Veja o que se sabe sobre o caso do estudante de medicina morto a tiros após briga de trânsito em Taubaté (SP)

Escrito em 02/10/2026


Polícia investiga morte de estudante baleado em trânsito O estudante de Medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, foi morto a tiros durante uma discussão no trânsito na manhã de quarta-feira (30), na Avenida do Povo, em Taubaté (SP). Ele foi baleado pelo bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, que foi preso em flagrante, mas obteve liberdade provisória após audiência de custódia nesta quinta-feira (1º). Após os disparos, Bruno chegou a correr, mas não resistiu aos ferimentos. Ele foi enterrado nesta quinta-feira, em Jacareí. O Ministério Público de São Paulo recorreu da decisão que concedeu liberdade provisória e pediu a prisão preventiva do bombeiro. O Corpo de Bombeiros lamentou a morte e informou que Marcos Paulo está em licença sem vencimentos. A defesa afirma que o bombeiro agiu em legítima defesa, versão diferente da apresentada por uma testemunha ouvida pela polícia, que investiga o caso. Abaixo, o g1 reúne as principais informações sobre o caso. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp Bruno Hashimura, de 23 anos, aparece em imagens após ser baleado; ao lado, o bombeiro Marcos Fujarra. Foto 1: Reprodução/Unama Santarém. Foto 2: Reprodução. Foto 3: Reprodução/Rede Vanguarda O que aconteceu? Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, foi baleado durante uma discussão no trânsito na manhã de quarta-feira (30), na Avenida Professor Walter Thaumaturgo, conhecida como Avenida do Povo, em Taubaté. A Polícia Militar foi acionada por volta das 7h. Bruno foi atingido por disparos, saiu correndo do veículo e foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Ele foi levado ao Hospital Regional de Taubaté, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. O caso foi registrado pela Polícia Civil como homicídio. Um vídeo obtido pela TV Vanguarda mostra Bruno correndo pela rua logo após ser baleado. Nas imagens, ele aparece colocando a mão no peito enquanto se afasta do local. Segundo a polícia, foram feitos de quatro a cinco disparos. A perícia ainda deve esclarecer quantos tiros atingiram o estudante. Homem é baleado após briga de trânsito na Avenida do Povo, em Taubaté Quem era Bruno? Bruno tinha 23 anos, era casado, tinha um filho de dois anos e sonhava em se tornar médico. Natural de Jacareí (SP), ele era descrito por amigos e familiares como uma pessoa alegre, carinhosa e otimista. O sonho de cursar Medicina fez com que Bruno estudasse em diferentes lugares. Ele começou a graduação na Argentina, depois se transferiu para uma universidade em Santarém (PA) e, há cerca de um ano, estudava na Universidade de Taubaté (Unitau), onde cursava o segundo ano de Medicina. Colegas também destacaram o bom humor e a forma otimista com que Bruno encarava a vida. "Era uma pessoa incrível, era uma pessoa extremamente alegre, nunca havia visto uma pessoa tão otimista quanto ele. Ele trazia sempre um bom humor para a gente, alegrava nossos dias. Algo completamente sem sentido (o assassinato). E agora a gente quer justiça por tudo isso", disse um colega. Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, era estudante do 4º semestre de Medicina da Universidade de Taubaté (Unitau). Reprodução/TV Vanguarda Quem é o autor dos disparos? Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos, é bombeiro militar e foi identificado pela Polícia Civil como o autor dos disparos que atingiram Bruno. Segundo apurou o g1, Marcos é soldado de 1ª classe e atua como militar no Estado de São Paulo há pouco mais de 10 anos. Desde maio deste ano, ele estava afastado por licença. A arma apontada pela investigação como a utilizada no caso é uma pistola Taurus calibre .380, que foi apreendida pela polícia. Bombeiro acusado de disparo que matou jovem após briga de trânsito é preso por homicídio Como foi a briga? Bruno dirigia um Chevrolet Prisma. Marcos estava em um Jeep Renegade acompanhado da esposa e do filho. Os dois motoristas teriam se envolvido em uma discussão no trânsito antes de se encontrarem novamente na região da Avenida do Povo. A partir desse ponto, há versões diferentes sobre o que aconteceu. Segundo a investigação apresentada até o momento, Marcos saiu do Renegade e se aproximou do carro de Bruno antes dos disparos. Bruno permaneceu no veículo e, após os tiros, saiu correndo pela rua. A dinâmica exata da discussão e o que aconteceu nos instantes anteriores aos disparos ainda são investigados pela Polícia Civil. Briga de trânsito que terminou em morte em SP: vídeo mostra carros de estudante e bombeiro O que mostram os vídeos? Dois vídeos de câmeras de segurança ajudam a mostrar momentos diferentes da ocorrência. Um deles registra os carros de Bruno e do bombeiro Marcos Paulo Fujarra de Oliveira pouco antes dos disparos. O outro mostra o estudante correndo pela rua logo depois de ser baleado. No vídeo feito às 6h59 de quarta-feira (30), na Avenida do Povo, os dois carros aparecem seguindo pela via. Bruno está um pouco à frente, à esquerda da imagem. Conforme avançam, os veículos ficam lado a lado. Em câmera lenta, é possível ver o bombeiro fazendo gestos. Os carros seguem lado a lado até um semáforo. A luz de freio do veículo conduzido pelo bombeiro se apaga e Marcos Paulo desce. Uma placa de trânsito encobre parte da cena e impede que a câmera registre o que aconteceu naquele momento. Na sequência, Bruno sai pela porta do passageiro e corre. O estudante foi atingido por quatro disparos, segundo a guia de encaminhamento médico, com ferimentos no pescoço, tórax e braço esquerdo. No segundo vídeo, já divulgado anteriormente, Bruno