Meta é acusada de expor nudez e dados de usuários com vídeos de óculos inteligentes

Escrito em 07/03/2026


Mark Zuckerberg durante o Meta Connect em setembro de 2025 REUTERS/Carlos Barria A Meta está sendo processada por supostamente expor pessoas em situações íntimas ao liberar o acesso de funcionários terceirizados a imagens geradas por seus óculos inteligentes, como o Ray-Ban Meta. Os registros incluem pessoas no banheiro e em relações sexuais, bem como detalhes de dados bancários e mensagens privadas. Um processo aberto em um tribunal na Califórnia, nos Estados Unidos, alega que a Meta fez propaganda enganosa e desrespeitou leis sobre privacidade. A ação foi aberta na quarta-feira (4), cinco dias depois de uma reportagem da imprensa sueca detalhar a rotina de trabalhadores que analisam essas imagens. Como descobrir câmeras escondidas em tomadas e espelhos usando o celular Veja os vídeos que estão em alta no g1 Funcionários da Sama, empresa terceirizada do Quênia, acessam registros dos óculos para descrever imagens e, assim, treinar a inteligência artificial da Meta. Eles "ensinam" a IA a identificar coisas simples, como placas de trânsito, vasos de flores ou lâmpadas. Mas, para isso, também ficam sujeitos a imagens de pessoas em momentos privados, revelaram os jornais Svenska Dagbladet e Göteborgs-Posten, ambos da Suécia. "Em alguns vídeos, você pode ver alguém indo ao banheiro ou se despindo. Acho que eles [usuários] não sabem, porque, se soubessem, não estariam gravando", disse um funcionário. "Vi um vídeo em que um homem coloca seus óculos na mesa de cabeceira e sai do quarto. Depois, a esposa dele entra e troca de roupa", relatou outro trabalhador. "Também há cenas de sexo filmadas com os óculos inteligentes – alguém usa enquanto faz sexo. É por isso que é tão delicado", revelou uma terceira pessoa. Esses funcionários são chamados de "anotadores de dados". São eles que ajudam a IA a entender o que é capturado pela câmera e o que é dito pelos usuários. Ray-Ban Meta de 2ª geração Divulgação/Meta A Meta admite, em seus termos de uso, que pessoas podem ver registros feitos com os óculos inteligentes. "Em alguns casos, a Meta analisará suas interações com IAs, incluindo o conteúdo de suas conversas ou mensagens. Essa análise pode ser automatizada ou manual (humana)", diz a empresa. A companhia diz ainda que as imagens são borradas antes da revisão para proteger a privacidade das pessoas. Mas fontes ouvidas pelos jornais suecos apontaram que o filtro nem sempre funciona, permitindo ver o rosto de quem aparece nos vídeos. LEIA TAMBÉM: Youtuber diz não ter R$ 70 mil para pagar condenação por ridicularizar bebê e pede a juiz: 'Por favor, reconsidere' Apple lança MacBook Neo, modelo 'popular' da marca; veja preços no Brasil Ataque mira iPhones antigos para roubar dados financeiros; veja como se proteger Processo contra a Meta O processo aberto nos Estados Unidos diz que os óculos foram vendidos pela Meta como um produto que garante a privacidade dos usuários. "Você está no controle de seus dados e conteúdo", dizia um anúncio da empresa que foi incluído na ação. O Escritório do Comissário de Informações (ICO, na sigla em inglês), órgão regulador de dados do Reino Unido, também acionaria a Meta para solicitar mais informações, revelou a BBC. "Dispositivos que processam dados pessoais, incluindo óculos inteligentes, devem dar aos usuários o controle e garantir a devida transparência", afirmou o ICO. "Os provedores de serviços devem explicar claramente quais dados são coletados e como são usados", continuou o órgão. "As alegações neste artigo são preocupantes". A Meta afirmou que processa imagens de seus óculos inteligentes segundo seus termos de serviço. A empresa disse ainda que os óculos não gravam de forma contínua, mas apenas após um clique no botão físico ou um comando de voz. Meta Ray-Ban Display com visor lateral Reprodução/Meta