CVM cria grupo para analisar informações sobre Master, Reag e mais O escritório particular de advocacia do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), fechou um contrato milionário em 2024 com um fundo da Reag Investimentos – suspeita de atuar junto ao Banco Master para estruturar fundos usados em operações "atípicas". ➡️O contrato foi celebrado em maio de 2024, mais de um ano antes da operação Compliance Zero e da liquidação do Master e da Reag. ➡️Ao longo dos meses seguintes, o Banco de Brasília (BRB) injetou R$ 16,7 bilhões no Master e tentou comprar o banco. A transação foi barrada pelo Banco Central, e o BRB ainda tenta reaver o dinheiro. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. A oposição a Ibaneis pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que esses indícios de "relação econômica privada" entre o governador do DF e a Reag sejam investigados. A negociação foi revelada nesta terça (10) pelo blog da Malu Gaspar no Globo; o g1 também teve acesso à documentação. Em nota (leia íntegra abaixo), a defesa de Ibaneis disse que o governador está afastado do escritório desde 2018, quando assumiu o cargo público. E negou a participação de Ibaneis nas negociações. Reag e BRB disseram que não vão se manifestar. O contrato de 2024 O contrato foi assinado em 29 de maio de 2024. De um lado, o escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria e uma outra firma de advocacia. Do outro, o fundo "Reag Legal Claims", que hoje se chama Pedra Azul FIDC. No contrato, os escritórios de advocacia "cederam" ao fundo da Reag R$ 38,12 milhões em honorários advocatícios ainda não recebidos de uma ação do Sindicato dos Servidores do Legislativo Federal (Sindilegis). ➡️Essa cessão funciona como uma antecipação de pagamento. Os escritórios venderam a dívida para o fundo por um valor menor que os R$ 38,12 milhões, mas receberam o dinheiro "no ato". ➡️O documento a que a TV Globo teve acesso não indica quanto foi efetivamente pago pela Reag, ou seja, qual foi o deságio da transação. A suposta relação com o BRB Na representação enviada ao STF, a oposição a Ibaneis cita a figura do executivo Marcos Ferreira Costa, ligado à Reag. O g1 tenta contato com ele. Costa aparece nos registros da Comissão da Valores Mobiliários (CVM) como diretor do fundo Pedra Azul FIDC, que comprou os créditos do escritório de Ibaneis. O mesmo executivo aparece também, um ano depois, como representante da Reag na assembleia de acionistas do BRB que aprovou o aumento de capital do banco. ➡️A assembleia foi em março de 2025, justamente no mês em que o Conselho do BRB aprovou a tentativa de compra do Banco Master. ➡️Naquele momento, a Reag já era titular de mais de 10% do BRB – as ações eram registradas em nome de um outro fundo, o Borneo FIP Multiestratégia. Como a Reag entrou na mira da PF? Fundada em 2013 por João Carlos Mansur, a Reag Investimentos se tornou uma das maiores gestoras independentes do país, sem vínculo com bancos. Ela chegou a administrar R$ 299 bilhões de pessoas físicas, empresas, fundos de pensão e investidores institucionais e foi a primeira gestora de patrimônio a ter ações negociadas na bolsa brasileira. Em janeiro deste ano, o Banco Central determinou a liquidação do extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust DTVM — empresa que faz a gestão dos fundos no grupo da Reag Investimentos. A medida aconteceu após a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga o envolvimento da empresa em irregularidades no sistema financeiro e a atuação de nomes ligados à antiga estrutura da gestora no suposto esquema de fraudes do Banco Master. A Reag teria atuado na estruturação e administração de fundos suspeitos de movimentar recursos de forma atípica, inflar resultados e ocultar riscos, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro. O nome da Reag, porém, não aparece apenas neste inquérito. Ela é investigada na megaoperação Carbono Oculto, deflagrada contra o PCC. Nesse caso, a empresa é acusada de gerir fundos de investimento usados pela facção para lavagem de dinheiro. Banco Master x BRB Ibaneis Rocha TV Globo O BRB e o governo do Distrito Federal – seu acionista controlador – passaram 2024 e 2025 tentando comprar a maior parte do Banco Master. O banco distrital injetou R$ 16,7 bilhões no Master – e agora, sabe-se que pelo menos R$ 12,2 bilhões desse aporte estão sob suspeita de irregularidades. O Banco Central barrou a compra do Master pelo BRB e, dias depois, definiu a liquidação extrajudicial do Master. Com isso, os ativos que seriam transferidos ao patrimônio do BRB ficaram "congelados" nas mãos do liquidante. As transações fragilizaram o patrimônio do BRB e deixaram o banco sob risco de descumprir as regras prudenciais do sistema bancário — as normas que exigem uma solidez mínima de cada banco para evitar dano aos correntistas e investidores. Desde então, o BRB e o governo do DF vêm atuando em múltiplas frentes para tentar recompor o caixa do banco, seja recuperando o dinheiro investido no Master ou encontrando novos aportes. Íntegra Leia a íntegra da nota divulgada pela defesa de Ibaneis: A defesa do Governador Ibaneis Rocha esclarece que ele está afastado do escritório de advocacia desde 2018, de modo que não possui informações sobre negociações realizadas quase seis anos após seu afastamento. Esclarece-se, ainda, que o Governador Ibaneis nunca participou de quaisquer negociações com o Sr. Marcos Ferreira Costa, tampouco com outros representantes dessa empresa. Todas as informações que detém sobre o grupo foram adquiridas a partir de matérias de jornais, já no presente ano. Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay Roberta Castro Queiroz Marcelo Turbay Freiria Liliane de Carvalho Gabriel Álvaro Chaves Ananda França de Almeida Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.
