Lula e Cyril Ramaphosa, presidente da África do Sul, no Palácio do Planalto. Ricardo Stuckert/ Presidência da República O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu nesta segunda-feira (9) o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, para reuniões de trabalho no Palácio do Planalto. Durante o encontro, os dois líderes assinaram acordos para ampliar a relação entre os dois países. Na ocasião, os presidente deram uma declaração conjunta. Lula mencionou as similaridades entre Brasil e África do Sul e disse que, se países não se prepararem, podem ser invadidos. "Aqui na América do Sul, ninguém tem bomba nuclear, atômica, então, se a gente não se preparar na defesa, qualquer dia alguém invade a gente. Então, temos necessidade similar à África do Sul e precisamos juntar nosso potencial e ver o que podemos produzir juntos", argumentou. O presidente brasileiro reforçou ainda a posição do Brasil como país pacífico e criticou a guerra no Oriente Médio, além do impacto dela na economia. Lula citou também o preço elevado do petróleo. "Não precisamos comprar dos senhores das armas e podemos produzir, mas temos que convencer que ninguém vai julgar a gente, só nós mesmos", prosseguiu Lula. Terras raras Lula mencionou também o potencial dos dois países na área de minerais críticos, que chamou de "essenciais para a transição energética e digital". Segundo o presidente brasileiro, é preciso repensar o papel da exploração dos recursos naturais e fortalecer as cadeias produtivas nos dois territórios. "Precisamos de um levantamento concreto do que o África do Sul tem de minerais críticos e de terras raras. O Brasil até agora conhece o potencial de 30% do seu território e temos muita coisa", afirmou. "E já esta avisado ao mundo que o Brasil não vai fazer das terras raras e dos minerais críticos o que foi feito com minério de ferro. A gente vendeu o minério e comprar produto acabado pagando cem vezes mais caro. Agora, a parceria tem que ser feita para o processo de transformação ser feita aqui no Brasil", completou Lula. Lula convidou o presidente da África do Sul a trabalhar de forma conjunto e montar empresas conjuntas para explorar. "Já levaram nossa prata, todo o nosso ouro, já levaram todo o diamante, já levaram todo o nosso mineiro, o que mais querem levar? Quando é que gente vai aprender que Deus colocou toda essa riqueza pra nós, e nós ficamos dando para outros?", questionou. "Então, é uma questão de tomada de decisão política. Nós que temos terras raras e minerais críticos precisamos tirar proveito para que nós possamos fazer disso forma de enriquecimento, de conhecimento, para que o nosso povo possa viver melhor", finalizou. Potencial de crescimento A reunião com o presidente da África do Sul faz parte da estratégia do Brasil de tentar diversificar seus parceiros comerciais após o tarifaço dos EUA. Os acordos negociados foram nas áreas de turismo, comércio, investimento e cultura. No ano passado, a corrente de comércio entre Brasil e África do Sul foi de US$ 2,2 bilhões, com exportações brasileiras na ordem de US$ 1,5 bilhão. Segundo o presidente brasileiro, "há algo faltando" na relação entre os dois países, já que ambos têm potencial para muito mais. "Concluímos acordos de turismo, investimentos, e quando nos encontramos no G20 ano passado, constatamos que a relação comercial não está à altura do potencial das nossas economias. Está estagnado há quase 20 anos, e chegando a US$ 2 milhões", ponderou Lula. "Não existe explicação para não termos um comercio acima de US$ 10 bilhões, alguma coisa está faltando. Você é um dos poucos presidentes que posso chamar de companheiro, conhece o chão de fabrica como eu. E essa visita vai permitir pensar a nossa relação com a África do Sul. Temos muito que aprender, ensinar e temos a ancestralidade", emendou. Com a mesma estratégia de buscar novos mercados, Lula visitou no mês passado a Índia e a Coreia do Sul. O petista convidou Ramaphosa para uma visita de Estado ao Brasil no ano passado durante uma reunião bilateral em Joanesburgo. O presidente brasileiro estava no continente africano para participar da cúpula de chefes de Estado e governo do G20. Lula chega à África do Sul para reunião do G20 Comitiva de empresários Ramaphosa desembarcou em Brasília com uma comitiva de empresários. Lula recebeu o presidente sul-africano no Palácio do Planalto, primeiramente, para uma reunião fechada no Palácio do Planalto. Depois, os dois chefes de Estado fizeram uma declaração à imprensa. Em seguida, Lula oferece um almoço para Ramaphosa no Palácio do Itamaraty. À tarde, está previsto um evento com empresários brasileiros e africanos.
