Agricultor cearense que achou petróleo terá estudo para achar água A Agência Nacional do Petróleo (ANP) aprovou, nesta sexta-feira (4), a indicação de 24 novos blocos exploratórios na porção terrestre da chamada Bacia Potiguar, localizada entre o Ceará e o Rio Grande do Norte, para eventual inclusão em futuros leilões. Entre eles, está o sítio de Tabuleiro do Norte, no interior cearense, onde um agricultor achou um poço de petróleo enquanto procurava água. "Entre as áreas indicadas, está o bloco POT-T-551, que contempla a região da cidade de Tabuleiro do Norte, no Ceará, onde recentemente foi relatada a ocorrência de fluido já confirmado como petróleo pelo Centro de Pesquisas e Análises Tecnológicas da ANP (CPT/ANP)", confirmou a ANP, em texto divulgado no site da agência. ➡️ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp A ANP explicou que a indicação de 24 novos blocos exploratórios tem o objetivo de eventual inclusão em futuros ciclos da Oferta Permanente de Concessão (OPC). "Ou seja, as áreas indicadas somente poderão ser disponibilizadas para oferta após o 6º ciclo, previsto para acontecer no dia 07 de outubro 2026", acrescentou a agência. Segundo a instituição, os blocos aprovados ainda precisarão cumprir etapas como análise ambiental e emissão de Manifestação Conjunta dos Ministérios de Minas e Energia (MME) e do Meio Ambiente e do Clima (MMA), bem como a realização de audiência pública. ➡️Ou seja: A inclusão do sítio no bloco de exploração não significa que o petróleo encontrado na propriedade de Sidrônio já poderá ser explorado. A indicação do bloco é mais uma etapa formal que delimita a área e a coloca como "disponível" para uma futura licitação. Antes, porém, o bloco ainda passa por avaliações ambientais, análises técnicas e outras etapas. Uma vez considerado apto para ir a leilão, ainda depende de haver interesse das empresas de arrematar aquele bloco. Achado de petróleo em Tabuleiro do Norte O achado do petróleo foi feito pelo agricultor Sidrônio Moreira, que perfurava o solo para formar um poço de água para abastecer sua propriedade, em novembro de 2024. A pequena propriedade fica na zona rural de Tabuleiro do Norte, a mais de 210 quilômetros de Fortaleza. Ele tomou dois empréstimos para pagar a perfuração. A família havia comunicado à ANP sobre o possível achado em julho de 2025, e a equipe da agência visitou o sítio 7 meses depois, no dia 12 março de 2026, após o caso ser revelado pelo g1. Em maio, a ANP concluiu os testes físico-químicos e confirmou que a substância achada pelo agricultor era petróleo cru. Com a confirmação do petróleo, a agência abriu um processo administrativo para avaliar a área e o seu contexto geológico, de modo a estudar o tamanho das reservas e a viabilidade da exploração. No Brasil, os territórios com possíveis jazidas de petróleo são divididos em "blocos", que, por sua vez, são leiloados para empresas exploradoras de petróleo. A inclusão do sítio como um bloco para possível exploração animou o agricultor Sidrônio Moreira. Desde a descoberta da substância, ele havia ficado de mãos atadas: não conseguiu o poço de água, ficou proibido de perfurar outros pontos pelo risco de contaminação ambiental devido à presença do óleo e ainda sobrou a dívida do empréstimo para pagar. Sidrônio Moreira acompanhou a reunião on-line da ANP sobre os blocos de exploração na sede do campus de Tabuleiro do Norte do Instituto Federal do Ceará (IFCE), instituição que procurou em dezembro de 2024 em busca de ajuda após descobrir a substância e que fez os primeiros testes, além de ter ajudado o agricultor a contatar a ANP nos meses seguintes. "Eu fiquei muito animado, porque é mais um passo. Vai andar pra frente. Resolver isso o quanto antes é bom pra nós", declarou o agricultor em divulgação do IFCE. Sidrônio segura nas mãos pote com líquido encontrado ao cavar poço no quintal. Gabriela Feitosa/g1 Sítio está próximo a área de exploração, mas não tem garantia O sítio de Sidrônio Moreira está próximo à chamada Bacia Potiguar, uma área localizada entre o Rio Grande do Norte e o Ceará, que compreende tanto território no continente (onshore, também conhecida por porção