Empresa onde ocorreu vazamento de gás tóxico em Manaus é parcialmente interditada

Escrito em 18/07/2026


Bombeiros seguem resfriando tanques após 41 horas A Prefeitura de Manaus interditou parcialmente, nesta sexta-feira (17), a unidade industrial da Innova, no Distrito Industrial, após um laudo técnico da Defesa Civil Municipal apontar a necessidade de restringir o acesso ao local por questões de segurança. Segundo a prefeitura, a medida foi adotada com base na análise de risco elaborada pela Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil Municipal (Sepdec) e tem como objetivo proteger a população e evitar novos riscos durante a continuidade das ações de resposta ao vazamento de monômero de estireno. O incidente O vazamento de monômero de estireno foi registrado às 17h36 de quarta-feira, na Unidade IV da Innova. O forte odor do produto químico foi percebido em bairros próximos ao Distrito Industrial e levou à evacuação imediata de um shopping localizado nas proximidades da empresa. Desde a ocorrência, equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) atuam no resfriamento do tanque para controlar a temperatura e evitar novos riscos. A principal hipótese investigada pela corporação é de uma reação espontânea no interior da estrutura. Até a tarde sexta-feira (17), a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) informou que realizou 211 atendimentos relacionados ao vazamento. Do total, 209 pacientes receberam alta, um permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e um homem de 67 anos morreu após procurar atendimento médico. Segundo a pasta, não foi constatada relação direta entre o óbito e a ocorrência, já que o paciente apresentava histórico de doença respiratória crônica. Em nota, a Innova informou que a ocorrência foi controlada conforme os protocolos de emergência da companhia e que todo o resíduo gerado foi armazenado para tratamento adequado. A empresa afirmou ainda que não houve incêndio, vazamento de produto líquido para fora da área de contenção nem registro de vítimas. "A situação foi prontamente contida de acordo com os procedimentos de emergência estabelecidos pela Companhia", informou a empresa. A Innova também declarou que não há risco de desabastecimento para clientes e que permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. Gás pode ser considerado tóxico O monômero de estireno, substância que vazou de um tanque da empresa Innova, em Manaus, é um produto químico tóxico, segundo a chefe do Departamento de Química da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Karime Bentes. A especialista também destacou que, em determinadas condições climáticas, o gás pode reagir e formar compostos nocivos que se espalham por grandes distâncias pelo ar. Karime Bentes explicou que o monômero de estireno é utilizado na fabricação de plásticos, borrachas sintéticas e poliestireno expandido (isopor). De acordo com ela, a exposição ao produto por inalação pode provocar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de dores de cabeça, tontura e náuseas. A especialista afirma que o produto é originalmente liquido, mas ao se tornar gás, tende a se espalhar com mais facilidade, podendo chegar a locais distantes do ponto de vazamento. "O estireno é um produto químico que se apresenta na forma liquida, mas que evapora rapidamente. Ao se tornar gás, é mais pesado que o oxigênio, podendo se espalhar por grandes distâncias", disse. LEIA TAMBÉM: O que se sabe sobre vazamento de gás tóxico de fábrica em Manaus Gás que vazou de fábrica em Manaus é considerado tóxico e pode se espalhar por grandes distâncias, diz especialista Vazamento de gás em Manaus: Ministério Público do AM investiga causas e impactos do incidente Vazamento de gás tóxico em Manaus bombeiros seguem resfriando tanques após 41 horas Reprodução/Rede Amazônica Empresa é multada em quase R$ 10 milhões A Innova foi multada em quase R$ 10 milhões pela Prefeitura de Manaus após inspeções técnicas realizadas por uma força-tarefa formada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil (Sepdec). Nesta sexta-feira (17), a empresa foi autuada em 35 mil Unidades Fiscais do Município (UFMs), o equivalente a R$ 5.347.300, por poluição do solo e de corpo hídrico. A prefeitura identificou, com auxílio de drones equipados com câmeras térmicas, fissuras em parte do tanque e constatou a continuidade do vazamento. Na quinta-feira (16), a prefeitura já havia aplicado outra multa à empresa, de 30 mil UFMs, equivalente a R$ 4.554.300, por poluição do ar causada pela emissão de gases. Somadas, as duas autuações chegam a R$ 9.901.600. Os recursos arrecadados com as multas serão destinados ao Fundo Municipal para o Desenvolvimento e Meio Ambiente (FMDMA), responsável por financiar ações da política ambiental do município. O g1 entrou em contato com a Innova sobre a multa, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. Orientações de saúde A SES-AM orienta que pessoas que apresentem sintomas como irritação nos olhos, dor de garganta, falta de ar, tontura, náusea, dor de cabeça, sonolência, confusão mental ou perda de consciência procurem uma unidade de saúde ou acionem o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pelo telefone 192. A Defesa Civil recomenda que a população permaneça em locais abertos e ventilados, mantenha portas e janelas abertas para favorecer a circulação do ar e desligue aparelhos que captem ar do ambiente externo, como ar-condicionado e sistemas de ventilação. INFOGRÁFICO - Vazamento de gás deixa área isolada em Manaus. g1