Peter Magyar, líder do partido da oposição Tisza, discursa durante uma coletiva de imprensa no dia da eleição parlamentar, em Budapeste, Hungria, em 12 de abril de 2026. REUTERS/Leonhard Foeger O vencedor das eleições na Hungria, Péter Magyar, declarou vitória neste domingo, 12, e afirmou que o país “foi recuperado” após o pleito. Segundo ele, a transição de governo será “pacífica e tranquila”, amparada por um “forte mandato” nas urnas. Magyar também disse que sua coalizão caminha para alcançar uma maioria qualificada de dois terços no Parlamento e classificou o resultado como um “mandato sem precedentes”. Quando criança, Peter Magyar colou uma foto de Viktor Orbán, então um fervoroso anticomunista, na parede do seu quarto, entusiasmado com as primeiras eleições democráticas da Hungria em 1990. Décadas depois, ele espera finalmente pôr fim aos 16 anos de governo de Orbán como primeiro-ministro. Agora, a maioria das pesquisas de opinião mostra o partido Tisza, de centro-direita e pró-União Europeia, de Magyar, derrotando o partido nacionalista Fidesz de Orbán nas eleições parlamentares húngaras, neste domingo, 12. Magyar, cujo sobrenome significa literalmente "húngaro", ganhou notoriedade há dois anos, depois que sua ex-esposa, Judit Varga, ex-ministra da Justiça de Orbán, renunciou a todos os cargos políticos após um indulto em um caso de abuso sexual que causou indignação pública. Magyar rapidamente se distanciou do partido governista e o acusou de corrupção e de disseminar propaganda, dizendo que estava desiludido com o Fidesz. Oposição vence na Hungria e põe fim a 16 anos de governo Orbán Magyar rapidamente se distanciou do partido governista e o acusou de corrupção e de espalhar propaganda, dizendo que estava desiludido com o Fidesz. Apenas quatro meses após emergir do quase completo anonimato com uma entrevista no canal do YouTube Partizan, o novo partido de Magyar conquistou 30% dos votos nas eleições europeias de junho de 2024, ficando em segundo lugar, atrás do Fidesz, e esmagando o restante da oposição. A eleição deste domingo stem implicações significativas não apenas para a Hungria, mas para a Europa e sua extrema-direita populista. Desde 2010, Orbán busca criar o que chama de "democracia iliberal", restringindo a liberdade de imprensa e as atividades de ONGs, além de enfraquecer a independência do judiciário. Ele forjou boas relações com o presidente russo Vladimir Putin e também com o presidente dos EUA, Donald Trump, mas entrou em conflito repetidamente com a União Europeia, que suspendeu bilhões de euros em financiamento devido a preocupações com os padrões democráticos da Hungria. Em contrapartida, Magyar prometeu reconstruir a orientação ocidental da Hungria e acabar com sua dependência da energia russa até 2035, enquanto busca "relações pragmáticas" com Moscou. Ele também prometeu desbloquear os fundos congelados da UE, o que ajudaria a reanimar a economia estagnada da Hungria. Mas Magyar está agindo com cautela, ansioso para não afastar os eleitores mais conservadores. Magyar se inspirou na estratégia de Orbán nesta eleição, conduzindo uma campanha popular que o levou aos redutos rurais do Fidesz. Seus comícios sempre contam com muitas bandeiras nacionais, em um apelo ao patriotismo dos eleitores húngaros, à semelhança de Orbán. Nascido em 1981 em uma família de advogados, Magyar também estudou direito. Casou-se com Varga em 2006 e, quando a carreira dela a levou para Bruxelas, Magyar ingressou no corpo diplomático da Hungria e trabalhou com legislação da UE. Após retornar à Hungria, trabalhou em um banco estatal e depois chefiou uma agência de empréstimos estudantis. Magyar e Varga, que se divorciaram em 2023, têm três filhos. Magyar se descreve como religioso e diz que gosta de cozinhar e jogar futebol com seus amigos e filhos.
Quem é Péter Magyar, o opositor de Viktor Orbán na Hungria
Escrito em 12/04/2026
Peter Magyar, líder do partido da oposição Tisza, discursa durante uma coletiva de imprensa no dia da eleição parlamentar, em Budapeste, Hungria, em 12 de abril de 2026. REUTERS/Leonhard Foeger O vencedor das eleições na Hungria, Péter Magyar, declarou vitória neste domingo, 12, e afirmou que o país “foi recuperado” após o pleito. Segundo ele, a transição de governo será “pacífica e tranquila”, amparada por um “forte mandato” nas urnas. Magyar também disse que sua coalizão caminha para alcançar uma maioria qualificada de dois terços no Parlamento e classificou o resultado como um “mandato sem precedentes”. Quando criança, Peter Magyar colou uma foto de Viktor Orbán, então um fervoroso anticomunista, na parede do seu quarto, entusiasmado com as primeiras eleições democráticas da Hungria em 1990. Décadas depois, ele espera finalmente pôr fim aos 16 anos de governo de Orbán como primeiro-ministro. Agora, a maioria das pesquisas de opinião mostra o partido Tisza, de centro-direita e pró-União Europeia, de Magyar, derrotando o partido nacionalista Fidesz de Orbán nas eleições parlamentares húngaras, neste domingo, 12. Magyar, cujo sobrenome significa literalmente "húngaro", ganhou notoriedade há dois anos, depois que sua ex-esposa, Judit Varga, ex-ministra da Justiça de Orbán, renunciou a todos os cargos políticos após um indulto em um caso de abuso sexual que causou indignação pública. Magyar rapidamente se distanciou do partido governista e o acusou de corrupção e de disseminar propaganda, dizendo que estava desiludido com o Fidesz. Oposição vence na Hungria e põe fim a 16 anos de governo Orbán Magyar rapidamente se distanciou do partido governista e o acusou de corrupção e de espalhar propaganda, dizendo que estava desiludido com o Fidesz. Apenas quatro meses após emergir do quase completo anonimato com uma entrevista no canal do YouTube Partizan, o novo partido de Magyar conquistou 30% dos votos nas eleições europeias de junho de 2024, ficando em segundo lugar, atrás do Fidesz, e esmagando o restante da oposição. A eleição deste domingo stem implicações significativas não apenas para a Hungria, mas para a Europa e sua extrema-direita populista. Desde 2010, Orbán busca criar o que chama de "democracia iliberal", restringindo a liberdade de imprensa e as atividades de ONGs, além de enfraquecer a independência do judiciário. Ele forjou boas relações com o presidente russo Vladimir Putin e também com o presidente dos EUA, Donald Trump, mas entrou em conflito repetidamente com a União Europeia, que suspendeu bilhões de euros em financiamento devido a preocupações com os padrões democráticos da Hungria. Em contrapartida, Magyar prometeu reconstruir a orientação ocidental da Hungria e acabar com sua dependência da energia russa até 2035, enquanto busca "relações pragmáticas" com Moscou. Ele também prometeu desbloquear os fundos congelados da UE, o que ajudaria a reanimar a economia estagnada da Hungria. Mas Magyar está agindo com cautela, ansioso para não afastar os eleitores mais conservadores. Magyar se inspirou na estratégia de Orbán nesta eleição, conduzindo uma campanha popular que o levou aos redutos rurais do Fidesz. Seus comícios sempre contam com muitas bandeiras nacionais, em um apelo ao patriotismo dos eleitores húngaros, à semelhança de Orbán. Nascido em 1981 em uma família de advogados, Magyar também estudou direito. Casou-se com Varga em 2006 e, quando a carreira dela a levou para Bruxelas, Magyar ingressou no corpo diplomático da Hungria e trabalhou com legislação da UE. Após retornar à Hungria, trabalhou em um banco estatal e depois chefiou uma agência de empréstimos estudantis. Magyar e Varga, que se divorciaram em 2023, têm três filhos. Magyar se descreve como religioso e diz que gosta de cozinhar e jogar futebol com seus amigos e filhos.