terrestre) quanto no mar (offshore). Em diversos pontos da bacia, há petróleo. Após a confirmação e delimitação das jazidas, a ANP divide a região em blocos de exploração, isto é, em diferentes áreas que serão leiloadas para as empresas realizarem a exploração de petróleo. O processo como um todo, desde a descoberta até a conclusão das pesquisas, leilão, instalação da operação, obtenção de licenças ambientais, pode levar anos. A propriedade do agricultor cearense está a cerca de 20 quilômetros de distância do bloco de exploração mais próximo. Muitos dos blocos da Bacia Potiguar já estão atualmente em processo de exploração, outros, no entanto, foram à leilão, mas não tiveram interessados - portanto, a inclusão de uma área em um bloco de exploração não é garantia de que ela será efetivamente explorada. Equipe da ANP analisou achado de petróleo no CE. Divulgação/IFCE Muitas vezes, ocorre de uma área já mapeada e liberada para exploração pela ANP não atrair interesse de investidores devido ao tamanho da jazida, a dificuldade de extração, o custo da instalação da operação ou mesmo a baixa qualidade do petróleo, que exigiria mais gastos no processo de refino. Em junho de 2025, por exemplo, a ANP tentou realizar pela terceira vez o leilão de blocos de exploração na Bacia Potiguar, mas nenhuma empresa apresentou propostas. O agricultor poderá 'lucrar' com o petróleo? Mesmo com a confirmação de que o líquido é petróleo, Sidrônio não será dono do material, pois a Constituição Federal determina que o subsolo e suas riquezas, incluindo o petróleo e o gás, são de propriedade e monopólio da União. No entanto, Sidrônio poderá ter um retorno financeiro caso a área passe por um processo de exploração e produção comercial no futuro. Dessa maneira, o proprietário da terra tem direito a receber um percentual. ➡️Mas, atenção: primeiro a agência precisa analisar se vale a pena explorar a bacia. Outros achados parecidos foram descartados por serem acúmulos pequenos. Esse repasse financeiro, garantido por lei, pode chegar a até 1%, dependendo de vários fatores que precisarão ser avaliados. Dívidas e busca por água continuam Maria Luciene e Sidrônio Moreira, casal do CE que encontrou possível petróleo ao perfurar poço artesiano. Gabriela Feitosa/g1 O cearense Sidrônio Moreira ainda enfrenta dificuldades para abastecer animais e plantação no sítio de 48 hectares onde vive com a família Como ainda não sabe se pode perfurar um novo poço, ele usa água de uma adutora para tarefas básicas da rotina, como cozinhar. No entanto, o cuidado com os animais do sítio e com a plantação fica quase impossível de ser realizado, comenta Sidrônio. No momento, Sidrônio está conseguindo manter alguns animais, mas não seguiu com sua lavoura. "Continua a mesma coisa. Não choveu mais. A adutora nova está funcionando, mas só para o consumo da casa", pontua. A Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra) foi procurada pela família de Sidrônio Moreira e informou que iria realizar ainda em agosto um estudo de solo para "identificar os locais mais adequados para a execução de novas perfurações de poços". Mesmo usando a água somente para tarefas básicas, a fatura do serviço chegou no valor de R$ 241,44 neste mês de julho. Além das contas fixas do terreno, ele e a esposa pagam dois empréstimos do banco - um deles realizado para perfurar o primeiro poço em 2024. Sidrônio e família ao lado de primeiro poço perfurado para obter água. Gabriela Feitosa/g1 No entanto, no lugar da água, do chão jorrou um líquido preto, que depois a ANP confirmaria ser petróleo. O achado foi uma decepção para o cearense. "Agora em setembro tem que pagar outra parcela do empréstimo, mas não sei como vou pagar", lamentou. Mesmo com as dificuldades, vender as terras não é uma opção para o agricultor de 63 anos. Ele chegou a receber propostas antes mesmo da confirmação da ANP, mas descartou todas. O que ele deseja no momento é ter uma resposta rápida da agência sobre a avaliação do terreno e continuar com seus projetos de plantio e criação de animais. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:
Sítio de agricultor que encontrou petróleo no Ceará é incluído em novos blocos exploratórios pela ANP
