O ex-presidente Jair Bolsonaro fez uma aparição de cerca de 20 minutos na manhã desta quinta- feira, 11 de setembro de 2025, em frente à casa onde ele cumpre prisão domiciliar, em Brasília (DF). A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal fixou nesta noite a pena de Bolsonaro, condenado por tentar dar um golpe de Estado após perder as eleições 2022, em 27 anos e três meses em regime inicial fechado - 24 anos e nove meses de reclusão e 2 anos e seis meses de detenção, com 124 dias-multa (equivalente a dois salários mínimos). Os ministros seguiram o voto do relator Alexandre de Moraes. WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO O ex-presidente Jair Bolsonaro e o "núcleo crucial" da trama golpista podem usar a literatura para reduzir as penas que começaram a cumprir na última terça-feira (25). 📚 Para cada obra comprovadamente lida, a pena é reduzida em quatro dias (veja as regras abaixo). Para isso, no entanto, será preciso que Bolsonaro e os outros membros núcleo crucial peçam o aval do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator do inquérito em que foram condenados. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. 👉 Em setembro, por exemplo, o ministro aprovou a remição de 113 dias de pena por meio da leitura, estudo e trabalho para o ex-deputado Daniel Silveira, preso em regime semiaberto na Cadeia Agrícola de Magé, no Rio de Janeiro. Entre as obras permitidas para remição da pena estão: "Ainda estou aqui", livro biográfico de Marcelo Rubens Paiva: o escritor revira as próprias memórias e narra momentos marcantes na vida de suas irmãs, mãe e seu pai, o Rubens Paiva, ex-deputado federal assassinado durante a ditadura militar. O livro foi adaptado para as telonas e ganhou o o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025. "Democracia", de Philip Bunting: o livro ilustrado apresenta o conceito de democracia, sua história e responde questões sobre cidadania, política, acesso à informação, uso da internet e das mídias sociais. Recomendado para leitores a partir de 9 anos. "Crime e castigo", de Fiódor Dostoiévski: conta a história de um estudante que, impulsionado pela teoria de que "pessoas extraordinárias" têm o direito de cometer crimes, mata um agiota e é atormentado pela culpa, paranoia e insônia. Bolsonaro e aliados condenados vão cumprir pena no DF e no Rio A lista oficial de livros Para que a leitura seja usada no abatimento parcial da pena, é preciso que a obra conste em uma lista autorizada pelo governo – neste caso, elaborada pela Secretaria de Educação do DF. Segundo o governo, são proibidos livros que promovam qualquer tipo de violência ou discriminação. Além dos exemplos citados acima, a lista inclui uma série de obras literárias que tratam de temas como ditadura e democracia, racismo, preconceito e questões de gênero, além de distopias que retratam estados totalitários. Veja alguns títulos abaixo: "A autobiografia de Martin Luther King", de Martin Luther King "A cor do preconceito", de Carmen Lúcia Campos e Sueli Carneiro "A cor púrpura", de Alice Walker "Admirável mundo novo", de Aldous Huxley "A revolução dos bichos", de George Orwell "Becos da memória", de Conceição Evaristo "Canção para ninar menino grande", de Conceição Evaristo "Cartas de uma menina presa", de Débora Diniz "Futuro ancestral", de Ailton Krenak "Guerra e paz", de Liev Tolstói "Incidente em Antares", de Érico Veríssimo "Malala: A Menina Que Queria Ir para a Escola", de Adriana Carranca "Na minha pele", de Lázaro Ramos "Não verás país nenhum", de Ignácio de Loyola Brandão "O conto da aia", de Margaret Atwood "O perigo de uma história única", de Chimamanda Ngozi Adichie "O príncipe", de Nicolau Maquiavel "O sol é para todos", de Harper Lee "Pequeno manual antirracista", de Djamilla Ribeiro "Presos que menstruam", de Nana Queiroz "Tudo é rio", de Carla Madeira "Um defeito de cor", de Ana Maria Gonçalves "Zumbi dos Palmares", de Luiz Galdino "1984", de George Orwell "1968: o ano que não terminou", de Zuenir Ventura 👉 A lista completa de livros está disponível aqui. As obras literárias são selecionadas por professores de português da Secretaria de Educação do DF que atuam, exclusivamente, na política de remição de pena pela leitura. Para a política distrital, somente os livros que estão na lista oficial diminuem a pena. É possível, no entanto, que Bolsonaro e os outros réus presos no DF se juntem a clubes do livro dentro das unidades prisionais. Se autorizados pela Justiça, esses projetos podem sugerir novas obras com o potencial de reduzir os dias de pena. Infográfico - Infográfico - Mapas mostram localização dos presos e condenados pela trama golpista. Arte/g1 Como funciona a remição da pena por meio da leitura? A participação dos custodiados é de forma voluntária mediante inscrição. Cada participante recebe um livro na cela com um manual sobre a dinâmica da remição da pena. ⏰ Os custodiados têm 21 dias para concluir a leitura. 🧾 Depois, o custodiado precisa escrever um relatório de leitura para comprovar que leu a obra dentro do prazo de 10 dias. Os critérios avaliados são: estética textual, fidedignidade (autoria) e clareza do texto. 📆 O limite para cada custodiado é de 11 obras por ano, ou seja, no máximo, 44 dias de remição a cada ano no Distrito Federal. 🔎 Na resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o máximo são 12 livros por ano e 48 dias. A regra do DF é um pouco mais restrita porque segue o calendário escolar da rede de ensino do DF, que contabiliza um mês de férias. "O Remição pela Leitura se reafirma como uma ferramenta transformadora no sistema prisional, promovendo leitura, desenvolvimento intelectual e redução de pena por meio da educação", aponta a Secretaria de Administração Penitenciária do DF. Em 2016, reportagem da GloboNews mostrou que a leitura estava reduzindo as penas de condenados da operação Lava Jato. Relembre: Leitura reduz pena de presos da Lava Jato Política pública No Distrito Federal, a remição de pena por meio da leitura começou, em 2018, como um projeto: o "Ler Liberta". O CNJ aprovou regras nacionais em 2021. A coordenação e aplicação da política é feita pela Secretaria de Educação do DF, em parceria com a Secretaria de Administração Penitenciária (Seape), e conta com 22 professores exclusivos, segundo Lilian Sena. De acordo com a coordenadora há: 1 professor em cada unidade prisional do DF: faz a parte operacional da política, cuida de empréstimos e devoluções, categorização. Comissão de Validação: composta por professores de Língua Portuguesa eles fazem a validação do relatório de leitura e atuam no Centro de Ensino 01 (CED 01). Supervisor e coordenador pedagógico. De acordo com a Secretaria de Educação, o número de atendimentos cresceu nos últimos anos: 2021: 15.310 livros lidos e resenhados; 2022: 17.103 2023: 25.758 2024: 29.077 2025 (até agora): 27.571. Para quem quiser doar livros, o governo do DF realiza campanhas de doação anuais. As obras podem ser entregues nos postos do Na Hora, veja lista de onde doar aqui. Advogados e visitantes também podem doar as obras para a administração penitenciária durante os dias de visita. Jair Renan Bolsonaro, filho do ex-presidente, afirmou que levou um caça-palavras para o pai na quinta-feira (27). Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.
'Ainda estou aqui', 'Democracia' e 'Crime e castigo': os livros que Bolsonaro e o núcleo crucial podem ler para reduzir a pena
Escrito em 29/11/2025
O ex-presidente Jair Bolsonaro fez uma aparição de cerca de 20 minutos na manhã desta quinta- feira, 11 de setembro de 2025, em frente à casa onde ele cumpre prisão domiciliar, em Brasília (DF). A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal fixou nesta noite a pena de Bolsonaro, condenado por tentar dar um golpe de Estado após perder as eleições 2022, em 27 anos e três meses em regime inicial fechado - 24 anos e nove meses de reclusão e 2 anos e seis meses de detenção, com 124 dias-multa (equivalente a dois salários mínimos). Os ministros seguiram o voto do relator Alexandre de Moraes. WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO O ex-presidente Jair Bolsonaro e o "núcleo crucial" da trama golpista podem usar a literatura para reduzir as penas que começaram a cumprir na última terça-feira (25). 📚 Para cada obra comprovadamente lida, a pena é reduzida em quatro dias (veja as regras abaixo). Para isso, no entanto, será preciso que Bolsonaro e os outros membros núcleo crucial peçam o aval do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator do inquérito em que foram condenados. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. 👉 Em setembro, por exemplo, o ministro aprovou a remição de 113 dias de pena por meio da leitura, estudo e trabalho para o ex-deputado Daniel Silveira, preso em regime semiaberto na Cadeia Agrícola de Magé, no Rio de Janeiro. Entre as obras permitidas para remição da pena estão: "Ainda estou aqui", livro biográfico de Marcelo Rubens Paiva: o escritor revira as próprias memórias e narra momentos marcantes na vida de suas irmãs, mãe e seu pai, o Rubens Paiva, ex-deputado federal assassinado durante a ditadura militar. O livro foi adaptado para as telonas e ganhou o o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025. "Democracia", de Philip Bunting: o livro ilustrado apresenta o conceito de democracia, sua história e responde questões sobre cidadania, política, acesso à informação, uso da internet e das mídias sociais. Recomendado para leitores a partir de 9 anos. "Crime e castigo", de Fiódor Dostoiévski: conta a história de um estudante que, impulsionado pela teoria de que "pessoas extraordinárias" têm o direito de cometer crimes, mata um agiota e é atormentado pela culpa, paranoia e insônia. Bolsonaro e aliados condenados vão cumprir pena no DF e no Rio A lista oficial de livros Para