Em entrevista coletiva, Trump marca 1 ano na Casa Branca e renova ameaças contra a Groenlândia
Nesta terça-feira (20), em Washington, Donald Trump convocou a imprensa para uma entrevista coletiva. O presidente americano fez um balanço do primeiro ano dele neste segundo mandato. Celebrou vitórias, voltou a fazer chantagens tarifárias e renovou a ameaça de tomar da Dinamarca a Groenlândia.
Perguntando até onde pode ir pra adquirir o território da Dinamarca, Trump respondeu:
“Vocês vão descobrir"
O presidente afirmou que vai ter várias reuniões para discutir o assunto nos próximos dias. Uma repórter perguntou se Trump estaria disposto a romper com a aliança militar do ocidente, a Otan. O presidente desconversou e disse: Vamos encontrar uma solução que deixe a Otan feliz e os Estados Unidos felizes. Mas precisamos da Groenlândia por questões de segurança.
Trump anunciou ainda que não vai à França para se encontrar com os países do G7. A Groenlândia foi um entre muitos assuntos que o presidente americano comentou. Ele falou por uma 1 hora e 45 minutos, com destaque para o combate à imigração ilegal.
Trump disse que a polícia federal de imigração removeu milhares de imigrantes no último ano. Ao citar o assassinato da americana Renee Good em uma abordagem em Minneapolis, há duas semanas, Trump disse, pela primeira vez, que os agentes do ICE às vezes comentem erros. Foi uma mudança no discurso do presidente, que vinha dizendo que o policial atirou na mulher tinha agido em legitima defesa.
Trump responsabilizou o ex-presidente Joe Biden pela crise imigratória e acusou o democrata de deixar milhares de estrangeiros criminosos entrarem nos Estados Unidos.
Quando abriu para perguntas dos jornalistas, a correspondente Raquel Krähenbühl fez a primeira. Perguntou se ele quer que o Conselho da Paz -- criado para supervisionar o fim da guerra em Gaza - substitua a ONU.
“Talvez sim”, ele respondeu. “A ONU simplesmente não tem sido muito útil. Eles deveriam ser capazes de resolver essas guerras. Mas acredito que devemos permitir que a ONU continue, porque o potencial é muito grande.”
Raquel perguntou qual o papel que ele gostaria que o presidente Lula tivesse no Conselho da Paz. Trump confirmou que convidou Lula e que espera que o presidente brasileiro desempenhe um grande papel.
“Eu gosto dele", concluiu.
Questionei ainda o que Trump achava do acordo entre Mercosul e União Europeia, que cria a maior área de livre comercio do mundo--- no momento em que os Estados Unidos impõem tarifas a outros países.
Ele evitou falar sobre o acordo e disse:
“Somos um país mais rico do que já fomos por causa das tarifas, e somos também o mais seguro.”
Sobre a Venezuela, alvo de um ataque americano no início do mês, Trump disse que está amando o pais. E que o governo interino formando por aliados do ditador Nicolas Maduro está trabalhando muito bem com os Estados Unidos.
O Jornal Washington Post publicou nesta terça-feira (20) que a Casa Branca está planejando reduzir a participação em atividades da Otan, depois de o presidente ter falado bastante sobre isso nessa coletiva mais cedo. Segundo fontes do jornal, essa redução pode afetar cerca de 200 militares americanos em quase 30 organizações da aliança militar, inclusive centros de treinamento.
É mais um sinal da intenção de Trump de diminuir a presença militar na Europa, enquanto aumenta aqui no nosso continente. Nesta terça-feira (20), Donald Trump, então, como a gente estava falando, completou um ano no cargo, ele não tinha nada na agenda para para celebrar esse marco, mas de última hora, como as coisas costumam acontecer lá, a coletiva aos jornalistas foi anunciada, foi convocada.
Essa sala ficou completamente lotada rapidamente antes de começar. Funcionários da Casa Branca distribuíram, inclusive, essa cartilha de 31 páginas, que tem 365 conquistas de Donald Trump em 365 dias. Depois de ler algumas dessas conquistas, Donald Trump jogou essa cartilha no chão por 1 hora e 20 minutos.
Antes de abrir para as perguntas dos jornalistas, o presidente fez um discurso muito parecido com os que ele faz nos comícios em campanha, exaltou muitos dos mesmos pontos que o levaram de volta para a Casa Branca e criticou os mesmos adversários.
Em coletiva sobre primeiro ano de mandato, Trump volta a ameaçar a Groenlândia
Escrito em 21/01/2026