Semana começa com alta tensão em Mineápolis depois da morte de cidadão americano por agentes federais de imigração A semana começa com alta tensão em Minneapolis, nos Estados Unidos. A cidade mais populosa do estado de Minnesota é palco de protestos contra o ICE, a Agência Federal de Imigração. A situação se agravou depois que agentes mataram a tiros, no sábado (24), mais um cidadão americano. Quem acompanha tudo de perto são os enviados especiais Nilson Klava e Alex Carvalho. "Estamos exatamente no local onde Alex Pretti foi morto pelos agentes de migração. O local que virou, agora, também um ponto de vigília. As pessoas trazem flores, velas, prestam homenagens. Isso tudo sob circunstâncias muito adversas. Agora, a sensação térmica aqui é de -20ºC. O principal apelo que eu ouvi aqui é pelo fim das operações anti-imigração. Um apelo que vai ganhando cada vez mais espaço na sociedade americana”, relata o correspondente Nilson Klava. Uma pesquisa do Instituto Ipsos divulgada nesta segunda-feira (26) mostrou que 58% dos americanos acreditam que essa repressão aos imigrantes vem passando dos limites. Não é à toa que o presidente americano, Donald Trump, mudou de tom nesta segunda-feira (26). Ele vinha com críticas muito contundentes às autoridades locais democratas, mas, nesta segunda-feira (26), conversou por telefone com o prefeito e o governador. E foi além: disse que a principal autoridade para imigração do governo dele vai desembarcar em Minneapolis e nesta terça-feira (27) vai conversar com o prefeito. “Nós vamos continuar vindo aqui todos os dias. Queremos paz”: é o apelo de um homem. Desde sábado (24), mesmo com a sensação térmica em torno de -30ºC, os moradores da região estão fazendo uma vigília no local em que o americano Alex Pretti foi morto por agentes federais da Patrulha de Fronteira e do Serviço de Imigração e Alfândega – conhecido como ICE na sigla em inglês. Pela cidade, o pedido “Fora ICE” está por todos os lados. “Quantos mais?”: é a pergunta estampada na faixa maior e que foi ouvida de quem passou pelo local. Alex foi o segundo cidadão americano morto por agentes federais em pouco mais de duas semanas. Um cartaz mostra ele e Renee Good, morta no dia 7 de janeiro. O Go levou flores e uma vela, e disse: “Eu sinto que o que está acontecendo é simplesmente errado. É desumano”. Alex era enfermeiro da UTI de um hospital para veteranos das Forças Armadas. No sábado (24) de manhã, estava com um celular na mão filmando a ação dos agentes federais durante um protesto e tentava ajudar manifestantes quando foi imobilizado. Um agente percebeu que Alex estava armado e tirou a arma da cintura dele. Outro agente começou a disparar: cinco tiros. Depois, com Alex imóvel no chão, mais cinco tiros são ouvidos. Alex tinha licença para portar a arma. Donald Trump envia principal autoridade migratória dos Estados Unidos para Minneapolis, epicentro de protestos contra o ICE Jornal Nacional/ Reprodução A morte dele aumentou a revolta dos moradores contra a truculência do ICE nas abordagens. Desde o fim de 2025, 3 mil agentes foram enviados para Minneapolis na operação que virou símbolo da política de deportação em massa. As autoridades locais recorreram, então, à Justiça para questionar o envio dos agentes ao estado e pedir a expulsão deles. O caso está nas mãos de uma juíza federal de Minneapolis. Ela conduziu uma audiência nesta segunda-feira (26) em um tribunal, ouviu os argumentos dos advogados dos governos municipal e estadual e do governo federal de Donald Trump. Mas a audiência terminou sem uma decisão. A juíza não tem prazo para decidir. Mesmo com as mortes trágicas, Donald Trump vem reafirmando o apoio às operações do ICE. Mas nesta segunda-feira (26), uma ligação do governador Tim Walz para o presidente pareceu reduzir as tensões. Em uma rede social, Trump disse que os dois estão em sintonia e que pediu para Tom Homan ligar para o governador. Conhecido como “czar da fronteira”, a maior autoridade em imigração do governo, Homan foi enviado nesta segunda-feira (26) para comandar as operações no estado. Já o gabinete do governador afirmou que Trump concordou em avaliar uma redução do número de agentes em Minnesota e em garantir que autoridades estaduais conduzam uma investigação independente sobre a morte de Alex – em paralelo à investigação pelo governo federal. Só que mais tarde, a porta-voz da Casa Branca disse que Trump e o governador iam conversar sobre a investigação e que não houve nenhum compromisso sobre a participação de autoridades locais. O apelo por uma investigação imparcial vem da oposição democrata, mas também tem crescido entre parlamentares do próprio partido de Trump. Os agentes envolvidos na morte foram retirados de Minneapolis, mas continuam trabalhando. A secretária do Departamento de Segurança Interna, Kristi Noem, chegou a chamar Alex de “terrorista doméstico”. Os pais de Alex divulgaram uma carta em que acusam o governo de contar “mentiras repugnantes e doentias sobre o filho”. Eles afirmam estar “de coração partido”: “Alex era uma pessoa de coração bondoso, que se importava profundamente com sua família e amigos”. Os ex-presidentes Bill Clinton e Barack Obama condenaram a morte de Alex Pretti. Obama escreveu em uma rede social: “O assassinato de Alex Pretti é uma tragédia e deveria também servir de alerta para todos os americanos, independentemente da filiação partidária, de que muitos dos nossos valores fundamentais como nação estão cada vez mais sob ataque”. LEIA TAMBÉM VÍDEO: Homem é morto a tiros por agente federal de imigração em Minneapolis, nos EUA 'Deixem nossos patriotas do ICE fazerem seu trabalho', diz Trump após nova morte em ação anti-imigração em Minneapolis Governo Trump exige dados de eleitores para retirar agentes do ICE de Minneapolis, diz secretário de Minnesota: 'Coação ultrajante'
Donald Trump envia principal autoridade migratória dos Estados Unidos para Minneapolis, epicentro de protestos contra o ICE
Escrito em 27/01/2026
Semana começa com alta tensão em Mineápolis depois da morte de cidadão americano por agentes federais de imigração A semana começa com alta tensão em Minneapolis, nos Estados Unidos. A cidade mais populosa do estado de Minnesota é palco de protestos contra o ICE, a Agência Federal de Imigração. A situação se agravou depois que agentes mataram a tiros, no sábado (24), mais um cidadão americano. Quem acompanha tudo de perto são os enviados especiais Nilson Klava e Alex Carvalho. "Estamos exatamente no local onde Alex Pretti foi morto pelos agentes de migração. O local que virou, agora, também um ponto de vigília. As pessoas trazem flores, velas, prestam homenagens. Isso tudo sob circunstâncias muito adversas. Agora, a sensação térmica aqui é de -20ºC. O principal apelo que eu ouvi aqui é pelo fim das operações anti-imigração. Um apelo que vai ganhando cada vez mais espaço na sociedade americana”, relata o correspondente Nilson Klava. Uma pesquisa do Instituto Ipsos divulgada nesta segunda-feira (26) mostrou que 58% dos americanos acreditam que essa repressão aos imigrantes vem passando dos limites. Não é à toa que o presidente americano, Donald Trump, mudou de tom nesta segunda-feira (26). Ele vinha com críticas muito contundentes às autoridades locais democratas, mas, nesta segunda-feira (26), conversou por telefone com o prefeito e o governador. E foi além: disse que a principal autoridade para imigração do governo dele vai desembarcar em Minneapolis e nesta terça-feira (27) vai conversar com o prefeito. “Nós vamos continuar vindo aqui todos os dias. Queremos paz”: é o apelo de um homem. Desde sábado (24), mesmo com a sensação térmica em torno de -30ºC, os moradores da região estão fazendo uma vigília no local em que o americano Alex Pretti foi morto por agentes federais da Patrulha de Fronteira e do Serviço de Imigração e Alfândega – conhecido como ICE na sigla em inglês. Pela cidade, o pedido “Fora ICE” está por todos os lados. “Quantos mais?”: é a pergunta estampada na faixa maior e que foi ouvida de quem passou pelo local. Alex foi o segundo cidadão americano morto por agentes federais em pouco mais de duas semanas. Um cartaz mostra ele e Renee Good, morta no dia 7 de janeiro. O Go levou flores e uma vela, e disse: “Eu sinto que o que está acontecendo é simplesmente errado. É desumano”. Alex era enfermeiro da UTI de um hospital para veteranos das Forças Armadas. No sábado (24) de manhã, estava com um celular na mão filmando a ação dos agentes federais durante um protesto e tentava ajudar manifestantes quando foi imobilizado. Um agente percebeu que Alex estava armado e tirou a arma da cintura dele. Outro agente começou a disparar: cinco tiros. Depois, com Alex imóvel no chão, mais cinco tiros são ouvidos. Alex tinha licença para portar a arma. Donald Trump envia principal autoridade migratória dos Estados Unidos para Minneapolis, epicentro de protestos contra o ICE Jornal Nacional/ Reprodução A morte dele aumentou a revolta dos moradores contra a truculência do ICE nas abordagens. Desde o fim de 2025, 3 mil agentes foram enviados para Minneapolis na operação que virou símbolo da política de deportação em massa. As autoridades locais recorreram, então, à Justiça para questionar o envio dos agentes ao estado e pedir a expulsão deles. O caso está nas mãos de uma juíza federal de Minneapolis. Ela conduziu uma audiência nesta segunda-feira (26) em um tribunal, ouviu os argumentos dos advogados dos governos municipal e estadual e do governo federal de Donald Trump. Mas a audiência terminou sem uma decisão. A juíza não tem prazo para decidir. Mesmo com as mortes trágicas, Donald Trump vem reafirmando o apoio às operações do ICE. Mas nesta segunda-feira (26), uma ligação do governador Tim Walz para o presidente pareceu reduzir as tensões. Em uma rede social, Trump disse que os dois estão em sintonia e que pediu para Tom Homan ligar para o governador. Conhecido como “czar da fronteira”, a maior autoridade em imigração do governo, Homan foi enviado nesta segunda-feira (26) para comandar as operações no estado. Já o gabinete do governador afirmou que Trump concordou em avaliar uma redução do número de agentes em Minnesota e em garantir que autoridades estaduais conduzam uma investigação independente sobre a morte de Alex – em paralelo à investigação pelo governo federal. Só que mais tarde, a porta-voz da Casa Branca disse que Trump e o governador iam conversar sobre a investigação e que não houve nenhum compromisso sobre a participação de autoridades locais. O apelo por uma investigação imparcial vem da oposição democrata, mas também tem crescido entre parlamentares do próprio partido de Trump. Os agentes envolvidos na morte foram retirados de Minneapolis, mas continuam trabalhando. A secretária do Departamento de Segurança Interna, Kristi Noem, chegou a chamar Alex de “terrorista doméstico”. Os pais de Alex divulgaram uma carta em que acusam o governo de contar “mentiras repugnantes e doentias sobre o filho”. Eles afirmam estar “de coração partido”: “Alex era uma pessoa de coração bondoso, que se importava profundamente com sua família e amigos”. Os ex-presidentes Bill Clinton e Barack Obama condenaram a morte de Alex Pretti. Obama escreveu em uma rede social: “O assassinato de Alex Pretti é uma tragédia e deveria também servir de alerta para todos os americanos, independentemente da filiação partidária, de que muitos dos nossos valores fundamentais como nação estão cada vez mais sob ataque”. 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