Lula menciona similaridades entre Brasil e África do Sul e diz que se países não se prepararem, podem ser invadidos
Escrito em 09/03/2026
Lula e Cyril Ramaphosa, presidente da África do Sul, no Palácio do Planalto. Ricardo Stuckert/ Presidência da República O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu nesta segunda-feira (9) o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, para reuniões de trabalho no Palácio do Planalto. Durante o encontro, os dois líderes assinaram acordos para ampliar a relação entre os dois países. Na ocasião, os presidente deram uma declaração conjunta. Lula mencionou as similaridades entre Brasil e África do Sul e disse que, se países não se prepararem, podem ser invadidos. "Aqui na América do Sul, ninguém tem bomba nuclear, atômica, então, se a gente não se preparar na defesa, qualquer dia alguém invade a gente. Então, temos necessidade similar à África do Sul e precisamos juntar nosso potencial e ver o que podemos produzir juntos", argumentou. O presidente brasileiro reforçou ainda a posição do Brasil como país pacífico e criticou a guerra no Oriente Médio, além do impacto dela na economia. Lula citou também o preço elevado do petróleo. "Não precisamos comprar dos senhores das armas e podemos produzir, mas temos que convencer que ninguém vai julgar a gente, só nós mesmos", prosseguiu Lula. Terras raras Lula mencionou também o potencial dos dois países na área de minerais críticos, que chamou de "essenciais para a transição energética e digital". Segundo o presidente brasileiro, é preciso repensar o papel da exploração dos recursos naturais e fortalecer as cadeias produtivas nos dois territórios. "Precisamos de um levantamento concreto do que o África do Sul tem de minerais críticos e de terras raras. O Brasil até agora conhece o potencial de 30% do seu território e temos muita coisa", afirmou. "E já esta avisado ao mundo que o Brasil não vai fazer das terras raras e dos minerais críticos o que foi feito com minério de ferro. A gente vendeu o minério e comprar produto acabado pagando cem vezes mais caro. Agora, a parceria tem que ser feita para o processo de transformação ser feita aqui no Brasil", completou Lula. Lula convidou o presidente da África do Sul a trabalhar de forma conjunto e montar empresas conjuntas para explorar. "Já levaram nossa prata, todo o nosso ouro, já levaram todo o diamante, já levaram todo o nosso mineiro, o que mais querem levar? Quando é que gente vai aprender que Deus colocou toda essa riqueza pra nós, e nós ficamos dando para outros?", questionou. "Então, é uma questão de tomada de decisão política. Nós que temos terras raras e minerais críticos precisamos tirar proveito para que nós possamos fazer disso forma de enriquecimento, de conhecimento, para que o nosso povo possa viver melhor", finalizou. Potencial de crescimento A reunião com o presidente da África do Sul faz parte da estratégia do Brasil de tentar diversificar seus parceiros comerciais após o tarifaço dos EUA. Os acordos negociados foram nas áreas de turismo, comércio, investimento e cultura. No ano passado, a corrente de comércio entre Brasil e África do Sul foi de US$ 2,2 bilhões, com exportações brasileiras na ordem de US$ 1,5 bilhão. Segundo o presidente brasileiro, "há algo faltando" na relação entre os dois países, já que ambos têm potencial para muito mais. "Concluímos acordos de turismo, investimentos, e quando nos encontramos no G20 ano passado, constatamos que a relação comercial não está à altura do potencial das nossas economias. Está estagnado há quase 20 anos, e chegando a US$ 2 milhões", ponderou Lula. "Não existe explicação para não termos um comercio acima de US$ 10 bilhões, alguma coisa está faltando. Você é um dos poucos presidentes que posso chamar de companheiro, conhece o chão de fabrica como eu. E essa visita vai permitir pensar a nossa relação com a África do Sul. Temos muito que aprender, ensinar e temos a ancestralidade", emendou. Com a mesma estratégia de buscar novos mercados, Lula visitou no mês passado a Índia e a Coreia do Sul. O petista convidou Ramaphosa para uma visita de Estado ao Brasil no ano passado durante uma reunião bilateral em Joanesburgo. O presidente brasileiro estava no continente africano para participar da cúpula de chefes de Estado e governo do G20. Lula chega à África do Sul para reunião do G20 Comitiva de empresários Ramaphosa desembarcou em Brasília com uma comitiva de empresários. Lula recebeu o presidente sul-africano no Palácio do Planalto, primeiramente, para uma reunião fechada no Palácio do Planalto. Depois, os dois chefes de Estado fizeram uma declaração à imprensa. Em seguida, Lula oferece um almoço para Ramaphosa no Palácio do Itamaraty. À tarde, está previsto um evento com empresários brasileiros e africanos.