Confira celebrações do Dois de Julho em Salvador Iamany Santos/g1 Bahia O dia da Independência do Brasil na Bahia, como é chamado o feriado de Dois de Julho no estado, é um dos momentos emblemáticos da história brasileira e representa uma virada contra a colonização portuguesa no país. A importância da celebração desta quinta-feira (2) para o cenário nacional virou tema de projeto de lei aprovado no Senado e que, pela primeira vez, torna Salvador a capital federativa do Brasil durante a data. As figuras do Caboclo e da Cabocla são centrais durante as celebrações da independência e representam a vontade do povo baiano durante a revolta anti-lusitana. O cortejo tradicional do Dois de Julho começa no bairro da Liberdade, com a saída do carro com as imagens, que seguem até o Largo do Campo Grande. Carro do Caboclo neste domingo (2) em Salvador Foto: Malu Vieira / g1 Bahia Historiadores apontam que, depois da expulsão definitiva das tropas portuguesas da Bahia, em julho de 1823, o desfile típico surgiu espontaneamente. Inicialmente, a figura do Caboclo era representada por uma pessoa viva. A partir de 1840, surgiu a estátua do Caboclo e da Cabocla, representando Catarina Paraguaçu, já em um momento de suavização dos tons revoltosos que criaram a celebração. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Agora no g1 O aspecto sagrado das imagens surge através das pessoas que participavam do cortejo e passaram a cultuar as figuras. Diante da identificação do público com as imagens e a forte presença dos terreiros de candomblé na Bahia, houve uma associação natural entre a figura do Caboclo e as simbologias presentes na religião de matriz africana. Atualmente, é tradição as pessoas irem até o Campo Grande para pedir graças aos caboclos e realizarem oferendas, em sua maioria frutas. Os carros levam as imagens para o largo no dia 2 de Julho, onde seguem por três dias, até serem levadas de volta para a Lapinha. Confira celebrações do Dois de Julho em Salvador Malu Vieira/g1 Relevância nacional A sanção do projeto de lei 5.672/2025, de autoria do deputado federal Leo Prates (PDT), coloca as celebrações de 2 de Julho em um patamar de relevância nacional. O texto da lei, divulgado nesta quinta-feira (2), estabelece que a mudança não poderá comprometer o funcionamento dos serviços essenciais em Brasília, restringindo-se a atos oficiais e simbólicos. O texto transfere simbolicamente a sede do governo federal para Salvador na data, como forma de relembrar a batalha que ajudou a consolidar a independência do país, declarada por Dom Pedro I em 7 de setembro de 1822. Percurso do desfile ao 2 de Julho durou cerca de 2h30 Juliana Almirante/G1 Para o históriador Fábio Batista Pereira, mestre em História da África, da Diáspora e dos Povos Indígenas, reconhecer a importância da data ajuda também a valorizar a participação de populações marginalizadas no processo de independência do país. "É uma luta que continua muito presente, muito atualizada por cidadania plena: política, civil e social. O legado da independência da Bahia para os baianos e para os brasileiros é justamente esse", aponta. Confira celebrações do Dois de Julho em Salvador Malu Vieira/g1 Através do Caboclo e da Cabocla, a festa da independência da Bahia coloca a imagem de negros e indígenas como protagonistas da libertação do país da opressão portuguesa. Para Pereira, a luta pela liberdade na Bahia ensina uma série de lições contemporâneas para o país, que está no meio de debates políticos sobre soberania nacional. "O Dois de Julho traz tudo isso à tona. O hino é muito claro: 'Com tiranos não combinam brasileiros corações'. É uma frase muito forte para aquela época e para os dias de hoje em quem precisamos reafirmar valores democráticos como princípios essenciais da sociedade". LEIA TAMBÉM: 'Com tiranos não combinam brasileiros corações': entenda simbologia por trás do Hino ao Dois de Julho Joana Angélica, Maria Felipa, João das Botas, Corneteiro Lopes: conheça os heróis da Independência do Brasil na Bahia Entenda motivo de Cachoeira virar capital da Bahia uma vez por ano Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻
Caboclo, cabocla, transferência da capital federal e mais: entenda os símbolos do Dois de Julho na BA
