Bola de futebol com chapéu de palha: Paraisópolis, maior comunidade de SP, une Copa com São João em festa de rua

Escrito em 22/06/2026


Paraisópolis une Copa e São João em festa de rua Na comunidade de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, a Copa do Mundo ganhou contornos de festa junina. Entre ruas decoradas em verde e amarelo, bandeiras do Brasil, comidas típicas e forró ao vivo, moradores transformaram o bairro em ponto de encontro para torcer pela Seleção Brasileira e celebrar a cultura popular. Com 58.527 habitantes, segundo o Censo 2022 do IBGE, Paraisópolis é a favela mais populosa da capital paulista. Cerca de 85% dos moradores têm origem nordestina, segundo a Secretaria Municipal de Habitação e a União dos Moradores de Paraisópolis. A comunidade vive durante todo o mês de junho a tradição dos festejos juninos. Neste ano, a programação ganhou um ingrediente extra com a Copa do Mundo, reunindo decoração temática e transmissões coletivas dos jogos. Na Rua Wilson, uma das principais vias tomadas pela festa, a entrada foi enfeitada com uma cortina típica de São João, em cores vibrantes e estampas florais. No centro da decoração, uma bola de futebol com chapéu de palha simbolizava a mistura entre as duas celebrações. Balões juninos nas cores da Copa e bandeiras do Brasil completavam o cenário. Na mesma rua onde acontece o tradicional São João da Wilson, a festa é organizada por um grupo formado por 12 moradores e comerciantes da comunidade. Um dos coordenadores da iniciativa é o empreendedor Samurai Cardoso, de 46 anos, que conta que a decoração foi produzida por mulheres da própria comunidade e carrega referências à cultura baiana. "Esse tecido e essa decoração junto da Copa do Mundo foram pensados com referência à minha terra, a Bahia. Paraisópolis é nordestina, e tanto na Copa quanto no São João a gente mostra isso", afirmou. Para ele, a proposta vai além da festa e do jogo. "Unir a Copa do Mundo com o São João da Wilson fica tudo maravilhoso. É hora de aproveitar, saborear a comida nordestina aqui na comunidade. E logo ali temos um telão para todos assistirem juntos. A ideia do telão é unir as pessoas, mostrar que a nossa comunidade é diferente, traz cultura, traz união, traz esse espírito de Copa do Mundo", disse. Brasil x Haiti em telão colocado por moradores de Paraisópolis Foto: Rafael Peixoto/g1 Uma das atrações da noite foi o forró, que ajudou a aquecer o público antes da partida. Para a cantora Tejane Souza, de 32 anos, a união entre os festejos reforça o sentimento de pertencimento e de coletividade. "Eu acho que são duas festas que unem toda a nação brasileira e deixam a gente mais unido. O São João, que acontece todos os anos, é uma festa típica que reúne a família. E a Copa do Mundo, melhor ainda: é época de sentar com a galera e torcer pela nossa Seleção Brasileira. Vamos lá ganhar esse hexa, Brasil", disse. Além da Rua Wilson, que fica ao lado da Rua Itajubaquara, a região também registrou movimentação de torcedores durante a partida. Empreendedores da comunidade organizaram uma estrutura para receber o público durante a partida. O local contou com um telão e paredão de som, transformando a via em espaço de convivência para moradores acompanharem juntos o jogo da Seleção Brasileira. A TBT Lounge, espaço de lazer e encontro em Paraisópolis, também entrou no clima da Copa. O estabelecimento passou a reunir moradores da comunidade para assistir aos jogos em um ambiente de confraternização. No início da noite, por volta das 18h, a movimentação ainda era marcada pela rotina: moradores voltando do trabalho, crianças chegando da escola, vans e carros atravessando as ruas estreitas da comunidade. Aos poucos, o cenário foi mudando. Depois de passarem em casa para se arrumar, os torcedores começaram a ocupar as ruas com camisas da Seleção, buzinas e adereços verde e amarelos. Mais tarde, a via já estava lotada. Entre o aperto para circular e a ansiedade antes do apito inicial, a torcida se concentrava diante do telão. Logo aos 11 minutos do primeiro tempo, um lance que terminou em gol do Brasil, marcado por Raphinha contra o Haiti, chegou a provocar gritos e saltos de comemoração. O lance, no entanto, foi anulado por impedimento. A frustração momentânea não esfriou o público. Aos 23 minutos, Matheus Cunha balançou as redes e, desta vez, o gol valeu, para explosão definitiva da comunidade. Para os moradores, assistir aos jogos coletivamente também fortalece os laços da vizinhança. O morador da comunidade Mike Johnnatan, de 30 anos, destaca o valor desse encontro nas ruas. "Quando a gente assiste junto, acaba vibrando e abraçando a pessoa que está ao nosso lado, pessoas que vivem na nossa comunidade. Isso é muito valioso: a coletividade", comentou. Em Paraisópolis, a festa foi além do futebol. Entre bandeirinhas, forró, comida nordestina e gritos de torcida, São João e Copa do Mundo se misturaram nas ruas da comunidade, onde essas tradições fazem parte da rotina de quem vive ali. Bola de futebol com chapéu de palha em Paraisópolis Glória Maria/g1 Rua em Paraisópolis preparada para a Copa do Mundo e a Festa Junina Rafael Peixoto/g1