Justiça cita casa vazia e vídeo para manipular narrativa ao mandar prender ex-prefeito de Bonfim

Escrito em 29/11/2025


Ex-prefeito de Bonfim é preso pela Polícia Federal em Boa Vista A decisão judicial que determinou a prisão do ex-prefeito de Bonfim, Joner Chagas, de 51 anos, cumprida nessa quinta-feira (27) em Boa Vista, foi motivada pela divulgação de um vídeo e pelo esvaziamento da casa onde ele morava. A decisão, à qual o g1 teve acesso, é assinada pelo juiz de garantias Phillip Barbieux Sampaio, da Comarca de Bonfim, municno Norte de Roraima. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Procurada, a defesa do ex-prefeito disse que se pronunciará nos autos do processo e que a inocência dele será provada ao final de todo o procedimento. Conforme a decisão da Justiça, na terça-feira (25), durante outra operação da Polícia Federal em Bonfim, o ex-prefeito gravou e divulgou um vídeo em que afirmava não ser alvo da ação, com nítida finalidade de induzir terceiros em erro e moldar a narrativa pública”. Além disso, durante o cumprimento dos mandados na casa dele na quarta-feira (26), a polícia encontrou o imóvel destrancado, silencioso e sem sinais de moradores. Joner Chagas é suspeito de controlar um esquema de desvio de dinheiro em contratos de obras públicas em Bonfim. A suspeita é de que ele usava uma empresária como testa de ferro para esconder a ligação com os recursos. O ex-prefeito foi alvo da Operação Déjà Vu, deflagrada pela PF na quarta-feira. No dia, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na casa dele, em Boa Vista, e no município de Bonfim, no Norte de Roraima. LEIA TAMBÉM: Ex-prefeito de Bonfim investigado por corrupção sorri em foto após prisão por desvio de R$ 40 milhões Ex-prefeito é suspeito de fraudar licitações e usar empresária como 'testa de ferro' em esquema de desvios Ex-prefeito de Bonfim investigado por desvio de R$ 40 milhões é preso pela PF em Boa Vista 'Manobra de ocultação' O juiz também destacou que havia sinais de esvaziamento do imóvel, como gavetas vazias, ausência de pertences pessoais e a retirada de todos os veículos registrados em nome dele e da esposa. No local, segundo a decisão, sobrou apenas um celular que aparentava ser novo e sem uso. O celular do ex-prefeito era considerado um possível repositório central de prova para a investigação. Para o juiz, o estado de abandono da casa, era incompatível com uma simples viagem previsível ou ausência temporária e indicava fuga já consumada. Essas condutas não se confundem com mera ausência do lar, mas constituem manobra concreta de ocultação, obstrução da investigação e interferência direta na produção probatória, indicando, sobretudo, nítida intenção de destruir, ocultar ou manipular prova digital, notadamente seu telefone celular, que se mostra instrumento central da atividade criminosa, diz. Ex-prefeito de Bonfim, Joner Chagas, sorri em foto de ficha após ser preso por desvio de R$ 40 milhões. Reprodução A prisão aconteceu nessa quinta. Em nota, a Polícia Federal informou que a prisão ocorreu após análise de elementos que indicariam possível participação no esquema investigado e em continuidade à operação Déjà Vu. Com a prisão dele, a PF mantém a investigação sobre indícios de organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro ligados a contratos milionários de manutenção de estradas vicinais no interior do estado. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.