aparece correndo pela rua logo após ser baleado. Ele tenta se afastar do local, mas não resiste aos ferimentos e morre. As imagens não registram o momento dos disparos. Bombeiro militar é identificado como autor de disparo que matou motorista após briga de trânsito em Taubaté Reprodução/TV Vanguarda O que diz uma testemunha? Uma testemunha ouvida pela polícia apresentou uma versão diferente da relatada pela defesa do bombeiro. Segundo o depoimento, Marcos desceu do Jeep Renegade e começou a gritar em direção a Bruno. Ainda de acordo com a testemunha, o bombeiro teria dado três cotoveladas no vidro do carro até quebrá-lo. Logo depois, teria efetuado os disparos. A testemunha afirmou à polícia que Bruno permaneceu dentro do veículo, com os vidros fechados, sem discutir ou fazer qualquer movimento para fora do carro. O relato ainda será analisado pelos investigadores junto às demais provas reunidas no inquérito. O que diz a defesa? O advogado Cláudio Rodrigues, que representa Marcos, afirma que o bombeiro teria sido vítima de uma fechada no trânsito e que, em seguida, Bruno teria mostrado um objeto que o militar acreditou ser uma arma. Segundo a defesa, os dois voltaram a se encontrar em um semáforo. O advogado afirma que Marcos teria descido do veículo, se identificado como militar e ordenado que Bruno saísse do carro. Ainda segundo a versão apresentada pela defesa, Bruno não teria saído do veículo e teria quebrado o próprio vidro com uma faca. Nesse momento, Marcos teria efetuado o disparo. A defesa sustenta que o bombeiro agiu em legítima defesa. A versão apresentada pelos advogados será analisada durante a investigação. Estudante de Medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, morreu após ser baleado durante uma discussão de trânsito em Taubaté. Arte g1 O que diz o Corpo de Bombeiros? O 11º Grupamento de Bombeiros lamentou a morte de Bruno Hashimura e prestou solidariedade aos familiares e amigos do estudante. A corporação afirmou reconhecer a gravidade do caso e disse que o bombeiro militar envolvido não exercia funções na região do Vale do Paraíba e está em licença sem vencimentos há algum tempo. Em nota, o comando afirmou que mantém o compromisso com a preservação da vida, a legalidade e o respeito à população. A corporação também disse esperar que as autoridades esclareçam os fatos e adotem as medidas cabíveis conforme as conclusões das investigações e com respeito ao devido processo legal. Bombeiro é levado em viatura após prisão em flagrante em Taubaté. Reprodução/TV Vanguarda O autor dos disparos foi preso? Sim. Marcos foi preso em flagrante na quarta-feira (30), após os disparos que mataram Bruno. Nesta quinta-feira (1º), ele passou por audiência de custódia e obteve liberdade provisória. A decisão foi tomada pela juíza Glaucia Fernandes Paiva, da Vara Regional das Garantias da 9ª Região Administrativa Judiciária, em São José dos Campos. A Justiça determinou o cumprimento de medidas cautelares para que o bombeiro permaneça em liberdade. Na decisão, a juíza afirmou que, naquele momento, não estavam presentes elementos que justificassem a prisão preventiva. Marcos responde, neste momento, por homicídio doloso. A classificação do caso pode mudar durante o andamento da investigação. Estudante de medicina Bruno Hashimura San Juliano corre após ser baleado por bombeiro em Taubaté Reprodução O que foi apreendido? A perícia deverá analisar os objetos e outros elementos recolhidos durante a investigação. A polícia apreendeu a pistola calibre .380 apontada como a arma usada nos disparos, além de munições. Também foram apreendidos um canivete e o celular de Bruno. Estudante de medicina foi enterrado em Taubaté nesta quinta-feira. Foto 1: Reprodução/Unama Santarém. Foto 2: Bruna Capasciutti O que aconteceu depois da morte? A morte de Bruno provocou manifestações de colegas, professores e familiares. Na noite de quarta-feira, estudantes de Medicina fizeram uma vigília na Avenida do Povo, local onde o jovem foi baleado. O grupo levou flores, velas e cartazes e pediu justiça. Na noite desta quinta-feira (1º), estudantes e amigos fizeram um protesto na Rua Dr. Emílio Winther, em Taubaté. A manifestação aconteceu em frente a uma praça, localizada em frente à Faculdade de Direito. A Unitau suspendeu as aulas do curso de Medicina na quarta-feira (30) e nesta quinta-feira (1º). A universidade também informou que disponibilizou acolhimento e atendimento psicológico para alunos e professores. Bruno foi velado nesta quinta-feira no Campo das Oliveiras, em Jacareí. O estudante foi enterrado no Memorial do Vale, no Jardim Califórnia, em Jacareí. O sepultamento começou por volta das 14h30 e durou cerca de uma hora. Estudantes e amigos fazem protesto em homenagem a Bruno em Taubaté nesta quinta-feira (1º). Bruna Capasciutti/Rede Vanguarda O que ainda falta esclarecer na investigação? A Polícia Civil ainda investiga a dinâmica da discussão e o que aconteceu imediatamente antes dos disparos. Entre os pontos que precisam ser esclarecidos estão: o motivo que levou à discussão entre os dois motoristas; a sequência exata dos acontecimentos antes dos disparos; quantos tiros foram efetuados e quantos atingiram Bruno; o que aconteceu com o vidro do carro do estudante; as circunstâncias em que o canivete foi encontrado; e se os elementos reunidos na investigação sustentam ou não a alegação de legítima defesa apresentada pela defesa. A perícia e os depoimentos de testemunhas devem ajudar a esclarecer a dinâmica da ocorrê. Até o momento, a investigação reúne versões diferentes sobre os momentos que antecederam os disparos. A Polícia Civil ainda não concluiu o inquérito. Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina