Oxímetro usa feixes de luz para estimar a saturação de oxigênio (SpO₂) e a frequência cardíaca, ajudando a identificar quando o nível de oxigênio está abaixo do normal. Márcio Gonçalves/G1 Oxímetros de dedo usados em casa — popularizados durante a pandemia de Covid-19 — tendem a indicar níveis de oxigênio mais altos do que os reais em pessoas com pele mais escura, aumentando o risco de atraso no atendimento médico. É o que mostra um amplo estudo inglês publicado nesta quarta-feira na revista científica “The BMJ”. A pesquisa analisou mais de 11 mil medições e indica que pequenas diferenças nos números podem levar à perda do diagnóstico de hipóxia, condição potencialmente grave. O QUE É UM OXÍMETRO? Um oxímetro é um aparelho que mede, de forma rápida e indolor, a quantidade de oxigênio no sangue, por meio de um sensor colocado no dedo. Ele usa feixes de luz para estimar a saturação de oxigênio (SpO₂) e a frequência cardíaca, ajudando a identificar quando o nível de oxigênio está abaixo do normal. Erro pequeno, impacto grande Os pesquisadores da Universidade de Plymouth, no Reino Unido, analisaram o desempenho de cinco modelos de oxímetros fornecidos pelo sistema público de saúde inglês para uso domiciliar. Todos apresentaram o mesmo padrão: superestimar a saturação de oxigênio (SpO₂) em pacientes com pele mais escura. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Na prática, isso significa que uma pessoa pode estar com níveis perigosamente baixos de oxigênio no sangue sem que o aparelho acione o alerta para buscar ajuda médica. Segundo o estudo, os valores de SpO₂ foram, em média, 0,6 a 1,5 ponto percentual mais altos em pacientes de pele mais escura. Embora pareça pouco, esse desvio elevou de forma significativa os chamados falsos negativos — quando o oxímetro não identifica a hipóxia. Em alguns cenários, a chance de o aparelho “não perceber” o problema foi de duas a sete vezes maior, dependendo do modelo e do ponto de corte usado para acionar atendimento médico. Como o estudo foi feito Para chegar a esses resultados, os cientistas reuniram dados de 903 adultos internados em 24 UTIs do NHS inglês, entre 2022 e 2024. O ambiente de terapia intensiva foi usado porque nesses pacientes é possível comparar, ao mesmo tempo, a leitura do oxímetro com a gasometria arterial, considerada o padrão-ouro para medir oxigenação. O tom de pele foi medido com um espectrofotômetro, equipamento que avalia cor de forma objetiva, evitando classificações subjetivas ou baseadas em raça. Ao todo, foram analisadas 11.018 medições pareadas de oxigênio no sangue. Os pesquisadores avaliaram dois limiares clínicos importantes: 94% ou menos, usado como sinal para buscar ajuda médica; 92% ou menos, indicativo de ida ao pronto-socorro. O que dizem os autores Os próprios pesquisadores alertam que o oxímetro não deve ser abandonado, mas usado com cautela. “As leituras de SpO₂ devem ser interpretadas junto com outros sinais clínicos e com a tendência ao longo do tempo, não como um valor isolado, especialmente em pessoas com pele mais escura”, escrevem. Eles também defendem mudanças em normas técnicas e na regulação dos dispositivos, para que testes de precisão incluam maior diversidade de tons de pele. Metodologia, pontos fortes e limites do estudo O estudo é observacional, o que impede conclusões definitivas de causa e efeito. Além disso, foi realizado com pacientes gravemente enfermos, o que pode não refletir perfeitamente o uso doméstico. Por outro lado, o trabalho se destaca pelo tamanho da amostra, pela medição objetiva do tom de pele e pela comparação direta com exames laboratoriais de alta precisão, tornando-o uma das análises mais robustas já feitas sobre o tema. Veja como funciona o oxímetro
Oxímetros domésticos erram mais em pessoas de pele escura, aponta estudo
Escrito em 15/01/2026
Oxímetro usa feixes de luz para estimar a saturação de oxigênio (SpO₂) e a frequência cardíaca, ajudando a identificar quando o nível de oxigênio está abaixo do normal. Márcio Gonçalves/G1 Oxímetros de dedo usados em casa — popularizados durante a pandemia de Covid-19 — tendem a indicar níveis de oxigênio mais altos do que os reais em pessoas com pele mais escura, aumentando o risco de atraso no atendimento médico. É o que mostra um amplo estudo inglês publicado nesta quarta-feira na revista científica “The BMJ”. A pesquisa analisou mais de 11 mil medições e indica que pequenas diferenças nos números podem levar à perda do diagnóstico de hipóxia, condição potencialmente grave. O QUE É UM OXÍMETRO? Um oxímetro é um aparelho que mede, de forma rápida e indolor, a quantidade de oxigênio no sangue, por meio de um sensor colocado no dedo. Ele usa feixes de luz para estimar a saturação de oxigênio (SpO₂) e a frequência cardíaca, ajudando a identificar quando o nível de oxigênio está abaixo do normal. Erro pequeno, impacto grande Os pesquisadores da Universidade de Plymouth, no Reino Unido, analisaram o desempenho de cinco modelos de oxímetros fornecidos pelo sistema público de saúde inglês para uso domiciliar. Todos apresentaram o mesmo padrão: superestimar a saturação de oxigênio (SpO₂) em pacientes com pele mais escura. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Na prática, isso significa que uma pessoa pode estar com níveis perigosamente baixos de oxigênio no sangue sem que o aparelho acione o alerta para buscar ajuda médica. Segundo o estudo, os valores de SpO₂ foram, em média, 0,6 a 1,5 ponto percentual mais altos em pacientes de pele mais escura. Embora pareça pouco, esse desvio elevou de forma significativa os chamados falsos negativos — quando o oxímetro não identifica a hipóxia. Em alguns cenários, a chance de o aparelho “não perceber” o problema foi de duas a sete vezes maior, dependendo do modelo e do ponto de corte usado para acionar atendimento médico. Como o estudo foi feito Para chegar a esses resultados, os cientistas reuniram dados de 903 adultos internados em 24 UTIs do NHS inglês, entre 2022 e 2024. O ambiente de terapia intensiva foi usado porque nesses pacientes é possível comparar, ao mesmo tempo, a leitura do oxímetro com a gasometria arterial, considerada o padrão-ouro para medir oxigenação. O tom de pele foi medido com um espectrofotômetro, equipamento que avalia cor de forma objetiva, evitando classificações subjetivas ou baseadas em raça. Ao todo, foram analisadas 11.018 medições pareadas de oxigênio no sangue. Os pesquisadores avaliaram dois limiares clínicos importantes: 94% ou menos, usado como sinal para buscar ajuda médica; 92% ou menos, indicativo de ida ao pronto-socorro. O que dizem os autores Os próprios pesquisadores alertam que o oxímetro não deve ser abandonado, mas usado com cautela. “As leituras de SpO₂ devem ser interpretadas junto com outros sinais clínicos e com a tendência ao longo do tempo, não como um valor isolado, especialmente em pessoas com pele mais escura”, escrevem. Eles também defendem mudanças em normas técnicas e na regulação dos dispositivos, para que testes de precisão incluam maior diversidade de tons de pele. Metodologia, pontos fortes e limites do estudo O estudo é observacional, o que impede conclusões definitivas de causa e efeito. Além disso, foi realizado com pacientes gravemente enfermos, o que pode não refletir perfeitamente o uso doméstico. Por outro lado, o trabalho se destaca pelo tamanho da amostra, pela medição objetiva do tom de pele e pela comparação direta com exames laboratoriais de alta precisão, tornando-o uma das análises mais robustas já feitas sobre o tema. Veja como funciona o oxímetro