, uma das 62 pessoas que morreram na queda do avião da Voepass em 2024, estava presente pessoalmente na reunião em que o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou o relatório sobre o acidente. Paulo Machado Alvez contou ao g1 que foi desafiador relembrar a tragédia. "Foi difícil reviver aqueles momentos de horror pelos quais nosso filho passou". ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp Com o relatório, ele anseia por respostas da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). "A dor não vai passar por causa de um relatório. Mas esperamos uma resposta da ANAC". O relatório final do Cenipa definiu recomendações às instituições envolvidas na tragédia - entre elas a ATR, fabricante francesa da aeronave, e a ANAC - e apontou conclusões sobre o acidente aéreo. Sobre a apresentação, Paulo apontou pontos altos e baixos em relação a esclarecimentos sobre o acidente. "Achei que o relatório foi conclusivo e não omitiu a responsabilidade da ANAC". "Também achei que as perguntas do ex-piloto da Voepass Almeida não forma respondidas satisfatoriamente", completou. O voo 2283 da Voepass caiu na tarde de 9 de agosto de 2024 em um condomínio de Vinhedo, durante o trajeto entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP). As 62 pessoas a bordo — 58 passageiros e quatro tripulantes — morreram. Paulo Henrique Silva Alves, nascido em Florianópolis, está entre as vítimas do avião que caiu em Vinhedo (SP) Mateus Pioner/Arquivo Pessoal Quem era o engenheiro Paulo Henrique Silva Alves? Paulo nasceu em Florianópolis e trabalhava no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-SC), que emitiu nota de pesar pela perda (veja mais abaixo). Era casado há 15 anos, fã de surfe, e lutava jiu-jitsu em uma academia na cidade vizinha de São José. De acordo com o Conselho, Paulo Henrique se destacou pela atuação na área de saneamento, administrando uma empresa de obras junto com o pai. "Neste momento de dor, o CREA-SC, seus diretores, conselheiros e servidores, se solidarizam com a família e amigos do engenheiro, bem como as famílias de todas as vítimas do acidente, expressando suas mais sinceras condolências pelas perdas irreparáveis", diz o comunicado. Ele tinha 40 anos quando morreu na queda do avião. Quem eram os moradores de SC vítimas de queda de avião Qual a conclusão do Cenipa sobre o acidente? O resultado da investigação foi apresentado nesta quinta-feira (23) e concluiu que falhas da Voepass, dos pilotos e da fiscalização da Anac contribuíram para a queda. Ao todo, 39 itens foram listados como conclusões da investigação no documento final. Veja, abaixo, um resumo deles: Presença de gelo severo: o avião encontrou condições meteorológicas de formação de gelo severo durante o voo. Isso ocorreu ainda durante a subida e persistiu por todo o trajeto; Falha no sistema de degelo: a falha técnica afetou o sistema responsável por remover o gelo da asa direita; Desconsideração de avisos críticos: o sistema de monitoramento da aeronave emitiu pelo menos oito avisos de velocidade baixa e alertas de performance degradada, mas os pilotos não executaram os procedimentos de emergência previstos para essas situações; Falta de atenção na cabine: conversas entre os pilotos sobre assuntos pessoais, não relacionadas ao voo, tiraram o foco do monitoramento do gelo e dos instrumentos; Erros na tentativa de recuperação: quando a aeronave perdeu a sustentação e começou a cair (estol), o copiloto agiu de forma contrária aos manuais, puxando o manche em vez de empurrá-lo, o que agravou a situação e impediu a recuperação do controle; Problemas de manutenção e registros: o avião ATR 72-500 foi liberado para voar com uma falha técnica no sistema de degelo que não foi registrada em diário de bordo, o que impediu os reparos; Falta de segurança: a Voepass tinha cultura de "normalização de desvios", em que pilotos e mecânicos não relatavam as panes em diário de bordo para que os aviões pudessem voar no dia seguinte; Fiscalização insuficiente: o relatório aponta que o processo de gerenciamento de risco da Anac não foi suficiente para evitar o acidente; Detalhes da queda: o avião entrou em parafuso chato (girando sobre o próprio eixo enquanto caía verticalmente) e completou cinco voltas antes de colidir com o solo. Velocidade da queda: Com a perda de controle, a velocidade de descida foi de 14 mil pés por minuto, o equivalente a uma queda de 4 quilômetros a cada minuto. Acidente Voepass: relatório final aponta que empresa, pilotos e Anac falharam VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias

