'Influencers do tigrinho' alvos da polícia ostentavam vida de luxo “Quanto mais os usuários perdem, mais os divulgadores ganham”. É assim que a investigação da Polícia Civil descreve o esquema que envolve influenciadores digitais e movimentou R$ 260 milhões por meio do "jogo do tigrinho" em dois anos em Roraima. Os investigados atuavam como ponte entre as plataformas de jogos de azar e os seguidores. 💡 Entenda: Jogos de azar são aqueles em que o resultado depende predominantemente da sorte, e não da habilidade do jogador. No caso do "tigrinho", jogo se assemelha a um cassino on-line ou a um caça-níquel digital, em que o jogador faz apostas e o resultado é definido por combinações aleatórias geradas pelo sistema. No total, a polícia investiga 11 suspeitos, entre eles oito influenciadores: Raniely Carvalho, Gildázio Cardoso, Laís Ramos, Patrik Adhan, Amanda Faria, Vitória Reis, Vick Paixão e Adrielly Araújo. Também são investigados Dione Santos (marido de Adrielly), a esteticista Juliana Lima e o empresário Ruissian Ferreira, além da empresa de venda de carros vinculada a ele. Os investigados, segundo a polícia, exibiam ganhos altos por meio de versões do jogo programadas para sempre vencer. Com isso, criavam uma falsa ideia de que qualquer pessoa poderia obter os mesmos lucros. Veja abaixo como funcionava o esquema: ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Contas 'demo' Foram presos os influencers: Raniely Silva Carvalho, Gildázio Cardoso, Laís Ramos Gomes da Silva, Patrik Adhan, Amanda Lourenço Faria, Adrielly Vivianny Araújo de Jesus, Dione dos Santos (marido de Adrielly), e Vitória Reis da Silva Reprodução/Instagram A investigação da Polícia Civil aponta que as plataformas de jogos recrutavam os influenciadores com grande número de seguidores com o objetivo de atrair novos apostadores. Para divulgar os jogos, os investigados usavam contas “demo”, de demonstração, programadas para sempre apresentar ganhos, acompanhadas de links específicos para as plataformas de jogo. A prática cria a falsa ilusão de que ganhar é fácil e induz os seguidores ao erro. A exibição de uma vida de luxo, com viagens e procedimentos estéticos, também fazia parte da estratégia para transmitir a ideia de enriquecimento fácil. Segundo a investigação, as plataformas de jogos do tigrinho usavam três formas para pagar os influenciadores pelo serviço de atrair novos apostadores: Com base no acesso aos links fornecidos e nos valores depositados pelos seguidores — quanto maior o depósito, maior o dinheiro para os influenciadores; Quando uma pessoa acessava a plataforma por meio do link divulgado pelo influencer e perdia dinheiro, parte do valor era repassado ao influenciador; Pela quantidade de postagens, com pagamento de valor fixo em troca da divulgação. Uma das principais investigadas, a influenciadora Adrielly Araújo, de 29 anos, é apontada como a pessoa com maior volume financeiro ligado ao esquema. Ela chegou a ser questionada por uma seguidora: "Dri, você pode me ajudar? Usei seu link na plataforma, coloquei 30 reais, fiz 200, solicitei o saque e não caiu". Segundo a polícia, ela movimentou R$ 144 milhões entre 2023 e 2024. A Polícia Civil também identificou que as plataformas de tigrinho divulgadas pelos influenciadores investigados não têm autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), responsável pela regulação das apostas no país, o que indica que operam de forma clandestina e sem controle fiscal ou de integridade financeira. Outra investigada, Raniely Carvalho foi alvo de denúncia anônima à polícia em 2024 por uma pessoa que alertou que ela estaria “comprando casas, carros e viagens”, e "milionária enganando as pessoas”. Entre 2023 e 2024, Raniely movimentou mais de R$ 8 milhões, conforme investigadores. Os investigadores detalharam que todos os alvos se seguem no Instagram. Além disso, eles aparecem constantemente nos "stories" uns dos outros, frequentam as mesmas festas, viagens, reuniões e lugares públicos. Lavagem de dinheiro e ocultação de bens Após obterem os lucros ilícitos por meio do tigrinho, os investigados utilizavam "laranjas" para registrar bens em nome deles ou de empresas para dificultar o rastreamento policial. Segundo a Polícia Civil, eles compraram veículos de luxo e imóveis de alto valor em curtos períodos. Adrielly e o marido, Dione Santos, de 37 anos, têm juntos oito imóveis, três carros e um estabelecimento comercial que equivalem a cerca de R$ 2 milhões. Desde dezembro de 2020, a conta de Dione é utilizada em benefício da esposa. No nome de Patrik Adhan havia um carro que vale cerca de R$ 280 mil, mas ele transferiu o veículo para o nome da empresa da qual é sócio-proprietário. Com exceção de Gildázio Cardoso e Vitória Reis, os outros seis presos têm publicações nas redes sociais em viagens internacionais. O empresário dono de uma loja de veículos, Ruissian Ferreira, é apontado como responsável por viabilizar a ocultação de bens. Ele permitia que investigados utilizassem carros de luxo registrados em nome da empresa. Segundo a polícia, a comunicadora Raniely Carvalho utilizava uma BMW 320i, avaliada em R$ 240 mil, uma caminhonete e residia em um imóvel registrados em nome de Ruissian. Também houve transferências "atípicas" de Raniely para a empresa de Ruissian no valor de R$ 800 mil. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.
Como os influenciadores alvos da polícia usavam 'jogo do tigrinho' para enganar seguidores em RR
Escrito em 30/04/2026
'Influencers do tigrinho' alvos da polícia ostentavam vida de luxo “Quanto mais os usuários perdem, mais os divulgadores ganham”. É assim que a investigação da Polícia Civil descreve o esquema que envolve influenciadores digitais e movimentou R$ 260 milhões por meio do "jogo do tigrinho" em dois anos em Roraima. Os investigados atuavam como ponte entre as plataformas de jogos de azar e os seguidores. 💡 Entenda: Jogos de azar são aqueles em que o resultado depende predominantemente da sorte, e não da habilidade do jogador. No caso do "tigrinho", jogo se assemelha a um cassino on-line ou a um caça-níquel digital, em que o jogador faz apostas e o resultado é definido por combinações aleatórias geradas pelo sistema. No total, a polícia investiga 11 suspeitos, entre eles oito influenciadores: Raniely Carvalho, Gildázio Cardoso, Laís Ramos, Patrik Adhan, Amanda Faria, Vitória Reis, Vick Paixão e Adrielly Araújo. Também são investigados Dione Santos (marido de Adrielly), a esteticista Juliana Lima e o empresário Ruissian Ferreira, além da empresa de venda de carros vinculada a ele. Os investigados, segundo a polícia, exibiam ganhos altos por meio de versões do jogo programadas para sempre vencer. Com isso, criavam uma falsa ideia de que qualquer pessoa poderia obter os mesmos lucros. Veja abaixo como funcionava o esquema: ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Contas 'demo' Foram presos os influencers: Raniely Silva Carvalho, Gildázio Cardoso, Laís Ramos Gomes da Silva, Patrik Adhan, Amanda Lourenço Faria, Adrielly Vivianny Araújo de Jesus, Dione dos Santos (marido de Adrielly), e Vitória Reis da Silva Reprodução/Instagram A investigação da Polícia Civil aponta que as plataformas de jogos recrutavam os influenciadores com grande número de seguidores com o objetivo de atrair novos apostadores. Para divulgar os jogos, os investigados usavam contas “demo”, de demonstração, programadas para sempre apresentar ganhos, acompanhadas de links específicos para as plataformas de jogo. A prática cria a falsa ilusão de que ganhar é fácil e induz os seguidores ao erro. A exibição de uma vida de luxo, com viagens e procedimentos estéticos, também fazia parte da estratégia para transmitir a ideia de enriquecimento fácil. Segundo a investigação, as plataformas de jogos do tigrinho usavam três formas para pagar os influenciadores pelo serviço de atrair novos apostadores: Com base no acesso aos links fornecidos e nos valores depositados pelos seguidores — quanto maior o depósito, maior o dinheiro para os influenciadores; Quando uma pessoa acessava a plataforma por meio do link divulgado pelo influencer e perdia dinheiro, parte do valor era repassado ao influenciador; Pela quantidade de postagens, com pagamento de valor fixo em troca da divulgação. Uma das principais investigadas, a influenciadora Adrielly Araújo, de 29 anos, é apontada como a pessoa com maior volume financeiro ligado ao esquema. Ela chegou a ser questionada por uma seguidora: "Dri, você pode me ajudar? Usei seu link na plataforma, coloquei 30 reais, fiz 200, solicitei o saque e não caiu". Segundo a polícia, ela movimentou R$ 144 milhões entre 2023 e 2024. A Polícia Civil também identificou que as plataformas de tigrinho divulgadas pelos influenciadores investigados não têm autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), responsável pela regulação das apostas no país, o que indica que operam de forma clandestina e sem controle fiscal ou de integridade financeira. Outra investigada, Raniely Carvalho foi alvo de denúncia anônima à polícia em 2024 por uma pessoa que alertou que ela estaria “comprando casas, carros e viagens”, e "milionária enganando as pessoas”. Entre 2023 e 2024, Raniely movimentou mais de R$ 8 milhões, conforme investigadores. Os investigadores detalharam que todos os alvos se seguem no Instagram. Além disso, eles aparecem constantemente nos "stories" uns dos outros, frequentam as mesmas festas, viagens, reuniões e lugares públicos. Lavagem de dinheiro e ocultação de bens Após obterem os lucros ilícitos por meio do tigrinho, os investigados utilizavam "laranjas" para registrar bens em nome deles ou de empresas para dificultar o rastreamento policial. Segundo a Polícia Civil, eles compraram veículos de luxo e imóveis de alto valor em curtos períodos. Adrielly e o marido, Dione Santos, de 37 anos, têm juntos oito imóveis, três carros e um estabelecimento comercial que equivalem a cerca de R$ 2 milhões. Desde dezembro de 2020, a conta de Dione é utilizada em benefício da esposa. No nome de Patrik Adhan havia um carro que vale cerca de R$ 280 mil, mas ele transferiu o veículo para o nome da empresa da qual é sócio-proprietário. Com exceção de Gildázio Cardoso e Vitória Reis, os outros seis presos têm publicações nas redes sociais em viagens internacionais. O empresário dono de uma loja de veículos, Ruissian Ferreira, é apontado como responsável por viabilizar a ocultação de bens. Ele permitia que investigados utilizassem carros de luxo registrados em nome da empresa. Segundo a polícia, a comunicadora Raniely Carvalho utilizava uma BMW 320i, avaliada em R$ 240 mil, uma caminhonete e residia em um imóvel registrados em nome de Ruissian. Também houve transferências "atípicas" de Raniely para a empresa de Ruissian no valor de R$ 800 mil. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.