Escritório de Ibaneis negociou créditos com fundo da Reag, investigada no caso Master; oposição pede apuração
Escrito em 10/03/2026
CVM cria grupo para analisar informações sobre Master, Reag e mais O escritório particular de advocacia do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), fechou um contrato milionário em 2024 com um fundo da Reag Investimentos – suspeita de atuar junto ao Banco Master para estruturar fundos usados em operações "atípicas". ➡️O contrato foi celebrado em maio de 2024, mais de um ano antes da operação Compliance Zero e da liquidação do Master e da Reag. ➡️Ao longo dos meses seguintes, o Banco de Brasília (BRB) injetou R$ 16,7 bilhões no Master e tentou comprar o banco. A transação foi barrada pelo Banco Central, e o BRB ainda tenta reaver o dinheiro. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. A oposição a Ibaneis pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que esses indícios de "relação econômica privada" entre o governador do DF e a Reag sejam investigados. A negociação foi revelada nesta terça (10) pelo blog da Malu Gaspar no Globo; o g1 também teve acesso à documentação. Em nota (leia íntegra abaixo), a defesa de Ibaneis disse que o governador está afastado do escritório desde 2018, quando assumiu o cargo público. E negou a participação de Ibaneis nas negociações. Reag e BRB disseram que não vão se manifestar. O contrato de 2024 O contrato foi assinado em 29 de maio de 2024. De um lado, o escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria e uma outra firma de advocacia. Do outro, o fundo "Reag Legal Claims", que hoje se chama Pedra Azul FIDC. No contrato, os escritórios de advocacia "cederam" ao fundo da Reag R$ 38,12 milhões em honorários advocatícios ainda não recebidos de uma ação do Sindicato dos Servidores do Legislativo Federal (Sindilegis). ➡️Essa cessão funciona como uma antecipação de pagamento. Os escritórios venderam a dívida para o fundo por um valor menor que os R$ 38,12 milhões, mas receberam o dinheiro "no ato". ➡️O documento a que a TV Globo teve acesso não indica quanto foi efetivamente pago pela Reag, ou seja, qual foi o deságio da transação. A suposta relação com o BRB Na representação enviada ao STF, a oposição a Ibaneis cita a figura do executivo Marcos Ferreira Costa, ligado à Reag. O g1 tenta contato com ele. Costa aparece nos registros da Comissão da Valores Mobiliários (CVM) como diretor do fundo Pedra Azul FIDC, que comprou os créditos do escritório de Ibaneis. O mesmo executivo aparece também, um ano depois, como representante da Reag na assembleia de acionistas do BRB que aprovou o aumento de capital do banco. ➡️A assembleia foi em março de 2025, justamente no mês em que o Conselho do BRB aprovou a tentativa de compra do Banco Master. ➡️Naquele momento, a Reag já era titular de mais de 10% do BRB – as ações eram registradas em nome de um outro fundo, o Borneo FIP Multiestratégia. Como a Reag entrou na mira da PF? Fundada em 2013 por João Carlos Mansur, a Reag Investimentos se tornou uma das maiores gestoras independentes do país, sem vínculo com bancos. Ela chegou a administrar R$ 299 bilhões de pessoas físicas, empresas, fundos de pensão e investidores institucionais e foi a primeira gestora de patrimônio a ter ações negociadas na bolsa brasileira. Em janeiro deste ano, o Banco Central determinou a liquidação do extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust DTVM — empresa que faz a gestão dos fundos no grupo da Reag Investimentos. A medida aconteceu após a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga o envolvimento da empresa em irregularidades no sistema financeiro e a atuação de nomes ligados à antiga estrutura da gestora no suposto esquema de fraudes do Banco Master. A Reag teria atuado na estruturação e administração de fundos suspeitos de movimentar recursos de forma atípica, inflar resultados e ocultar riscos, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro. O nome da Reag, porém, não aparece apenas neste inquérito. Ela é investigada na megaoperação Carbono Oculto, deflagrada contra o PCC. Nesse caso, a empresa é acusada de gerir fundos de investimento usados pela facção para lavagem de dinheiro. Banco Master x BRB Ibaneis Rocha TV Globo O BRB e o governo do Distrito Federal – seu acionista controlador – passaram 2024 e 2025 tentando comprar a maior parte do Banco Master. O banco distrital injetou R$ 16,7 bilhões no Master – e agora, sabe-se que pelo menos R$ 12,2 bilhões desse aporte estão sob suspeita de irregularidades. O Banco Central barrou a compra do Master pelo BRB e, dias depois, definiu a liquidação extrajudicial do Master. Com isso, os ativos que seriam transferidos ao patrimônio do BRB ficaram "congelados" nas mãos do liquidante. As transações fragilizaram o patrimônio do BRB e deixaram o banco sob risco de descumprir as regras prudenciais do sistema bancário — as normas que exigem uma solidez mínima de cada banco para evitar dano aos correntistas e investidores. Desde então, o BRB e o governo do DF vêm atuando em múltiplas frentes para tentar recompor o caixa do banco, seja recuperando o dinheiro investido no Master ou encontrando novos aportes. Íntegra Leia a íntegra da nota divulgada pela defesa de Ibaneis: A defesa do Governador Ibaneis Rocha esclarece que ele está afastado do escritório de advocacia desde 2018, de modo que não possui informações sobre negociações realizadas quase seis anos após seu afastamento. Esclarece-se, ainda, que o Governador Ibaneis nunca participou de quaisquer negociações com o Sr. Marcos Ferreira Costa, tampouco com outros representantes dessa empresa. Todas as informações que detém sobre o grupo foram adquiridas a partir de matérias de jornais, já no presente ano. Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay Roberta Castro Queiroz Marcelo Turbay Freiria Liliane de Carvalho Gabriel Álvaro Chaves Ananda França de Almeida Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.