Gaúcha trilha Everest sozinha após infarto que quase tirou sua vida: 'Vi que viver é muito diferente de sobreviver'

Escrito em 15/03/2026


Gaúcha trilha Everest sozinha após infarto que quase tirou sua vida A gaúcha Marina Gabriela Brum Rodrigues, 44 anos, viveu uma história de superação. Após uma experiência de quase morte, decidiu dar uma guinada na sua vida. Ela enfrentou o desafio de trilhar, sozinha, o monte Everest, a montanha mais alta do mundo — e chegou ao Campo Base, cuja altura é de 5.364 metros. Em 2023, Marina Gabriela sofreu um infarto agudo do miocárdio que paralisou 90% do seu coração. Como resultado, teve de colocar três stents no coração, recebeu o diagnóstico de uma cardiopatia e aprendeu uma lição: aproveitar a vida. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp "Com tudo que aconteceu comigo, de quase ter morrido, eu tenho uma certeza na vida: todos somos passagens. Todos vamos morrer, só que poucos vão viver. Então, mudei meu estilo de vida. É uma decisão: foram muitas noites sem dormir, muitas lágrimas, mas me mostrou que o viver é muito diferente do que o sobreviver", conta. Gabi, como é chamada, deixou um emprego como bancária com salário que lhe garantia estabilidade. Sem olhar para trás, buscou na trilha do Campo Base do Everest (EBC) o pontapé inicial para viver do que sonhava: viver do turismo, como guia. “Eu infartei por causa do estresse e da sobrecarga do trabalho. Começou a me sufocar. Não resisti. Passei mal, infartei e botei três stents no coração”, relembra Gabriela. “O infarto aconteceu pra me dar uma lição, provar que eu era capaz e que realmente eu tinha que mudar.” Ela decidiu desafiar seus próprios limites e trilhar, sozinha, com poucos recursos, sem falar inglês ou o idioma local a montanha mais alta no mundo. “Era uma grana, e eu estava no seguro desemprego. Falei: 'vou chutar o pau da barraca e vou para o Everest sozinha'. Fiz as contas e vi que não tinha dinheiro para pagar guia, portador, nada. Estudei bastante a trilha e desbravei sozinha”, conta. Ela havia sido convidada para uma expedição só para mulheres no Himlung Himal, uma montanha de 7.126 metros de altitude que fica na cordilheira do Himalaia, no Nepal, assim como o Everest. Após essa expedição, que era uma trilha, e não uma escalada à montanha, partiu para fazer trekking no Campo Base do Everest. A trilha, os desafios e a emoção da conquista Gabi percorreu um trajeto de 140 km em uma caminhada que durou 15 dias. Ela decidiu fazer o caminho mais longo como forma de homenagear a equipe conduzida por Edmund Hillary e Tenzing Norgay, que desbravou o Everest pela primeira vez em 1953, cujo último integrante faleceu no ano passado. O trajeto foi recheado de percalços. “Eu caí um tombo na trilha e lesionei meu joelho, caminhei machucada, com dor, peguei três dias de chuva, tive que ficar parada por causa da dor da mochila, todo dia eu tinha que massagear minhas costas, minhas panturrilhas, meus pés… todo dia foi duro. Nenhum dia foi fácil”, diz a gaúcha. Tudo isso em meio a temperaturas que atingiram os 25ºC negativos. Foram dias caminhando sozinha, em uma jornada de introspecção, reflexão e conexão consigo mesma. Tanto que, ao chegar no Campo Base do Everest, ao concluir o percurso, Gabi acredita ter atingido um "estado de nirvana". “Eu comecei a conversar com a montanha. Parece que eu expandi dentro do meu corpo, que criei uma bolha fora de mim e não escutei mais nada. Não escutava as pessoas caminhando, as pessoas em cima do morro, quem passava por mim. O vento vinha com as nuvens, mas eu não ouvia o barulho", relata. Foi somente após descer a montanha que ela pôde compreender melhor. “Eu falei dos meus medos, agradeci e pedi que eu pudesse inspirar pessoas, que minha história pudesse mudar a vida de alguém como minha própria vida mudou. Após retornar, encontrei umas amigas em Katmandu (capital do Nepal) e perguntei se eu não estava louca. Uma delas faz meditação e me explicou sobre o estado de nirvana e como isso é possível.” Inspiração para outras mulheres Foi justamente para inspirar pessoas, principalmente mulheres, que Gabi agora quer contar sua história. "Quero que outras mulheres possam trabalhar o eu interior como eu pude. Eu não tinha autoestima e hoje sou uma mulher totalmente diferente." "Que possam ter uma transformação, se amarem, entenderem que existe algo melhor. Que às vezes o ruim acontece, mas são coisas que vêm pro bem, igual o meu infarto. Ninguém quer passar por isso, não sou grata por infartar. Mas aconteceu pra me dar uma lição, provar que eu era capaz e que realmente eu tinha que mudar." Ela investiu para comprar um terreno de meio hectare em Itati (RS), próximo das cachoeiras da Chapada dos Vagalumes. A gaúcha deve abrir um camping e um abrigo de montanhismo para receber turistas que, assim como ela, partem o mundo em busca de aventuras — seja no pico mais alto do planeta, no Nepal, ou nas montanhas e naturezas do Estado. "O Everest se tornou um sonho devido à oportunidade do convite de participar da expedição das mulheres, mas o camping, o morar no interior, é um sonho de muitos e muitos anos atrás." A gaúcha Marina Gabriela Brum Rodrigues no Campo Base do Everest, a mais de 5,3 mil metros de altitude Marina Gabriela Brum Rodrigues / Arquivo Pessoal VÍDEOS: Tudo sobre o RS