Especialistas indicam o ex-presidente cubano Raúl Castro e seu entorno como proprietários e operadores da holding multimilionária Gaesa Getty Images via BBC O ex-presidente cubano Raúl Castro, de 94 anos, deve ser acusado criminalmente pelos Estados Unidos por um dos episódios mais delicados da relação entre Washington e Havana. O caso envolve a derrubada de dois aviões civis em fevereiro de 1996, quando Castro era ministro da Defesa de Cuba. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Vídeos em alta no g1 As aeronaves pertenciam ao grupo Brothers to the Rescue (“Irmãos ao Resgate”), formado por cubanos anticastristas exilados nos EUA. Os quatro tripulantes morreram, três deles cidadãos americanos. O número de acusados e as acusações exatas ainda estão sendo discutidos, mas o processo pode incluir acusações relacionadas ao abate das aeronaves e a supostos crimes de tráfico de drogas, segundo o The New York Times. Segundo uma fonte ouvida pela Reuters, procuradores federais pretendem anunciar a acusação contra o irmão de Fidel Castro, em Miami, nesta quarta-feira (20). O indiciamento ainda precisará ser aprovado por um grande júri. A data coincide com uma homenagem organizada pelo Departamento de Justiça dos EUA, em Miami, às vítimas do caso que motivou as acusações contra Castro. A retomada do episódio, 30 anos depois, acontece em meio ao aumento das tensões entre Havana e Washington nos últimos meses. A ilha caribenha enfrenta uma grave crise energética desde janeiro, quando os EUA ameaçaram impor sanções a países e empresas que fornecessem petróleo a Cuba. Abate dos aviões do Brothers to the Rescue O episódio aconteceu em 24 de fevereiro de 1996, quando dois aviões Cessna C-337 do grupo Brothers to the Rescue foram abatidos pela Força Aérea Cubana sobre o Caribe. As vítimas foram Armando Alejandre, de 45 anos; Carlos Costa, de 29; Mario de la Peña, de 24; e Pablo Morales, de 29. O Brothers to the Rescue era sediado principalmente em Miami e realizava voos para localizar cubanos no Caribe que tentavam deixar a ilha em embarcações precárias. Isso porque, nos anos 1990, após o fim da União Soviética, Cuba mergulhou em uma crise econômica e milhares de cubanos tentaram deixar o país rumo aos EUA em travessias pelo mar, segundo o The New York Times. Mas, depois que acordos migratórios entre EUA e Cuba passaram a determinar a devolução de cubanos encontrados no mar, as ações do grupo mudaram de foco. Segundo o jornal americano, a organização passou a desafiar o governo Fidel Castro com voos sobre Cuba e até com lançamentos de panfletos sobre a ilha. De acordo com o governo cubano, os aviões foram abatidos porque violaram o espaço aéreo do país. Já a Organização da Aviação Civil Internacional afirmou que o ataque ocorreu em águas internacionais, sobre o Estreito da Flórida. As famílias das vítimas processaram o governo cubano na Justiça americana e, em 1997, receberam uma indenização de US$ 187,6 milhões. Parte do valor foi paga com ativos cubanos congelados pelo Tesouro dos EUA, segundo o jornal norte-americano. Em fevereiro, membros do Congresso dos EUA enviaram uma carta ao Departamento de Justiça pedindo que o órgão avalie denunciar Raúl Castro. O documento cita uma reportagem sobre um áudio em que ele supostamente discute a ordem para derrubar os aviões, segundo o The New York Times. Pressão sobre a ilha Incidente em meio a tensão entre EUA e Cuba, após a imposição de embargo petrolífero à ilha por Washington CTK Photo/IMAGO via DW Desde a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro, os Estados Unidos vêm pressionando o governo cubano a implementar reformas profundas em seu sistema econômico e regime político. O governo em Havana rejeita as exigências e argumenta com a soberania nacional. Para intensificar a pressão sobre a ilha, Washington impôs, desde então, um embargo petrolífero que exacerbou a crise energética que Cuba já enfrentava. A isso somou-se a ordem executiva assinada em 1º de maio pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que amplia as sanções econômicas, financeiras e comerciais em vigor há mais de seis décadas. Uma agressão militar dos EUA contra a ilha é considerada plausível por especialistas após os acontecimentos na Venezuela e no Irã, e o próprio Trump já falou que Cuba "é a próxima".
Derrubada de aviões há 30 anos pode levar Raúl Castro a ser indiciado nos EUA; entenda
Escrito em 20/05/2026
Especialistas indicam o ex-presidente cubano Raúl Castro e seu entorno como proprietários e operadores da holding multimilionária Gaesa Getty Images via BBC O ex-presidente cubano Raúl Castro, de 94 anos, deve ser acusado criminalmente pelos Estados Unidos por um dos episódios mais delicados da relação entre Washington e Havana. O caso envolve a derrubada de dois aviões civis em fevereiro de 1996, quando Castro era ministro da Defesa de Cuba. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Vídeos em alta no g1 As aeronaves pertenciam ao grupo Brothers to the Rescue (“Irmãos ao Resgate”), formado por cubanos anticastristas exilados nos EUA. Os quatro tripulantes morreram, três deles cidadãos americanos. O número de acusados e as acusações exatas ainda estão sendo discutidos, mas o processo pode incluir acusações relacionadas ao abate das aeronaves e a supostos crimes de tráfico de drogas, segundo o The New York Times. Segundo uma fonte ouvida pela Reuters, procuradores federais pretendem anunciar a acusação contra o irmão de Fidel Castro, em Miami, nesta quarta-feira (20). O indiciamento ainda precisará ser aprovado por um grande júri. A data coincide com uma homenagem organizada pelo Departamento de Justiça dos EUA, em Miami, às vítimas do caso que motivou as acusações contra Castro. A retomada do episódio, 30 anos depois, acontece em meio ao aumento das tensões entre Havana e Washington nos últimos meses. A ilha caribenha enfrenta uma grave crise energética desde janeiro, quando os EUA ameaçaram impor sanções a países e empresas que fornecessem petróleo a Cuba. Abate dos aviões do Brothers to the Rescue O episódio aconteceu em 24 de fevereiro de 1996, quando dois aviões Cessna C-337 do grupo Brothers to the Rescue foram abatidos pela Força Aérea Cubana sobre o Caribe. As vítimas foram Armando Alejandre, de 45 anos; Carlos Costa, de 29; Mario de la Peña, de 24; e Pablo Morales, de 29. O Brothers to the Rescue era sediado principalmente em Miami e realizava voos para localizar cubanos no Caribe que tentavam deixar a ilha em embarcações precárias. Isso porque, nos anos 1990, após o fim da União Soviética, Cuba mergulhou em uma crise econômica e milhares de cubanos tentaram deixar o país rumo aos EUA em travessias pelo mar, segundo o The New York Times. Mas, depois que acordos migratórios entre EUA e Cuba passaram a determinar a devolução de cubanos encontrados no mar, as ações do grupo mudaram de foco. Segundo o jornal americano, a organização passou a desafiar o governo Fidel Castro com voos sobre Cuba e até com lançamentos de panfletos sobre a ilha. De acordo com o governo cubano, os aviões foram abatidos porque violaram o espaço aéreo do país. Já a Organização da Aviação Civil Internacional afirmou que o ataque ocorreu em águas internacionais, sobre o Estreito da Flórida. As famílias das vítimas processaram o governo cubano na Justiça americana e, em 1997, receberam uma indenização de US$ 187,6 milhões. Parte do valor foi paga com ativos cubanos congelados pelo Tesouro dos EUA, segundo o jornal norte-americano. Em fevereiro, membros do Congresso dos EUA enviaram uma carta ao Departamento de Justiça pedindo que o órgão avalie denunciar Raúl Castro. O documento cita uma reportagem sobre um áudio em que ele supostamente discute a ordem para derrubar os aviões, segundo o The New York Times. Pressão sobre a ilha Incidente em meio a tensão entre EUA e Cuba, após a imposição de embargo petrolífero à ilha por Washington CTK Photo/IMAGO via DW Desde a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro, os Estados Unidos vêm pressionando o governo cubano a implementar reformas profundas em seu sistema econômico e regime político. O governo em Havana rejeita as exigências e argumenta com a soberania nacional. Para intensificar a pressão sobre a ilha, Washington impôs, desde então, um embargo petrolífero que exacerbou a crise energética que Cuba já enfrentava. A isso somou-se a ordem executiva assinada em 1º de maio pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que amplia as sanções econômicas, financeiras e comerciais em vigor há mais de seis décadas. Uma agressão militar dos EUA contra a ilha é considerada plausível por especialistas após os acontecimentos na Venezuela e no Irã, e o próprio Trump já falou que Cuba "é a próxima".