Escrito em 02/07/2026
Confira celebrações do Dois de Julho em Salvador Iamany Santos/g1 Bahia O dia da Independência do Brasil na Bahia, como é chamado o feriado de Dois de Julho no estado, é um dos momentos emblemáticos da história brasileira e representa uma virada contra a colonização portuguesa no país. A importância da celebração desta quinta-feira (2) para o cenário nacional virou tema de projeto de lei aprovado no Senado e que, pela primeira vez, torna Salvador a capital federativa do Brasil durante a data. As figuras do Caboclo e da Cabocla são centrais durante as celebrações da independência e representam a vontade do povo baiano durante a revolta anti-lusitana. O cortejo tradicional do Dois de Julho começa no bairro da Liberdade, com a saída do carro com as imagens, que seguem até o Largo do Campo Grande. Carro do Caboclo neste domingo (2) em Salvador Foto: Malu Vieira / g1 Bahia Historiadores apontam que, depois da expulsão definitiva das tropas portuguesas da Bahia, em julho de 1823, o desfile típico surgiu espontaneamente. Inicialmente, a figura do Caboclo era representada por uma pessoa viva. A partir de 1840, surgiu a estátua do Caboclo e da Cabocla, representando Catarina Paraguaçu, já em um momento de suavização dos tons revoltosos que criaram a celebração. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Agora no g1 O aspecto sagrado das imagens surge através das pessoas que participavam do cortejo e passaram a cultuar as figuras. Diante da identificação do público com as imagens e a forte presença dos terreiros de candomblé na Bahia, houve uma associação natural entre a figura do Caboclo e as simbologias presentes na religião de matriz africana. Atualmente, é tradição as pessoas irem até o Campo Grande para pedir graças aos caboclos e realizarem oferendas, em sua maioria frutas. Os carros levam as imagens para o largo no dia 2 de Julho, onde seguem por três dias, até serem levadas de volta para a Lapinha. Confira celebrações do Dois de Julho em Salvador Malu Vieira/g1 Relevância nacional A sanção do projeto de lei 5.672/2025, de autoria do deputado federal Leo Prates (PDT), coloca as celebrações de 2 de Julho em um patamar de relevância nacional. O texto da lei, divulgado nesta quinta-feira (2), estabelece que a mudança não poderá comprometer o funcionamento dos serviços essenciais em Brasília, restringindo-se a atos oficiais e simbólicos. O texto transfere simbolicamente a sede do governo federal para Salvador na data, como forma de relembrar a batalha que ajudou a consolidar a independência do país, declarada por Dom Pedro I em 7 de setembro de 1822. Percurso do desfile ao 2 de Julho durou cerca de 2h30 Juliana Almirante/G1 Para o históriador Fábio Batista Pereira, mestre em História da África, da Diáspora e dos Povos Indígenas, reconhecer a importância da data ajuda também a valorizar a participação de populações marginalizadas no processo de independência do país. "É uma luta que continua muito presente, muito atualizada por cidadania plena: política, civil e social. O legado da independência da Bahia para os baianos e para os brasileiros é justamente esse", aponta. Confira celebrações do Dois de Julho em Salvador Malu Vieira/g1 Através do Caboclo e da Cabocla, a festa da independência da Bahia coloca a imagem de negros e indígenas como protagonistas da libertação do país da opressão portuguesa. Para Pereira, a luta pela liberdade na Bahia ensina uma série de lições contemporâneas para o país, que está no meio de debates políticos sobre soberania nacional. "O Dois de Julho traz tudo isso à tona. O hino é muito claro: 'Com tiranos não combinam brasileiros corações'. É uma frase muito forte para aquela época e para os dias de hoje em quem precisamos reafirmar valores democráticos como princípios essenciais da sociedade". LEIA TAMBÉM: 'Com tiranos não combinam brasileiros corações': entenda simbologia por trás do Hino ao Dois de Julho Joana Angélica, Maria Felipa, João das Botas, Corneteiro Lopes: conheça os heróis da Independência do Brasil na Bahia Entenda motivo de Cachoeira virar capital da Bahia uma vez por ano Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