Escrito em 04/09/2026
Agricultor cearense que achou petróleo terá estudo para achar água A Agência Nacional do Petróleo (ANP) aprovou, nesta sexta-feira (4), a indicação de 24 novos blocos exploratórios na porção terrestre da chamada Bacia Potiguar, localizada entre o Ceará e o Rio Grande do Norte, para eventual inclusão em futuros leilões. Entre eles, está o sítio de Tabuleiro do Norte, no interior cearense, onde um agricultor achou um poço de petróleo enquanto procurava água. "Entre as áreas indicadas, está o bloco POT-T-551, que contempla a região da cidade de Tabuleiro do Norte, no Ceará, onde recentemente foi relatada a ocorrência de fluido já confirmado como petróleo pelo Centro de Pesquisas e Análises Tecnológicas da ANP (CPT/ANP)", confirmou a ANP, em texto divulgado no site da agência. ➡️ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp A ANP explicou que a indicação de 24 novos blocos exploratórios tem o objetivo de eventual inclusão em futuros ciclos da Oferta Permanente de Concessão (OPC). "Ou seja, as áreas indicadas somente poderão ser disponibilizadas para oferta após o 6º ciclo, previsto para acontecer no dia 07 de outubro 2026", acrescentou a agência. Segundo a instituição, os blocos aprovados ainda precisarão cumprir etapas como análise ambiental e emissão de Manifestação Conjunta dos Ministérios de Minas e Energia (MME) e do Meio Ambiente e do Clima (MMA), bem como a realização de audiência pública. ➡️Ou seja: A inclusão do sítio no bloco de exploração não significa que o petróleo encontrado na propriedade de Sidrônio já poderá ser explorado. A indicação do bloco é mais uma etapa formal que delimita a área e a coloca como "disponível" para uma futura licitação. Antes, porém, o bloco ainda passa por avaliações ambientais, análises técnicas e outras etapas. Uma vez considerado apto para ir a leilão, ainda depende de haver interesse das empresas de arrematar aquele bloco. Achado de petróleo em Tabuleiro do Norte O achado do petróleo foi feito pelo agricultor Sidrônio Moreira, que perfurava o solo para formar um poço de água para abastecer sua propriedade, em novembro de 2024. A pequena propriedade fica na zona rural de Tabuleiro do Norte, a mais de 210 quilômetros de Fortaleza. Ele tomou dois empréstimos para pagar a perfuração. A família havia comunicado à ANP sobre o possível achado em julho de 2025, e a equipe da agência visitou o sítio 7 meses depois, no dia 12 março de 2026, após o caso ser revelado pelo g1. Em maio, a ANP concluiu os testes físico-químicos e confirmou que a substância achada pelo agricultor era petróleo cru. Com a confirmação do petróleo, a agência abriu um processo administrativo para avaliar a área e o seu contexto geológico, de modo a estudar o tamanho das reservas e a viabilidade da exploração. No Brasil, os territórios com possíveis jazidas de petróleo são divididos em "blocos", que, por sua vez, são leiloados para empresas exploradoras de petróleo. A inclusão do sítio como um bloco para possível exploração animou o agricultor Sidrônio Moreira. Desde a descoberta da substância, ele havia ficado de mãos atadas: não conseguiu o poço de água, ficou proibido de perfurar outros pontos pelo risco de contaminação ambiental devido à presença do óleo e ainda sobrou a dívida do empréstimo para pagar. Sidrônio Moreira acompanhou a reunião on-line da ANP sobre os blocos de exploração na sede do campus de Tabuleiro do Norte do Instituto Federal do Ceará (IFCE), instituição que procurou em dezembro de 2024 em busca de ajuda após descobrir a substância e que fez os primeiros testes, além de ter ajudado o agricultor a contatar a ANP nos meses seguintes. "Eu fiquei muito animado, porque é mais um passo. Vai andar pra frente. Resolver isso o quanto antes é bom pra nós", declarou o agricultor em divulgação do IFCE. Sidrônio segura nas mãos pote com líquido encontrado ao cavar poço no quintal. Gabriela Feitosa/g1 Sítio está próximo a área de exploração, mas não tem garantia O sítio de Sidrônio Moreira está próximo à chamada Bacia Potiguar, uma área localizada entre o Rio Grande do Norte e o Ceará, que compreende tanto território no continente (onshore, também conhecida por porção terrestre) quanto no mar (offshore). Em diversos pontos da bacia, há petróleo. Após a confirmação e delimitação das jazidas, a ANP divide a região em blocos de exploração, isto é, em diferentes áreas que serão leiloadas para as empresas realizarem a exploração de petróleo. O processo como um todo, desde a descoberta até a conclusão das pesquisas, leilão, instalação da operação, obtenção de licenças ambientais, pode levar anos. A propriedade do agricultor cearense está a cerca de 20 quilômetros de distância do bloco de exploração mais próximo. Muitos dos blocos da Bacia Potiguar já estão atualmente em processo de exploração, outros, no entanto, foram à leilão, mas não tiveram interessados - portanto, a inclusão de uma área em um bloco de exploração não é garantia de que ela será efetivamente explorada. Equipe da ANP analisou achado de petróleo no CE. Divulgação/IFCE Muitas vezes, ocorre de uma área já mapeada e liberada para exploração pela ANP não atrair interesse de investidores devido ao tamanho da jazida, a dificuldade de extração, o custo da instalação da operação ou mesmo a baixa qualidade do petróleo, que exigiria mais gastos no processo de refino. Em junho de 2025, por exemplo, a ANP tentou realizar pela terceira vez o leilão de blocos de exploração na Bacia Potiguar, mas nenhuma empresa apresentou propostas. O agricultor poderá 'lucrar' com o petróleo? Mesmo com a confirmação de que o líquido é petróleo, Sidrônio não será dono do material, pois a Constituição Federal determina que o subsolo e suas riquezas, incluindo o petróleo e o gás, são de propriedade e monopólio da União. No entanto, Sidrônio poderá ter um retorno financeiro caso a área passe por um processo de exploração e produção comercial no futuro. Dessa maneira, o proprietário da terra tem direito a receber um percentual. ➡️Mas, atenção: primeiro a agência precisa analisar se vale a pena explorar a bacia. Outros achados parecidos foram descartados por serem acúmulos pequenos. Esse repasse financeiro, garantido por lei, pode chegar a até 1%, dependendo de vários fatores que precisarão ser avaliados. Dívidas e busca por água continuam Maria Luciene e Sidrônio Moreira, casal do CE que encontrou possível petróleo ao perfurar poço artesiano. Gabriela Feitosa/g1 O cearense Sidrônio Moreira ainda enfrenta dificuldades para abastecer animais e plantação no sítio de 48 hectares onde vive com a família Como ainda não sabe se pode perfurar um novo poço, ele usa água de uma adutora para tarefas básicas da rotina, como cozinhar. No entanto, o cuidado com os animais do sítio e com a plantação fica quase impossível de ser realizado, comenta Sidrônio. No momento, Sidrônio está conseguindo manter alguns animais, mas não seguiu com sua lavoura. "Continua a mesma coisa. Não choveu mais. A adutora nova está funcionando, mas só para o consumo da casa", pontua. A Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra) foi procurada pela família de Sidrônio Moreira e informou que iria realizar ainda em agosto um estudo de solo para "identificar os locais mais adequados para a execução de novas perfurações de poços". Mesmo usando a água somente para tarefas básicas, a fatura do serviço chegou no valor de R$ 241,44 neste mês de julho. Além das contas fixas do terreno, ele e a esposa pagam dois empréstimos do banco - um deles realizado para perfurar o primeiro poço em 2024. Sidrônio e família ao lado de primeiro poço perfurado para obter água. Gabriela Feitosa/g1 No entanto, no lugar da água, do chão jorrou um líquido preto, que depois a ANP confirmaria ser petróleo. O achado foi uma decepção para o cearense. "Agora em setembro tem que pagar outra parcela do empréstimo, mas não sei como vou pagar", lamentou. Mesmo com as dificuldades, vender as terras não é uma opção para o agricultor de 63 anos. Ele chegou a receber propostas antes mesmo da confirmação da ANP, mas descartou todas. O que ele deseja no momento é ter uma resposta rápida da agência sobre a avaliação do terreno e continuar com seus projetos de plantio e criação de animais. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará: