Secretária Nacional de Justiça, Maria Rosa Loula, no 20º Encontro Brasileiro de Segurança Pública Cíntia Acayaba/g1 A secretária Nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães Loula, afirmou nesta quinta-feira (17), que causa “perplexidade” a menção ao Brasil em um documento do governo de Donald Trump que critica a atuação brasileira no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). Segundo Maria Rosa, o Brasil não está entre os 23 países classificados pelos Estados Unidos como os principais produtores ou locais de trânsito de drogas. Por isso, na avaliação dela, a referência ao país não tem consistência jurídica e não exigiria uma resposta formal do governo brasileiro. “Veja, esse documento, que é um documento de determinação, é um documento interno dos Estados Unidos. E esse documento, na verdade, ele identifica estados mais permeáveis e menos atuantes dos 23 estados relacionados. O Brasil não consta. Então, o que causa perplexidade nesse documento é que não havia razão para citar o Brasil”, afirmou Maria Rosa ao no 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em São Paulo. “Ou seja, objetivamente o Brasil não está enquadrado naquelas categorias. Ele é um retrato anual, portanto, eu teria que levar em consideração as relevantes medidas que o Estado brasileiro tomou desde o início do ano, por exemplo, a Lei Antifacção. Parece uma menção lateral ao Brasil sem um aprofundamento maior. Então objetivamente, em termos de consistência jurídica não há nenhuma, nem sequer dentro da determinação Brasil está é quase como uma manifestação. Opinativa lateral, que não precisava estar ali”, disse. O governo dos Estados Unidos divulgou nesta quarta-feira (16) um documento anual enviado ao Congresso americano no qual o presidente Donald Trump afirma que o Brasil falhou no combate ao PCC e ao Comando Vermelho. No relatório, Trump pede que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva adote “com urgência, medidas enérgicas para enfrentar” os grupos. PCC e CV foram incluídos recentemente pelos Estados Unidos na lista de organizações terroristas. 'O PCC de 2026 não é o mesmo de 2006': promotor levanta dúvida sobre critérios do banco nacional de facções e questiona se fintechs serão incluídas O documento diz ainda que, enquanto outros governos do Hemisfério Ocidental estão tomando “medidas corajosas” para erradicar cartéis, o Brasil não está enfrentando as duas facções. Segundo o relatório, as organizações criminosas brasileiras “transformaram o país em um centro para o fluxo global de cocaína”. “Essas organizações terroristas brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo, e o governo brasileiro precisa urgentemente adotar medidas firmes para enfrentá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam”, diz o documento. Trump afirma ainda que as duas facções constituem uma “ameaça à segurança mundial”. 'Não há motivo para citar o Brasil' Maria Rosa afirmou ainda que o governo brasileiro tem atuado consistentemente contra as facções.. “Milhares de operações, milhares de apreensões. Milhares de investigações em andamento. Milhares de processos de cooperação policial, inteligência internacional.” Para a secretária, porém, não haveria necessidade de uma manifestação oficial brasileira porque o documento americano não coloca o Brasil em nenhuma categoria jurídica. “Objetivamente não há um motivo para citar o Brasil é o que me parece, Então e e o Brasil não responderia pra qual seria a necessidade do Estado brasileiro se manifestar sobre um documento que coloca o Brasil em nenhum. a categoria jurídica e que é um documento interno dos Estados Unidos.” Segundo Maria Rosa, uma resposta poderia inclusive dar ao documento uma relevância que, na avaliação dela, ele não possui. “Poderia inclusive parecer uma mera, como é que eu vou dizer, resposta a uma provocação indevida. Para que se manifestar numa situação que não tem relevância jurídica.” Brasil não está entre os 23 países citados O documento assinado por Trump listou 23 países classificados pelos Estados Unidos como locais de trânsito ou produção de drogas. O Brasil não está na relação. São eles: Afeganistão; Bahamas; Belize; Bolívia; China; Colômbia; Costa Rica; República Dominicana; Equador; El Salvador; Guatemala; Haiti; Honduras; Índia; Jamaica; Laos; México; Mianmar; Nicarágua; Paquistão; Panamá; Peru; Venezuela. O relatório afirma que, no último ano, Afeganistão, Bolívia, Mianmar e Colômbia também falharam em cumprir as obrigações previstas em acordos internacionais de combate ao narcotráfico. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos pediram que México e Canadá se esforcem mais para impedir a entrada de drogas no país. Em relação ao Canadá, os EUA querem que o governo local adote medidas para acabar com laboratórios clandestinos de drogas. Sobre o México, a Casa Branca pede medidas contra organizações narcoterroristas que dominam territórios no país. Trump também fez críticas à China. No documento, ele afirma que, apesar de ter conversado com o presidente Xi Jinping sobre o combate à entrada de fentanil ilegal nos EUA, o país precisa reduzir o fluxo de substâncias usadas na produção da droga. Mudanças políticas na América do Sul O presidente norte-americano também aproveitou o relatório para citar mudanças políticas em países da América do Sul. Segundo o documento, mudanças recentes de governo em alguns países “criaram oportunidades históricas para a cooperação dos Estados Unidos”. Entre os exemplos citados de forma positiva estão Venezuela, Bolívia e Colômbia. Segundo o relatório, houve avanços nesses países, mas novas medidas ainda são necessárias. Diplomatas brasileiros disseram à GloboNews que o documento reforça o viés da política externa de Trump na América Latina. A avaliação também é de que há seletividade por parte da Casa Branca. O mesmo documento faz acenos a novos governos eleitos na América do Sul que também foram apontados por falhas no combate às drogas, mas estão alinhados a Trump. O relatório é entregue anualmente pelo governo dos EUA ao Congresso e apresenta um panorama da situação do tráfico de drogas no mundo. Trump acusa Brasil de falhar no combate às facções criminosas
Secretária Nacional de Justiça vê com 'perplexidade' menção de Trump a Brasil e diz que relatório sobre facções não tem consistência jurídica
Escrito em 17/09/2026
Secretária Nacional de Justiça, Maria Rosa Loula, no 20º Encontro Brasileiro de Segurança Pública Cíntia Acayaba/g1 A secretária Nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães Loula, afirmou nesta quinta-feira (17), que causa “perplexidade” a menção ao Brasil em um documento do governo de Donald Trump que critica a atuação brasileira no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). Segundo Maria Rosa, o Brasil não está entre os 23 países classificados pelos Estados Unidos como os principais produtores ou locais de trânsito de drogas. Por isso, na avaliação dela, a referência ao país não tem consistência jurídica e não exigiria uma resposta formal do governo brasileiro. “Veja, esse documento, que é um documento de determinação, é um documento interno dos Estados Unidos. E esse documento, na verdade, ele identifica estados mais permeáveis e menos atuantes dos 23 estados relacionados. O Brasil não consta. Então, o que causa perplexidade nesse documento é que não havia razão para citar o Brasil”, afirmou Maria Rosa ao no 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em São Paulo. “Ou seja, objetivamente o Brasil não está enquadrado naquelas categorias. Ele é um retrato anual, portanto, eu teria que levar em consideração as relevantes medidas que o Estado brasileiro tomou desde o início do ano, por exemplo, a Lei Antifacção. Parece uma menção lateral ao Brasil sem um aprofundamento maior. Então objetivamente, em termos de consistência jurídica não há nenhuma, nem sequer dentro da determinação Brasil está é quase como uma manifestação. Opinativa lateral, que não precisava estar ali”, disse. O governo dos Estados Unidos divulgou nesta quarta-feira (16) um documento anual enviado ao Congresso americano no qual o presidente Donald Trump afirma que o Brasil falhou no combate ao PCC e ao Comando Vermelho. No relatório, Trump pede que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva adote “com urgência, medidas enérgicas para enfrentar” os grupos. PCC e CV foram incluídos recentemente pelos Estados Unidos na lista de organizações terroristas. 'O PCC de 2026 não é o mesmo de 2006': promotor levanta dúvida sobre critérios do banco nacional de facções e questiona se fintechs serão incluídas O documento diz ainda que, enquanto outros governos do Hemisfério Ocidental estão tomando “medidas corajosas” para erradicar cartéis, o Brasil não está enfrentando as duas facções. Segundo o relatório, as organizações criminosas brasileiras “transformaram o país em um centro para o fluxo global de cocaína”. “Essas organizações terroristas brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo, e o governo brasileiro precisa urgentemente adotar medidas firmes para enfrentá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam”, diz o documento. Trump afirma ainda que as duas facções constituem uma “ameaça à segurança mundial”. 'Não há motivo para citar o Brasil' Maria Rosa afirmou ainda que o governo brasileiro tem atuado consistentemente contra as facções.. “Milhares de operações, milhares de apreensões. Milhares de investigações em andamento. Milhares de processos de cooperação policial, inteligência internacional.” Para a secretária, porém, não haveria necessidade de uma manifestação oficial brasileira porque o documento americano não coloca o Brasil em nenhuma categoria jurídica. “Objetivamente não há um motivo para citar o Brasil é o que me parece, Então e e o Brasil não responderia pra qual seria a necessidade do Estado brasileiro se manifestar sobre um documento que coloca o Brasil em nenhum. a categoria jurídica e que é um documento interno dos Estados Unidos.” Segundo Maria Rosa, uma resposta poderia inclusive dar ao documento uma relevância que, na avaliação dela, ele não possui. “Poderia inclusive parecer uma mera, como é que eu vou dizer, resposta a uma provocação indevida. Para que se manifestar numa situação que não tem relevância jurídica.” Brasil não está entre os 23 países citados O documento assinado por Trump listou 23 países classificados pelos Estados Unidos como locais de trânsito ou produção de drogas. O Brasil não está na relação. São eles: Afeganistão; Bahamas; Belize; Bolívia; China; Colômbia; Costa Rica; República Dominicana; Equador; El Salvador; Guatemala; Haiti; Honduras; Índia; Jamaica; Laos; México; Mianmar; Nicarágua; Paquistão; Panamá; Peru; Venezuela. O relatório afirma que, no último ano, Afeganistão, Bolívia, Mianmar e Colômbia também falharam em cumprir as obrigações previstas em acordos internacionais de combate ao narcotráfico. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos pediram que México e Canadá se esforcem mais para impedir a entrada de drogas no país. Em relação ao Canadá, os EUA querem que o governo local adote medidas para acabar com laboratórios clandestinos de drogas. Sobre o México, a Casa Branca pede medidas contra organizações narcoterroristas que dominam territórios no país. Trump também fez críticas à China. No documento, ele afirma que, apesar de ter conversado com o presidente Xi Jinping sobre o combate à entrada de fentanil ilegal nos EUA, o país precisa reduzir o fluxo de substâncias usadas na produção da droga. Mudanças políticas na América do Sul O presidente norte-americano também aproveitou o relatório para citar mudanças políticas em países da América do Sul. Segundo o documento, mudanças recentes de governo em alguns países “criaram oportunidades históricas para a cooperação dos Estados Unidos”. Entre os exemplos citados de forma positiva estão Venezuela, Bolívia e Colômbia. Segundo o relatório, houve avanços nesses países, mas novas medidas ainda são necessárias. Diplomatas brasileiros disseram à GloboNews que o documento reforça o viés da política externa de Trump na América Latina. A avaliação também é de que há seletividade por parte da Casa Branca. O mesmo documento faz acenos a novos governos eleitos na América do Sul que também foram apontados por falhas no combate às drogas, mas estão alinhados a Trump. O relatório é entregue anualmente pelo governo dos EUA ao Congresso e apresenta um panorama da situação do tráfico de drogas no mundo. Trump acusa Brasil de falhar no combate às facções criminosas