Autoridades dos EUA temem interferência de Trump nas midterms; trumpistas do MAGA discutem lei marcial

Escrito em 21/10/2026


Donald Trump fala a jornalistas ao deixar a Casa Branca, em Washington, em 13 de outubro de 2026. Kevin Lamarque/Reuters Autoridades de segurança dos Estados Unidos estão temendo cada vez mais que o presidente Donald Trump interfira nas eleições de meio de mandato —as midterms—, ao mesmo tempo que trumpistas do movimento MAGA têm falado cada vez mais abertamente sobre lei marcial, segundo reportagens da mídia norte-americana. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Segundo fontes ouvidas pelo jornal "The Washington Post", um pequeno grupo de autoridades de segurança nacional dos EUA vem aconselhando discretamente governos estaduais e parlamentares do Congresso sobre como se preparar para a possibilidade do governo Trump tentar interferir nas eleições legislativas. Esse movimento decorre de um temor gerado por falas cada vez mais inflamatórias e de tom autoritário feitas por Trump sobre o pleito. Em comícios e pronunciamentos nas últimas semanas, o presidente norte-americano: disse que "os EUA vão queimar como a França" caso os democratas saiam vencedores do pleito; prometeu US$ 5 mil para cada cidadão caso seu partido, o republicano, mantenha o controle do Congresso após a eleição; afirmou que o sistema de votação está fraudado; Agora no g1 Somando-se ao cenário, ativistas do movimento MAGA ("Make America Great Again", ou "Façam os EUA grandes novamente", em português) próximos de Trump têm falado cada vez mais abertamente sobre pedir que ele instaure a lei marcial nos EUA sob a suposta alegação de que as eleições estariam sendo fraudadas, segundo o site Axios. ➡️ As midterms, previstas para ocorrer em 3 de novembro, são eleições legislativas de meio de mandato que renovarão toda a Câmara dos Deputados e um terço do Senado norte-americano, além de 36 cargos de governador estadual nos EUA. Leia mais sobre essas eleições aqui. Alertas sobre possível interferência de Trump O grupo que tem alertado políticos sobre uma possível interferência de Trump nas midterms inclui cerca de dez autoridades que trabalham no governo Trump e ex-integrantes do braço Executivo com experiência no Departamento de Guerra norte-americano, segundo o "Washington Post". Algumas delas já trabalharam no combate ao autoritarismo no exterior. Essa iniciativa, segundo disseram os integrantes ao jornal, não seria motivada por um viés político, mas por uma preocupação crescente de que Trump possa prejudicar a democracia dos EUA ao comprometer a integridade da votação para manter o Partido Republicano no poder. Midterms - Eleitora preenche cédula de votação em Harrisburg, na Pensilvânia (EUA) REUTERS/Mike Segar Ainda segundo o jornal, nos últimos meses, o grupo consultou autoridades de dez estados, incluindo governadores, responsáveis eleitorais e políticos da Câmara dos Deputados e do Senado de ambos os partidos políticos que também compartilham do temor de uma intervenção federal. “Todos disseram que estão preocupados, mas não sabem o que fazer. O resultado que esperamos é que os estados estejam preparados para qualquer eventualidade, caso ela ocorra”, afirmou ao "Washington Post" um integrante do grupo ao descrever as reuniões com parlamentares. A porta-voz da Casa Branca, Lauren Bis, rejeitou as preocupações levantadas pelo grupo e culpou os democratas por não apoiarem leis eleitorais mais rigorosas. Lauren disse também que o governo Trump "está tomando medidas para proteger" as eleições, incluindo o ""reforço da segurança da infraestrutura eleitoral e a proteção de eleitores vulneráveis contra fraudes e coerção”. Ativistas MAGA pressionam Trump por lei marcial Presidente dos EUA, Donald Trump, ao lado da ativista MAGA Tina Peters em encontro no Salão Oval, na Casa Branca, em 30 de junho de 2026. Divulgação/Donald Trump no Truth Social Ativistas MAGA mais radicais têm pressionado Trump para adotar medidas extraordinárias, incluindo instaurar lei marcial, caso considerem que as eleições de meio de mandato sejam “fraudadas”. Ao mesmo tempo, esses ativistas têm levantado cada vez mais teorias da conspiração que levariam a duvidar da integridade do pleito, reportou o Axios. Segundo o site, a ativista eleitoral Tina Peters, uma das mais em evidência atualmente, reuniu-se com Trump neste mês. Tina foi condenada em 2024 a nove anos de prisão por crimes relacionados à violação de equipamentos eleitorais no estado do Colorado, mas foi libertada em junho deste ano após ter sua pena reduzida. Tina ganhou notoriedade no mundo MAGA por ser uma das maiores vozes da narrativa de que as eleições presidenciais de 2020 foram fraudadas —algo que Trump alega sempre que tem a oportunidade. Dias depois de deixar a prisão, Tina e seu advogado, Peter Ticktin, visitaram Trump na Casa Branca (veja na foto acima). Ticktin (que não aparece na foto), inclusive, é amigo de infância do presidente. Tina e Peter participaram de uma videoconferência no final de setembro para ativistas eleitorais MAGA na plataforma Rumble em que foram discutidas a integridade das eleições legislativas e medidas urgentes para enfrentar supostas ameaças. O Axios afirmou ter tido acesso à transmissão. Durante a chamada, Ticktin afirmou que “teria de haver lei marcial caso ocorra [...] outra eleição fraudada”. Posteriormente, em fala ao Axios, ele disse que “provavelmente será necessário assumir o controle das cédulas e dos equipamentos eleitorais para garantir que possamos esclarecer tudo antes que qualquer outra coisa aconteça”. Segundo o Axios, Tina Peters estaria promovendo um plano para a adoção de cédulas de papel preenchidas à mão e a recontagem manual de todos os votos sempre que viável para circunscrever as urnas eletrônicas em determinados estados. Já Gregory Stenstrom, um ex-oficial da Marinha envolvido com irregularidades eleitorais na votação de 2020 na Pensilvânia, propôs na chamada do Rumble pedir que Trump invoque a Lei Nacional de Emergências para obrigar os estados a mudar a maneira como organizam as eleições, segundo o Axios.