TRE-SP autoriza investigar prefeito de São Caetano do Sul por acusação de violência política de gênero contra a vice-prefeita

Escrito em 27/05/2026


Tite Campanella (Republicanos) e Regina Maura (PSD) foram eleitos em 2024 para mandato que vai até 2028. Reprodução/Redes Sociais O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) autorizou na terça-feira (26) que seja investigada a acusação contra o prefeito de São Caetano do Sul, Tite Campanella (Republicanos), de violência política de gênero contra a sua vice, Regina Maura (PSD). Na ação, ela afirma ser impedida de exercer o cargo de vice-prefeita e descreve episódios em que Campanella teria impedido ações dela no âmbito das decisões municipais. O juiz Roberto Maia, relator do caso no TRE-SP, autorizou que a Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo investigue o prefeito por suposta prática do crime previsto no artigo 326-B do Código Eleitoral brasileiro. 👉 O artigo diz que é crime “assediar, constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar, por qualquer meio, candidata a cargo eletivo ou detentora de mandato eletivo, utilizando-se de menosprezo ou discriminação à condição de mulher ou à sua cor, raça ou etnia, com a finalidade de impedir ou de dificultar a sua campanha eleitoral ou o desempenho de seu mandato eletivo”. A punição pode gerar pena de reclusão de 1 a quatro anos de prisão, mais pagamento de multa, caso o réu seja condenado. Na sua decisão, o juiz eleitoral afirmou haver indícios suficientes na denúncia feita por Regina Maura. O g1 procurou a equipe de Campanella para comentar o assunto, mas não havia recebido retorno até a última atualização desta reportagem. Regina Maura (PSD), Tite Campanella (Republicanos) e José Auricchio Júnior (PSD) foram aliados na eleição de 2024, mas romperam depois Reprodução/Redes Sociais Regina Maura (PSD) é aliada do ex-prefeito de São Caetano, José Auricchio Júnior (PSD). Tanto ela quanto Tite Campanella foram secretários do governo de Auricchio na cidade. O atual prefeito foi eleito com o apoio do ex-chefe e, após a eleição, eles entraram em rota de colisão e romperam politicamente. Os dois travam disputa na Justiça comum sobre o endividamento da cidade. Desde que assumiu a prefeitura da cidade, em janeiro de 2025, Tite passou a dizer que o o endividamento chegaria a R$ 1,15 bilhão. Segundo o prefeito do Republicanos, o valor bilionário teria aumentado no final da gestão Auricchio de propósito, para prejudicar a gestão do novo mandatário da cidade. Auricchio nega o tamanho do endividamento e abriu uma ação contra seu sucessor na 3 ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (2ª Instância). Expulsão do PL Tite Campanella foi eleito em 2024 pelo Partido Liberal (PL), mas foi expulso da legenda após fazer críticas indiretas ao senador Marcos Pontes (PL), seu ex-colega de partido. Durante uma cerimônia que homenageou o deputado federal Guilherme Derrite (PP) no final de março, Tite afirmou que os atuais representantes de São Paulo no Senado Federal não estavam à altura do cargo. "São Paulo é o estado mais rico, mais importante do país e tem a pior representatividade no Senado de toda a União. Temos três senadores que, absolutamente, não correspondem ao que o estado espera deles", disse o prefeito de São Caetano. Após a expulsão, Campanella se filiou ao Republicanos.