que a leitura seja usada no abatimento parcial da pena, é preciso que a obra conste em uma lista autorizada pelo governo – neste caso, elaborada pela Secretaria de Educação do DF. Segundo o governo, são proibidos livros que promovam qualquer tipo de violência ou discriminação. Além dos exemplos citados acima, a lista inclui uma série de obras literárias que tratam de temas como ditadura e democracia, racismo, preconceito e questões de gênero, além de distopias que retratam estados totalitários. Veja alguns títulos abaixo: "A autobiografia de Martin Luther King", de Martin Luther King "A cor do preconceito", de Carmen Lúcia Campos e Sueli Carneiro "A cor púrpura", de Alice Walker "Admirável mundo novo", de Aldous Huxley "A revolução dos bichos", de George Orwell "Becos da memória", de Conceição Evaristo "Canção para ninar menino grande", de Conceição Evaristo "Cartas de uma menina presa", de Débora Diniz "Futuro ancestral", de Ailton Krenak "Guerra e paz", de Liev Tolstói "Incidente em Antares", de Érico Veríssimo "Malala: A Menina Que Queria Ir para a Escola", de Adriana Carranca "Na minha pele", de Lázaro Ramos "Não verás país nenhum", de Ignácio de Loyola Brandão "O conto da aia", de Margaret Atwood "O perigo de uma história única", de Chimamanda Ngozi Adichie "O príncipe", de Nicolau Maquiavel "O sol é para todos", de Harper Lee "Pequeno manual antirracista", de Djamilla Ribeiro "Presos que menstruam", de Nana Queiroz "Tudo é rio", de Carla Madeira "Um defeito de cor", de Ana Maria Gonçalves "Zumbi dos Palmares", de Luiz Galdino "1984", de George Orwell "1968: o ano que não terminou", de Zuenir Ventura 👉 A lista completa de livros está disponível aqui. As obras literárias são selecionadas por professores de português da Secretaria de Educação do DF que atuam, exclusivamente, na política de remição de pena pela leitura. Para a política distrital, somente os livros que estão na lista oficial diminuem a pena. É possível, no entanto, que Bolsonaro e os outros réus presos no DF se juntem a clubes do livro dentro das unidades prisionais. Se autorizados pela Justiça, esses projetos podem sugerir novas obras com o potencial de reduzir os dias de pena. Infográfico - Infográfico - Mapas mostram localização dos presos e condenados pela trama golpista. Arte/g1 Como funciona a remição da pena por meio da leitura? A participação dos custodiados é de forma voluntária mediante inscrição. Cada participante recebe um livro na cela com um manual sobre a dinâmica da remição da pena. ⏰ Os custodiados têm 21 dias para concluir a leitura. 🧾 Depois, o custodiado precisa escrever um relatório de leitura para comprovar que leu a obra dentro do prazo de 10 dias. Os critérios avaliados são: estética textual, fidedignidade (autoria) e clareza do texto. 📆 O limite para cada custodiado é de 11 obras por ano, ou seja, no máximo, 44 dias de remição a cada ano no Distrito Federal. 🔎 Na resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o máximo são 12 livros por ano e 48 dias. A regra do DF é um pouco mais restrita porque segue o calendário escolar da rede de ensino do DF, que contabiliza um mês de férias. "O Remição pela Leitura se reafirma como uma ferramenta transformadora no sistema prisional, promovendo leitura, desenvolvimento intelectual e redução de pena por meio da educação", aponta a Secretaria de Administração Penitenciária do DF. Em 2016, reportagem da GloboNews mostrou que a leitura estava reduzindo as penas de condenados da operação Lava Jato. Relembre: Leitura reduz pena de presos da Lava Jato Política pública No Distrito Federal, a remição de pena por meio da leitura começou, em 2018, como um projeto: o "Ler Liberta". O CNJ aprovou regras nacionais em 2021. A coordenação e aplicação da política é feita pela Secretaria de Educação do DF, em parceria com a Secretaria de Administração Penitenciária (Seape), e conta com 22 professores exclusivos, segundo Lilian Sena. De acordo com a coordenadora há: 1 professor em cada unidade prisional do DF: faz a parte operacional da política, cuida de empréstimos e devoluções, categorização. Comissão de Validação: composta por professores de Língua Portuguesa eles fazem a validação do relatório de leitura e atuam no Centro de Ensino 01 (CED 01). Supervisor e coordenador pedagógico. De acordo com a Secretaria de Educação, o número de atendimentos cresceu nos últimos anos: 2021: 15.310 livros lidos e resenhados; 2022: 17.103 2023: 25.758 2024: 29.077 2025 (até agora): 27.571. Para quem quiser doar livros, o governo do DF realiza campanhas de doação anuais. As obras podem ser entregues nos postos do Na Hora, veja lista de onde doar aqui. Advogados e visitantes também podem doar as obras para a administração penitenciária durante os dias de visita. Jair Renan Bolsonaro, filho do ex-presidente, afirmou que levou um caça-palavras para o pai na quinta-feira (27). Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.