Operação em cinco cidades do interior de SP mira disputa de facções PCC e Comando Vermelho Foi monitorando uma sucessão de crimes graves, como execuções com o uso de fuzis, homicídios de chefias, carbonização de corpos e até uma chacina em represália a mortes anteriores, que o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público (MP), traçou a disputa territorial entre as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) no interior de São Paulo. A investigação que culminou na Operação Keravnos, deflagrada nesta quinta-feira (29), em conjunto com a Polícia Militar (PM), para desarticular células das duas facções envolvidas em conflitos nas regiões de Araras (SP), Piracicaba (SP), Rio Claro (SP) e Limeira (SP). Segundo o Gaeco, as organizações criminosas estão por trás de uma sucessão de crimes que ocorrem desde 2022 e que promoveram o cenário de ‘espiral da violência’. Siga o g1 Piracicaba no Instagram 🔎 O consultor sênio do Instituto Sou da Paz, Bruno Langeani, explicou que o cenário de ‘espiral da violência’ é quando uma morte desencadeia ciclos sucessivos de vinganças, cada vez mais graves e letais. “A espiral é no sentido de que essas mortes geralmente iniciam ciclos de vingança, cada vez piores. É algo que vai escalando em progressão”, afirma. Infográfico - Região onde ocorre disputa territorial entre PCC e CV no estado de São Paulo Arte/g1 Primeiros sinais De acordo com Langeane, os primeiros sinais desse processo costumam aparecer nos indicadores de segurança pública, como o aumento repentino de homicídios fora do padrão histórico da cidade e, muitas vezes, com características de execução. Outro fator é a mudança no perfil do armamento apreendido, com a circulação de armas mais modernas, de maior poder de fogo e com funcionamento automático ou semiautomático. “São algumas das pistas às quais a polícia precisa estar atenta”, explica Langeani. PF encontra fábrica clandestina de armas com equipamentos milionários e apreende peças para montar 80 fuzis no interior de SP PM e Gaeco realizam operação em Rio Claro (SP) contra crimes ultraviolentos Polícia Militar/Divulgação O início da investigação do Gaeco se deu após o monitoramento policial identificar a sucessão de crimes violentos nas regiões. Estratégias de segurança Langeani informou que estratégias de segurança pública voltadas ao enfrentamento dos crimes mais violentos e ao combate ao mercado ilegal de armas tendem a ter impacto mais significativo. “Uma política que prioriza o combate aos crimes mais violentos e ao mercado ilegal de armas tem maior impacto nesses cenários”, afirma. A operação Operação da Polícia Militar e Gaeco contra crimes ultraviolentos cumpre de mandados em Piracicaba e Limeira Polícia Militar de Piracicaba/ Reprodução Houve o cumprimento de diversos mandados de busca e apreensão em endereços em Piracicaba, Rio Claro, Limeira, Santa Bárbara d’Oeste, Americana, Leme, Engenheiro Coelho e Hortolândia, nesta quinta-feira. Homicídios, tráfico internacional, roubos a bancos e carros-fortes: operação contra crimes 'ultraviolentos' mira facções e cumpre 25 mandados em SP Segundo o Gaeco, o objetivo é apreender armas, munições, drogas e dispositivos eletrônicos que possam reforçar as provas sobre a atuação, a hierarquia e os planos de ataque das facções. Rio Claro na rota Disputa entre facções eleva número de homicídios em Rio Claro Uma reportagem do g1, publicada em novembro de 2025, apontou que a combinação entre localização estratégica e ausência de hegemonia no controle do tráfico transformou Rio Claro em palco de uma disputa violenta entre facções criminosas. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, a cidade registrou 24 homicídios dolosos em 2025, oito deles execuções, um aumento de 26,3% em relação a 2024, com taxa de assassinatos quase três vezes superior à média estadual. A cidade é cercada por rodovias estratégicas para o escoamento do tráfico, não possui histórico de domínio exclusivo de uma facção e apresenta fragilidade no controle do PCC, que enfrenta rivalidades com grupos locais menores. Leia mais em: Guerra de facções: território sem 'dono' no tráfico, município de SP vira área de disputa do PCC com CV VÍDEOS: Tudo sobre Piracicaba e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Piracicaba.
'Espiral de violência': como execuções e corpos carbonizados revelaram disputa entre PCC e CV no interior de SP
Escrito em 30/01/2026
Operação em cinco cidades do interior de SP mira disputa de facções PCC e Comando Vermelho Foi monitorando uma sucessão de crimes graves, como execuções com o uso de fuzis, homicídios de chefias, carbonização de corpos e até uma chacina em represália a mortes anteriores, que o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público (MP), traçou a disputa territorial entre as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) no interior de São Paulo. A investigação que culminou na Operação Keravnos, deflagrada nesta quinta-feira (29), em conjunto com a Polícia Militar (PM), para desarticular células das duas facções envolvidas em conflitos nas regiões de Araras (SP), Piracicaba (SP), Rio Claro (SP) e Limeira (SP). Segundo o Gaeco, as organizações criminosas estão por trás de uma sucessão de crimes que ocorrem desde 2022 e que promoveram o cenário de ‘espiral da violência’. Siga o g1 Piracicaba no Instagram 🔎 O consultor sênio do Instituto Sou da Paz, Bruno Langeani, explicou que o cenário de ‘espiral da violência’ é quando uma morte desencadeia ciclos sucessivos de vinganças, cada vez mais graves e letais. “A espiral é no sentido de que essas mortes geralmente iniciam ciclos de vingança, cada vez piores. É algo que vai escalando em progressão”, afirma. Infográfico - Região onde ocorre disputa territorial entre PCC e CV no estado de São Paulo Arte/g1 Primeiros sinais De acordo com Langeane, os primeiros sinais desse processo costumam aparecer nos indicadores de segurança pública, como o aumento repentino de homicídios fora do padrão histórico da cidade e, muitas vezes, com características de execução. Outro fator é a mudança no perfil do armamento apreendido, com a circulação de armas mais modernas, de maior poder de fogo e com funcionamento automático ou semiautomático. “São algumas das pistas às quais a polícia precisa estar atenta”, explica Langeani. PF encontra fábrica clandestina de armas com equipamentos milionários e apreende peças para montar 80 fuzis no interior de SP PM e Gaeco realizam operação em Rio Claro (SP) contra crimes ultraviolentos Polícia Militar/Divulgação O início da investigação do Gaeco se deu após o monitoramento policial identificar a sucessão de crimes violentos nas regiões. Estratégias de segurança Langeani informou que estratégias de segurança pública voltadas ao enfrentamento dos crimes mais violentos e ao combate ao mercado ilegal de armas tendem a ter impacto mais significativo. “Uma política que prioriza o combate aos crimes mais violentos e ao mercado ilegal de armas tem maior impacto nesses cenários”, afirma. A operação Operação da Polícia Militar e Gaeco contra crimes ultraviolentos cumpre de mandados em Piracicaba e Limeira Polícia Militar de Piracicaba/ Reprodução Houve o cumprimento de diversos mandados de busca e apreensão em endereços em Piracicaba, Rio Claro, Limeira, Santa Bárbara d’Oeste, Americana, Leme, Engenheiro Coelho e Hortolândia, nesta quinta-feira. Homicídios, tráfico internacional, roubos a bancos e carros-fortes: operação contra crimes 'ultraviolentos' mira facções e cumpre 25 mandados em SP Segundo o Gaeco, o objetivo é apreender armas, munições, drogas e dispositivos eletrônicos que possam reforçar as provas sobre a atuação, a hierarquia e os planos de ataque das facções. Rio Claro na rota Disputa entre facções eleva número de homicídios em Rio Claro Uma reportagem do g1, publicada em novembro de 2025, apontou que a combinação entre localização estratégica e ausência de hegemonia no controle do tráfico transformou Rio Claro em palco de uma disputa violenta entre facções criminosas. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, a cidade registrou 24 homicídios dolosos em 2025, oito deles execuções, um aumento de 26,3% em relação a 2024, com taxa de assassinatos quase três vezes superior à média estadual. A cidade é cercada por rodovias estratégicas para o escoamento do tráfico, não possui histórico de domínio exclusivo de uma facção e apresenta fragilidade no controle do PCC, que enfrenta rivalidades com grupos locais menores. Leia mais em: Guerra de facções: território sem 'dono' no tráfico, município de SP vira área de disputa do PCC com CV VÍDEOS: Tudo sobre Piracicaba e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Piracicaba.