Cientistas de SC lideram missão com robô mergulhador para desvendar 'mistérios' a 4,5 mil Um trio de pesquisadores embarca no dia 15 de setembro em uma expedição rumo a Gana, no continente africano, para investigar as profundezas do Oceano Atlântico. A missão usará o robô SuBastian, um veículo operado remotamente (ROV) capaz de mergulhar até 4,5 mil metros de profundidade, para coletar dados, imagens e amostras de ambientes inéditos (veja o vídeo acima). A equipe da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), de Santa Catarina, é liderada pelo professor Angel Perez e conta com os oceanógrafos catarinenses Lucas Gavazzoni e Flávia Masumoto, além de 22 especialistas de outros quatro países. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp A bordo de um navio de pesquisa, o grupo fará a travessia a partir de Fortaleza (CE) até desembarcar em Tema, no país africano, em 29 de outubro. Pesquisadores de SC vão investigar 'mistérios' a 4,5 mil metros do oceano com ajuda de robô mergulhador Dales Hoeckesfeld/Divulgação Mapeamento de ecossistemas desconhecidos 🛳️ A expedição The Gap tem como foco a Zona de Fratura Romanche, uma formação submarina de aproximadamente mil quilômetros de extensão, composta por uma sequência de montanhas e vales. Situada no Oceano Atlântico, ao longo da Linha do Equador, a área está localizada a meio caminho entre a costa nordeste do Brasil e a costa oeste do continente africano. Por estar situada sob uma área de alta produtividade na superfície, a expectativa é que o local abrigue ecossistemas complexos e ainda desconhecidos. Por isso, durante a incursão, os cientistas farão um mapeamento em alta resolução para estudar a coluna de água, os habitats e a biodiversidade do fundo do mar. "Esta área que vamos investigar está sob a influência de uma zona de alta produtividade em superfície. Acredita-se que essa característica chegue ao fundo sustentando importantes comunidades que, por sua vez, podem demandar ações de conservação no alto-mar. Para isso, precisamos apresentar evidências científicas concretas", justifica o professor Angel Perez. A missão usará o robô SuBastian Schmidt Ocean Institute/ROV SuBastian Transmissão ao vivo a 4,5 mil metros de profundidade Os mergulhos do robô terão duração de cerca de oito horas e serão transmitidos ao vivo, em alta definição, no canal do Schmidt Ocean Institute no YouTube, com narração em português e inglês. O equipamento, considerado de alta performance, será responsável por coletar amostras submarinas que servirão de subsídio para estudos futuros. Todos os dados, imagens e amostras coletados durante a expedição serão disponibilizados ao público. Oceano esconde surpresas A Univali integra o Programa de Mar Profundo do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (Inpo) e participa de expedições desta natureza desde 2009. Segundo a universidade, as demais explorações ocorreram nos anos de 2013, 2018, 2019, 2022 e 2025. O professor Angel explica que essas expedições são um legado para a preservação do Oceano Atlântico, pois ajudam os cientistas a compreender o mar profundo, uma área equivalente a 70% da superfície de todo o planeta. “Excluindo os continentes e a parte mais rasa do oceano, que fica submersa, todo o restante é considerado mar profundo. Ao somarmos toda a área percorrida por ROVs no fundo do oceano até hoje, isso equivaleria a cerca de 0,01% dessa superfície. Ou seja, mais de 99,9% desse ambiente ainda não foi explorado. E o mais interessante é que esse 0,01% que já conhecemos revelou uma enorme quantidade de descobertas”, observa. Angel, que já participou de outras investigações no fundo do oceano, acrescenta que a ciência constrói seu conhecimento com base no que já foi observado e documentado. Por isso, não é raro que, ao longo dessas explorações, os cientistas se deparem com realidades completamente diferentes do imaginado. "É por isso que não é exagero afirmar que o mar profundo é o lugar da Terra onde estão as maiores surpresas", conclui. Cientistas de SC lideram missão com robô mergulhador para desvendar 'mistérios' a 4,5 mil metros no mar Schmidt Ocean Institute/ROV SuBastian VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias
Cientistas de SC lideram missão com robô mergulhador para desvendar 'mistérios' a 4,5 mil metros no fundo do mar
Escrito em 08/08/2026
Cientistas de SC lideram missão com robô mergulhador para desvendar 'mistérios' a 4,5 mil Um trio de pesquisadores embarca no dia 15 de setembro em uma expedição rumo a Gana, no continente africano, para investigar as profundezas do Oceano Atlântico. A missão usará o robô SuBastian, um veículo operado remotamente (ROV) capaz de mergulhar até 4,5 mil metros de profundidade, para coletar dados, imagens e amostras de ambientes inéditos (veja o vídeo acima). A equipe da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), de Santa Catarina, é liderada pelo professor Angel Perez e conta com os oceanógrafos catarinenses Lucas Gavazzoni e Flávia Masumoto, além de 22 especialistas de outros quatro países. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp A bordo de um navio de pesquisa, o grupo fará a travessia a partir de Fortaleza (CE) até desembarcar em Tema, no país africano, em 29 de outubro. Pesquisadores de SC vão investigar 'mistérios' a 4,5 mil metros do oceano com ajuda de robô mergulhador Dales Hoeckesfeld/Divulgação Mapeamento de ecossistemas desconhecidos 🛳️ A expedição The Gap tem como foco a Zona de Fratura Romanche, uma formação submarina de aproximadamente mil quilômetros de extensão, composta por uma sequência de montanhas e vales. Situada no Oceano Atlântico, ao longo da Linha do Equador, a área está localizada a meio caminho entre a costa nordeste do Brasil e a costa oeste do continente africano. Por estar situada sob uma área de alta produtividade na superfície, a expectativa é que o local abrigue ecossistemas complexos e ainda desconhecidos. Por isso, durante a incursão, os cientistas farão um mapeamento em alta resolução para estudar a coluna de água, os habitats e a biodiversidade do fundo do mar. "Esta área que vamos investigar está sob a influência de uma zona de alta produtividade em superfície. Acredita-se que essa característica chegue ao fundo sustentando importantes comunidades que, por sua vez, podem demandar ações de conservação no alto-mar. Para isso, precisamos apresentar evidências científicas concretas", justifica o professor Angel Perez. A missão usará o robô SuBastian Schmidt Ocean Institute/ROV SuBastian Transmissão ao vivo a 4,5 mil metros de profundidade Os mergulhos do robô terão duração de cerca de oito horas e serão transmitidos ao vivo, em alta definição, no canal do Schmidt Ocean Institute no YouTube, com narração em português e inglês. O equipamento, considerado de alta performance, será responsável por coletar amostras submarinas que servirão de subsídio para estudos futuros. Todos os dados, imagens e amostras coletados durante a expedição serão disponibilizados ao público. Oceano esconde surpresas A Univali integra o Programa de Mar Profundo do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (Inpo) e participa de expedições desta natureza desde 2009. Segundo a universidade, as demais explorações ocorreram nos anos de 2013, 2018, 2019, 2022 e 2025. O professor Angel explica que essas expedições são um legado para a preservação do Oceano Atlântico, pois ajudam os cientistas a compreender o mar profundo, uma área equivalente a 70% da superfície de todo o planeta. “Excluindo os continentes e a parte mais rasa do oceano, que fica submersa, todo o restante é considerado mar profundo. Ao somarmos toda a área percorrida por ROVs no fundo do oceano até hoje, isso equivaleria a cerca de 0,01% dessa superfície. Ou seja, mais de 99,9% desse ambiente ainda não foi explorado. E o mais interessante é que esse 0,01% que já conhecemos revelou uma enorme quantidade de descobertas”, observa. Angel, que já participou de outras investigações no fundo do oceano, acrescenta que a ciência constrói seu conhecimento com base no que já foi observado e documentado. Por isso, não é raro que, ao longo dessas explorações, os cientistas se deparem com realidades completamente diferentes do imaginado. "É por isso que não é exagero afirmar que o mar profundo é o lugar da Terra onde estão as maiores surpresas", conclui. Cientistas de SC lideram missão com robô mergulhador para desvendar 'mistérios' a 4,5 mil metros no mar Schmidt Ocean Institute/ROV SuBastian VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias

