Mãe da bebê de 10 meses morta no Ceará e primo do namorado que dormiu por cima da criança são indiciados pela polícia

Escrito em 20/07/2026


Laudo pericial diz que bebê de 10 meses morreu asfixiada e que não houve estupro. Governo do Ceará/Reprodução A Polícia Civil encerrou, na última sexta-feira (17), o inquérito relacionado à morte da bebê de 10 meses, ocorrida em 13 de julho, no bairro Dionísio Torres, em Fortaleza. A mãe da criança foi indiciada por homicídio culposo comissivo por omissão, enquanto o primo do namorado dela foi indiciado por homicídio culposo. O namorado da mãe da criança, que chegou a ser preso, não foi indiciado. Os indiciados foram Ysabelle Rodrigues, de 29 anos, e Roberto Levy Oliveira Magalhães, 26. Enquanto Francisco Ray Rodrigues Magalhães, 22, não foi indiciado. De acordo com a Polícia Civil, o procedimento será remetido ao Poder Judiciário. Desde a morte da criança, Roberto e Francisco estão presos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp Weryd Simões, advogado de defesa de Ysabelle, mãe da bebê de 10 meses, afirma que o indiciamento representa mais um grave equívoco na condução do inquérito policial. "Trata-se da mesma investigação que, antes de esclarecer os fatos, promoveu a prisão de pessoas inocentes, arruinou reputações, submeteu cidadãos à exposição pública e colocou vidas em risco, circunstâncias que serão oportunamente demonstradas nos autos", alegou o advogado. O advogado considera que o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) realizará uma análise técnica, criteriosa e independente dos elementos constantes dos autos e, se necessário, o Poder Judiciário restabelecerá a correta aplicação da Justiça. Nas redes sociais, Gleicy Kelly Leitão, advogada de Francisco Ray, comemorou a decisão da polícia. “É uma pessoa sem antecedentes criminais, nunca foi réu em nenhum processo, e assim continuará sendo”. Gleicy afirmou que Ray "sairá pela porta da frente e de cabeça erguida para recomeçar sua vida." A defesa lamentou a morte da criança e disse que o namorado da mãe da vítima está extremamente abalado. A defesa de Roberto Levy Oliveira Magalhães não foi localizada para comentar a investigação policial e o indiciamento. LEIA MAIS: Entenda a mudança na linha de investigação no caso de bebê de 10 meses morta no Ceará Mudança de linha de investigação Na última sexta-feira (17), o caso da morte da bebê teve uma mudança na linha de investigação. O laudo pericial da morte da criança constatou que não houve estupro, ao contrário do que havia sido verificado no hospital, segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) divulgou no primeiro momento. A análise da Perícia Forense do Ceará (Pefoce) foi revelada e apontou asfixia como a causa da morte, como sustentava a defesa de um dos dois homens presos em flagrante. "Foram realizados exames laboratoriais de alcoolemia e de drogas no sangue, que não constataram a presença dessas substâncias nas amostras coletadas na criança. Os exames realizados pela Pefoce também não constataram presença de sêmen e não indicaram presença de material genético dos dois homens envolvidos na ocorrência no corpo dela. O exame sexológico apontou que não houve violência sexual", informou a SSPDS, em nota, nesta sexta (17). O caso vinha sendo tratado pela Polícia Civil como "uma ocorrência de estupro de vulnerável seguido de morte". Segundo a polícia, as prisões em flagrante foram baseadas no documento produzido pelo hospital particular onde a bebê foi atendida por quatro médicos de emergência pediátrica e dois cardiologistas. Entretanto, após o laudo pericial, a investigação passou a tratar o caso como homicídio culposo e descartou violência sexual contra a criança. "Após a conclusão dos laudos periciais da Pefoce e com o andamento das diligências policiais, a investigação conduzida pela Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa) concluiu tratar-se de homicídio culposo, descartando com base nos laudos periciais a ocorrência de violência sexual contra a criança", complementou o órgão. LEIA TAMBÉM: Pai de bebê de 10 meses conta que não conseguiu participar do enterro da filha: ‘Não caiu a ficha’ Suspeito preso por morte de bebê tinha envolvimento amoroso com a mãe da criança Advogada de defesa de suspeito preso comenta sobre resultado de laudo pericial. A bebê morreu na casa onde Ray morava. A mãe da criança estava no local no momento em que a morte aconteceu e acreditou, inicialmente, que a filha estivesse engasgada. Por isso, chamou a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros. Como o socorro não chegou, ela decidiu levar a bebê a uma unidade de saúde por conta própria. "A morte foi por asfixia, justamente a tese defensiva de que Levy, primo de Ray, [...] esmagou a criança com seu peso corporal ao deitar na cama, embriagado. O que agora deve mudar completamente o rumo da investigação e ser tratado como um homicídio culposo, ou seja, quando não há a intenção de matar", comentou Gleicy Kelly Leitão, advogada de Ray (veja no vídeo acima). Equipes da Polícia Militar do Ceará (PMCE), do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará (CBMCE) e da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) atenderam a ocorrência e participam da investigação. Suspeitos presos O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) confirmou, na noite da última sexta-feira (17), que "os dois envolvidos no caso encontram-se presos. Eles passaram por audiência de custódia na última terça-feira (14/07), ocasião em que a prisão em flagrante foi convertida em preventiva". "Nesta sexta-feira (17/07), novos documentos foram juntados aos autos e serão analisados pelas instituições que integram o Sistema de Justiça", complementou o TJCE, sem dar mais detalhes sobre os documentos. "Em observância ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), não é possível divulgar outras informações, uma vez que o caso envolve criança e está protegido por sigilo legal", informou o Tribunal. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará