Gerdau anuncia fim da produção de aço na fábrica de Divinópolis O fim da produção de aço da Gerdau em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas, pode afetar mais de 2 mil empresas localizadas nos bairros Interlagos e Porto Velho, no entorno da fábrica. Segundo levantamento da Prefeitura, 93% desses negócios são microempresas, entre fornecedores, transportadoras, comércios e prestadores de serviços que podem sofrer os impactos indiretos da decisão. O encerramento da produção de aço na unidade de Divinópolis foi anunciada pela Gerdau na terça-feira (3). Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Divinópolis e Região, 280 trabalhadores foram demitidos e outros 120 receberam propostas de transferência para unidades da empresa em outras cidades do país. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste de Minas no WhatsApp A companhia atribuiu a decisão à perda de competitividade da operação, principalmente pela dificuldade de acesso ao minério de ferro a preços competitivos, pelo avanço das importações de aço no mercado brasileiro e pelas condições desfavoráveis do mercado internacional. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) Regional Centro-Oeste lamentou o encerramento da produção de aço e destacou os impactos da decisão sobre trabalhadores, fornecedores e o comércio de Divinópolis. Leia na íntegra ao fim da matéria. Com o anúncio, comerciantes e prestadores de serviços que dependem do movimento gerado pela fábrica já começam a sentir os efeitos da decisão. O g1 ouviu empresários da região que relatam preocupação com a queda no faturamento e a manutenção dos negócios. Restaurante coloca funcionários em aviso prévio Há 23 anos, o empresário Rafael Mechler serve almoço para funcionários de empreiteiras que prestam serviços à Gerdau. Dono da Cantina da Rosana, no bairro Interlagos, ele contou que cerca de 90% das refeições vendidas no estabelecimento eram destinadas a esses trabalhadores. Antes do anúncio, o restaurante servia de 200 a 300 refeições por dia. Na terça-feira, após saber do encerramento da produção de aço, Rafael precisou colocar os quatro funcionários da equipe em aviso prévio. A empresária Preta Souza também teme os impactos da decisão. Há apenas três meses, ela transferiu o restaurante que mantinha no bairro Niterói para o entorno da Gerdau. Desde então, passou a servir almoço e jantar para trabalhadores ligados à fábrica, incluindo caminhoneiros. “Isso impacta muito no comércio de Divinópolis, da região. É muito triste saber que tem tantas pessoas que dependiam da Gerdau para sustentar as próprias famílias. É muita tristeza, neste período de Natal, final de ano. Como comerciante da região, estamos muito tristes”, lamentou. Transportadores também devem sentir os impactos O taxista Edison Júnior, que trabalha há 25 anos em Divinópolis, também prevê prejuízos com o encerramento da produção. Há cinco anos, ele realiza o transporte de funcionários de empresas prestadoras de serviços à Gerdau. Segundo Edison, a demanda já vinha diminuindo desde julho, mas a decisão da companhia deve agravar a situação. “Eu faço transporte de funcionário, levo para fazer exames admissionais, demissionais, exame periódico, levo para alojamento, rodoviária. Neste segundo semestre, de julho para cá, eu já venho notando que a demanda caiu bastante, já foi ficando menor o serviço. É um tipo de serviço que não deixa de impactar, tanto meu lado financeiro quanto do meu terceirizado”, contou. Impacto pode atingir mil trabalhadores Além dos efeitos sobre o comércio e os prestadores de serviços, a Prefeitura de Divinópolis estima que o fim da produção de aço da Gerdau possa impactar diretamente cerca de mil pessoas, entre trabalhadores próprios e terceirizados. O número equivale a aproximadamente 7,4% dos empregos industriais do município. Segundo estudos da administração municipal, a unidade também pode representar até 15% dos repasses de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) recebidos pela cidade. A Prefeitura informou que pretende lançar, ainda nesta semana, um programa para reduzir os impactos econômicos da decisão, com medidas de apoio aos trabalhadores e aos negócios locais. LEIA TAMBÉM: Divinópolis tem saldo de empregos formais positivo em 2025, mas fecha o ano com o pior resultado desde 2020 Entre a carteira assinada e o empreendedor individual: quem é o trabalhador que move Divinópolis O que diz a Fiemg Em nota, o presidente da Fiemg Regional Centro-Oeste, Eduardo Soares, lamentou o encerramento da produção de aço da Gerdau em Divinópolis. Veja o posicionamento na íntegra: "Hoje é um dia triste para a indústria e para Divinópolis. O encerramento da produção de aço da Gerdau na cidade representa uma perda significativa para a economia local e, sobretudo, para centenas de trabalhadores e suas famílias que têm seu futuro profissional impactado por essa decisão. Estamos falando de uma indústria com mais de 70 anos de história em Divinópolis, no mesmo endereço, considerando as operações anteriores à chegada da empresa, que ao longo de décadas contribuiu para o desenvolvimento do município, gerando empregos, renda, oportunidades e movimentando uma extensa cadeia de fornecedores e prestadores de serviços. Sua trajetória se confunde com a própria história do desenvolvimento industrial da nossa cidade. Importante ressaltar que essa decisão também precisa ser compreendida dentro de um cenário internacional bastante adverso para a siderurgia brasileira. A China, por exemplo, enfrenta uma prolongada crise no setor imobiliário, com a desaceleração da construção civil e a consequente redução da demanda interna por aço. Diante desse quadro, os produtores chineses passaram a direcionar um volume crescente de sua produção excedente para o mercado internacional, pressionando os preços e ampliando a concorrência em países emergentes, entre eles o Brasil. Somam-se a isso os desafios internos, especialmente o elevado Custo Brasil, que encarece a produção e compromete a capacidade de competição da indústria nacional. É um contexto que exige atenção e medidas estruturantes para garantir condições mais equilibradas de concorrência e preservar a capacidade industrial do país. A FIEMG acompanha, há anos, os movimentos e os desafios enfrentados pela indústria siderúrgica e pelo setor produtivo da nossa região. Sabemos que situações como essa não se limitam aos portões de uma fábrica, seus efeitos alcançam trabalhadores, famílias, empresas fornecedoras, comércio e toda a dinâmica econômica do município. Neste momento, nossa preocupação também está voltada às pessoas. É fundamental buscar caminhos para apoiar os profissionais impactados, contribuir para sua qualificação e recolocação no mercado de trabalho. A FIEMG, por meio de sua experiência e de sua estrutura de atuação nas áreas de educação profissional, formação e desenvolvimento industrial, está à disposição para dialogar com as instituições envolvidas e construir alternativas que possam minimizar os impactos dessa decisão. Mais do que lamentar o encerramento de um ciclo tão importante, precisamos unir esforços para cuidar das pessoas, fortalecer a indústria que permanece e trabalhar para que Divinópolis continue sendo uma cidade de oportunidades, trabalho e desenvolvimento". VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas
Gerdau: fim da produção de aço em Divinópolis pode afetar 2 mil empresas; comerciantes relatam prejuízos
Escrito em 04/11/2026
Gerdau anuncia fim da produção de aço na fábrica de Divinópolis O fim da produção de aço da Gerdau em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas, pode afetar mais de 2 mil empresas localizadas nos bairros Interlagos e Porto Velho, no entorno da fábrica. Segundo levantamento da Prefeitura, 93% desses negócios são microempresas, entre fornecedores, transportadoras, comércios e prestadores de serviços que podem sofrer os impactos indiretos da decisão. O encerramento da produção de aço na unidade de Divinópolis foi anunciada pela Gerdau na terça-feira (3). Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Divinópolis e Região, 280 trabalhadores foram demitidos e outros 120 receberam propostas de transferência para unidades da empresa em outras cidades do país. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste de Minas no WhatsApp A companhia atribuiu a decisão à perda de competitividade da operação, principalmente pela dificuldade de acesso ao minério de ferro a preços competitivos, pelo avanço das importações de aço no mercado brasileiro e pelas condições desfavoráveis do mercado internacional. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) Regional Centro-Oeste lamentou o encerramento da produção de aço e destacou os impactos da decisão sobre trabalhadores, fornecedores e o comércio de Divinópolis. Leia na íntegra ao fim da matéria. Com o anúncio, comerciantes e prestadores de serviços que dependem do movimento gerado pela fábrica já começam a sentir os efeitos da decisão. O g1 ouviu empresários da região que relatam preocupação com a queda no faturamento e a manutenção dos negócios. Restaurante coloca funcionários em aviso prévio Há 23 anos, o empresário Rafael Mechler serve almoço para funcionários de empreiteiras que prestam serviços à Gerdau. Dono da Cantina da Rosana, no bairro Interlagos, ele contou que cerca de 90% das refeições vendidas no estabelecimento eram destinadas a esses trabalhadores. Antes do anúncio, o restaurante servia de 200 a 300 refeições por dia. Na terça-feira, após saber do encerramento da produção de aço, Rafael precisou colocar os quatro funcionários da equipe em aviso prévio. A empresária Preta Souza também teme os impactos da decisão. Há apenas três meses, ela transferiu o restaurante que mantinha no bairro Niterói para o entorno da Gerdau. Desde então, passou a servir almoço e jantar para trabalhadores ligados à fábrica, incluindo caminhoneiros. “Isso impacta muito no comércio de Divinópolis, da região. É muito triste saber que tem tantas pessoas que dependiam da Gerdau para sustentar as próprias famílias. É muita tristeza, neste período de Natal, final de ano. Como comerciante da região, estamos muito tristes”, lamentou. Transportadores também devem sentir os impactos O taxista Edison Júnior, que trabalha há 25 anos em Divinópolis, também prevê prejuízos com o encerramento da produção. Há cinco anos, ele realiza o transporte de funcionários de empresas prestadoras de serviços à Gerdau. Segundo Edison, a demanda já vinha diminuindo desde julho, mas a decisão da companhia deve agravar a situação. “Eu faço transporte de funcionário, levo para fazer exames admissionais, demissionais, exame periódico, levo para alojamento, rodoviária. Neste segundo semestre, de julho para cá, eu já venho notando que a demanda caiu bastante, já foi ficando menor o serviço. É um tipo de serviço que não deixa de impactar, tanto meu lado financeiro quanto do meu terceirizado”, contou. Impacto pode atingir mil trabalhadores Além dos efeitos sobre o comércio e os prestadores de serviços, a Prefeitura de Divinópolis estima que o fim da produção de aço da Gerdau possa impactar diretamente cerca de mil pessoas, entre trabalhadores próprios e terceirizados. O número equivale a aproximadamente 7,4% dos empregos industriais do município. Segundo estudos da administração municipal, a unidade também pode representar até 15% dos repasses de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) recebidos pela cidade. A Prefeitura informou que pretende lançar, ainda nesta semana, um programa para reduzir os impactos econômicos da decisão, com medidas de apoio aos trabalhadores e aos negócios locais. LEIA TAMBÉM: Divinópolis tem saldo de empregos formais positivo em 2025, mas fecha o ano com o pior resultado desde 2020 Entre a carteira assinada e o empreendedor individual: quem é o trabalhador que move Divinópolis O que diz a Fiemg Em nota, o presidente da Fiemg Regional Centro-Oeste, Eduardo Soares, lamentou o encerramento da produção de aço da Gerdau em Divinópolis. Veja o posicionamento na íntegra: "Hoje é um dia triste para a indústria e para Divinópolis. O encerramento da produção de aço da Gerdau na cidade representa uma perda significativa para a economia local e, sobretudo, para centenas de trabalhadores e suas famílias que têm seu futuro profissional impactado por essa decisão. Estamos falando de uma indústria com mais de 70 anos de história em Divinópolis, no mesmo endereço, considerando as operações anteriores à chegada da empresa, que ao longo de décadas contribuiu para o desenvolvimento do município, gerando empregos, renda, oportunidades e movimentando uma extensa cadeia de fornecedores e prestadores de serviços. Sua trajetória se confunde com a própria história do desenvolvimento industrial da nossa cidade. Importante ressaltar que essa decisão também precisa ser compreendida dentro de um cenário internacional bastante adverso para a siderurgia brasileira. A China, por exemplo, enfrenta uma prolongada crise no setor imobiliário, com a desaceleração da construção civil e a consequente redução da demanda interna por aço. Diante desse quadro, os produtores chineses passaram a direcionar um volume crescente de sua produção excedente para o mercado internacional, pressionando os preços e ampliando a concorrência em países emergentes, entre eles o Brasil. Somam-se a isso os desafios internos, especialmente o elevado Custo Brasil, que encarece a produção e compromete a capacidade de competição da indústria nacional. É um contexto que exige atenção e medidas estruturantes para garantir condições mais equilibradas de concorrência e preservar a capacidade industrial do país. A FIEMG acompanha, há anos, os movimentos e os desafios enfrentados pela indústria siderúrgica e pelo setor produtivo da nossa região. Sabemos que situações como essa não se limitam aos portões de uma fábrica, seus efeitos alcançam trabalhadores, famílias, empresas fornecedoras, comércio e toda a dinâmica econômica do município. Neste momento, nossa preocupação também está voltada às pessoas. É fundamental buscar caminhos para apoiar os profissionais impactados, contribuir para sua qualificação e recolocação no mercado de trabalho. A FIEMG, por meio de sua experiência e de sua estrutura de atuação nas áreas de educação profissional, formação e desenvolvimento industrial, está à disposição para dialogar com as instituições envolvidas e construir alternativas que possam minimizar os impactos dessa decisão. Mais do que lamentar o encerramento de um ciclo tão importante, precisamos unir esforços para cuidar das pessoas, fortalecer a indústria que permanece e trabalhar para que Divinópolis continue sendo uma cidade de oportunidades, trabalho e desenvolvimento". VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas

