Confira detalhes da decisão que embasou mandados de prisão na nova fase da operação compliance Um trecho de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) revela um duro recado do relator do caso Master à Procuradoria-Geral da República (PGR). No despacho, o ministro André Mendonça registra que discorda da avaliação da PGR de que não haveria urgência para analisar pedidos de medidas cautelares apresentados pela Polícia Federal e afirma que as evidências reunidas apontam para crimes de grande gravidade e risco concreto às investigações. Daniel Vorcaro é preso pela PF em nova fase da operação sobre Banco Master Em 27 de fevereiro, a Polícia Federal pediu ao STF a prisão preventiva dos investigados, ao afirmar que o grupo mantinha uma “estrutura de vigilância e coerção privada” voltada ao monitoramento de alvos e à intimidação de pessoas ligadas às investigações. Ao receber o pedido, Mendonça concedeu 72 horas para manifestação da PGR. O órgão afirmou que não havia, no pedido, “indicação de perigo iminente, imediato, que induza a extraordinária necessidade de tão rápida e necessariamente sucinta análise do pleito”. Na decisão, o ministro rebate essa avaliação. Segundo ele, a representação da Polícia Federal “traz sérias evidências da continuada prática de crimes de gravíssima repercussão”. Mendonça afirma ainda que a urgência do caso é clara. “É preciso ressaltar que a urgência na tramitação deste feito decorre do perigo iminente a bens jurídicos da mais elevada relevância e de envergadura constitucional”, destacou. Banqueiro Daniel Vorcaro é preso pela Polícia Federal em SP O relator afirma que a avaliação da PGR ignorou indícios relevantes apresentados pela investigação. Em um trecho mais direto, Mendonça diz lamentar a postura da PGR diante de "robusto quadro fático-probatório" e que a demora revela-se "extremamente perigosa para a sociedade". "Lamenta-se (i) porque, as evidências dos ilícitos e a urgência para adoção das medidas requeridas estão fartamente reveladas na representação da Polícia Federal e no curso desta decisão; conforme documentado nos autos, também (ii) porque se está diante da concreta possibilidade de se prevenir possíveis condutas ilícitas contra a integridade física e moral de cidadãos comuns, de jornalista e até mesmo de autoridades públicas; (iii) porque há indicativos de ter havido acesso indevido dos sistemas sigilosos da Polícia Federal, do próprio Ministério Público Federal e até mesmo de organismos internacionais como a Interpol. Portanto, se as medidas requeridas pela Polícia Federal não forem acolhidas, em caráter de urgência, pode-se colocar em risco a segurança e a própria vida de pessoas que se tornaram vítimas dos ilícitos apontados nestes autos, bem como dificultar, sobremaneira, a recuperação de ativos bilionários que foram desviados dos cofres públicos e de particulares atingidos pelos variados crimes contra o sistema financeiro nacional apurados nestes autos", diz. Segundo o ministro, as evidências reunidas pela investigação indicam não apenas a gravidade dos ilícitos, mas também a necessidade de medidas urgentes para evitar novas condutas criminosas. Decisão de Mendonça que levou a prisão de Vorcaro cita organização criminosa, danos bilionários e ameaça às investigações Ele cita, por exemplo, “a concreta possibilidade de se prevenir possíveis condutas ilícitas contra a integridade física e moral de cidadãos comuns, de jornalista e até mesmo de autoridades públicas”. As investigações da PF mostram que Daniel Vorcaro, ex-sócio do Master, pagava R$ 1 milhão mensal a Phillipi Mourão, cujo apelido era "Sicário", para acessar dados em sistemas restritos de órgãos públicos para obtenção de dados pessoas de autoridades, jornalistas e outros indivíduos considerados de interesse da instituição. Também monitorava pessoas para "neutralizar" situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo. Em uma troca de mensagem obtida pela polícia, Vorcaro reclama de um jornalista e diz a Mourão que "tinha que colocar gente seguindo esse cara. Para pegar tudo dele". Em um novo diálogo, ele pede: "quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”. 'A Turma': quem é quem no grupo investigado por ameaças que levou à nova prisão de Vorcaro Para o ministro, ignorar esses elementos poderia trazer consequências graves. No despacho, ele afirma que, se as medidas solicitadas pela Polícia Federal não forem adotadas com urgência, “pode-se colocar em risco a segurança e a própria vida de pessoas que se tornaram vítimas dos ilícitos apontados nestes autos”. O relator também menciona que a demora pode dificultar a recuperação de ativos bilionários desviados em crimes contra o sistema financeiro nacional. No trecho final da decisão, Mendonça reforça o argumento de urgência e conclui com uma expressão em latim: “tempus fugit”, o tempo foge, afirmando que, no caso específico da investigação, “a demora se revela extremamente perigosa para a sociedade”. Ministro André Mendonça. Luiz Roberto/TSE
Puxão de orelha: ministro do STF critica posição da PGR e aponta urgência em investigação
Escrito em 04/03/2026
Confira detalhes da decisão que embasou mandados de prisão na nova fase da operação compliance Um trecho de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) revela um duro recado do relator do caso Master à Procuradoria-Geral da República (PGR). No despacho, o ministro André Mendonça registra que discorda da avaliação da PGR de que não haveria urgência para analisar pedidos de medidas cautelares apresentados pela Polícia Federal e afirma que as evidências reunidas apontam para crimes de grande gravidade e risco concreto às investigações. Daniel Vorcaro é preso pela PF em nova fase da operação sobre Banco Master Em 27 de fevereiro, a Polícia Federal pediu ao STF a prisão preventiva dos investigados, ao afirmar que o grupo mantinha uma “estrutura de vigilância e coerção privada” voltada ao monitoramento de alvos e à intimidação de pessoas ligadas às investigações. Ao receber o pedido, Mendonça concedeu 72 horas para manifestação da PGR. O órgão afirmou que não havia, no pedido, “indicação de perigo iminente, imediato, que induza a extraordinária necessidade de tão rápida e necessariamente sucinta análise do pleito”. Na decisão, o ministro rebate essa avaliação. Segundo ele, a representação da Polícia Federal “traz sérias evidências da continuada prática de crimes de gravíssima repercussão”. Mendonça afirma ainda que a urgência do caso é clara. “É preciso ressaltar que a urgência na tramitação deste feito decorre do perigo iminente a bens jurídicos da mais elevada relevância e de envergadura constitucional”, destacou. Banqueiro Daniel Vorcaro é preso pela Polícia Federal em SP O relator afirma que a avaliação da PGR ignorou indícios relevantes apresentados pela investigação. Em um trecho mais direto, Mendonça diz lamentar a postura da PGR diante de "robusto quadro fático-probatório" e que a demora revela-se "extremamente perigosa para a sociedade". "Lamenta-se (i) porque, as evidências dos ilícitos e a urgência para adoção das medidas requeridas estão fartamente reveladas na representação da Polícia Federal e no curso desta decisão; conforme documentado nos autos, também (ii) porque se está diante da concreta possibilidade de se prevenir possíveis condutas ilícitas contra a integridade física e moral de cidadãos comuns, de jornalista e até mesmo de autoridades públicas; (iii) porque há indicativos de ter havido acesso indevido dos sistemas sigilosos da Polícia Federal, do próprio Ministério Público Federal e até mesmo de organismos internacionais como a Interpol. Portanto, se as medidas requeridas pela Polícia Federal não forem acolhidas, em caráter de urgência, pode-se colocar em risco a segurança e a própria vida de pessoas que se tornaram vítimas dos ilícitos apontados nestes autos, bem como dificultar, sobremaneira, a recuperação de ativos bilionários que foram desviados dos cofres públicos e de particulares atingidos pelos variados crimes contra o sistema financeiro nacional apurados nestes autos", diz. Segundo o ministro, as evidências reunidas pela investigação indicam não apenas a gravidade dos ilícitos, mas também a necessidade de medidas urgentes para evitar novas condutas criminosas. Decisão de Mendonça que levou a prisão de Vorcaro cita organização criminosa, danos bilionários e ameaça às investigações Ele cita, por exemplo, “a concreta possibilidade de se prevenir possíveis condutas ilícitas contra a integridade física e moral de cidadãos comuns, de jornalista e até mesmo de autoridades públicas”. As investigações da PF mostram que Daniel Vorcaro, ex-sócio do Master, pagava R$ 1 milhão mensal a Phillipi Mourão, cujo apelido era "Sicário", para acessar dados em sistemas restritos de órgãos públicos para obtenção de dados pessoas de autoridades, jornalistas e outros indivíduos considerados de interesse da instituição. Também monitorava pessoas para "neutralizar" situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo. Em uma troca de mensagem obtida pela polícia, Vorcaro reclama de um jornalista e diz a Mourão que "tinha que colocar gente seguindo esse cara. Para pegar tudo dele". Em um novo diálogo, ele pede: "quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”. 'A Turma': quem é quem no grupo investigado por ameaças que levou à nova prisão de Vorcaro Para o ministro, ignorar esses elementos poderia trazer consequências graves. No despacho, ele afirma que, se as medidas solicitadas pela Polícia Federal não forem adotadas com urgência, “pode-se colocar em risco a segurança e a própria vida de pessoas que se tornaram vítimas dos ilícitos apontados nestes autos”. O relator também menciona que a demora pode dificultar a recuperação de ativos bilionários desviados em crimes contra o sistema financeiro nacional. No trecho final da decisão, Mendonça reforça o argumento de urgência e conclui com uma expressão em latim: “tempus fugit”, o tempo foge, afirmando que, no caso específico da investigação, “a demora se revela extremamente perigosa para a sociedade”. Ministro André Mendonça. Luiz Roberto/TSE