Entre trabalho, escola e preparação para o Enem, jovens conciliam rotina em busca de uma vaga no ensino superior Reprodução/Arquivo Pessoal Conciliar trabalho e preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) faz parte da rotina de jovens que enxergam na prova uma possibilidade de ingresso no ensino superior. Entre aulas, expediente de trabalho, deslocamentos e responsabilidades dentro de casa, encontrar tempo para estudar exige organização e, em alguns casos, renúncias. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp Em João Pessoa, Josué Henrique Mendes Araujo, de 19 anos, enfrenta esse desafio enquanto ainda cursa o 3º ano do ensino médio. Ele deve fazer o Enem pela primeira vez este ano e além da escola trabalha há pouco mais de um mês como estagiário em uma empresa de tecnologia voltada para a área de softwares, com uma jornada diária de quatro horas. Já Antônio Raniary do Carmo Corrêa Júnior, de 18 anos, concluiu o ensino médio em 2025 e vive uma rotina diferente. Ele trabalha com recreação infantil, principalmente nos fins de semana, e se prepara para fazer o Enem pela segunda vez em busca de uma vaga no ensino superior. As duas histórias partem de momentos diferentes da vida escolar, mas se encontram em um mesmo desafio: administrar o tempo entre trabalho, estudo e preparação para uma prova que pode definir os próximos passos da formação profissional. Agora no g1 Escola, estágio e Enem na mesma rotina Para Josué, a preparação acontece em meio às obrigações do último ano da escola e às primeiras experiências no mercado de trabalho. Arquivo Pessoal/Josué Henrique Para Josué, a preparação acontece em meio às obrigações do último ano da escola e às primeiras experiências no mercado de trabalho. O jovem está há pouco mais de um mês no estágio e avalia de forma positiva a experiência profissional, principalmente pelo suporte que recebe durante o período de aprendizagem. A principal dificuldade, segundo ele, não está necessariamente nas quatro horas de trabalho, mas no tempo gasto no deslocamento. O estudante relata que o transporte público, o trânsito e a distância fazem com que normalmente chegue em casa entre 19h30 e 20h. Depois disso, ainda precisa cumprir tarefas domésticas antes de conseguir reservar algum tempo para os estudos. Mesmo com a rotina apertada, Josué tenta estudar entre 40 minutos e uma hora por dia depois de chegar em casa. O limite também é uma escolha: prolongar os estudos durante a noite poderia comprometer o descanso e, consequentemente, o rendimento na escola e no trabalho no dia seguinte. “Com pouco tempo, ainda consigo estudar uns 40 minutos ou uma hora, para não ficar tarde e acabar me prejudicando na rotina estudantil do outro dia”, relata. Além da escola, do estágio e da preparação para o Enem, o jovem pratica jiu-jítsu em alguns dias da semana. A atividade funciona, segundo ele, como um momento de distração em meio aos compromissos. A rotina também trouxe mudanças na vida social. Josué afirma que, muitas vezes, precisa abrir mão de momentos de lazer, redes sociais ou encontros com amigos. Nos fins de semana, quando há mais tempo disponível, consegue equilibrar melhor essas atividades. Apesar do cansaço, abandonar o trabalho ou os estudos não aparece como uma alternativa para o estudante. “Nunca. Desde pequeno, fui ensinado que trabalho e, principalmente, os estudos são as coisas mais importantes do mundo. O trabalho é pela questão financeira e para, no futuro, ter estabilidade. E minha mãe falava que o conhecimento ninguém nunca tira de você”, afirma. Na primeira experiência com o Enem, a proximidade da prova mistura insegurança e confiança. Josué admite o receio de não conseguir uma vaga, mas diz confiar no esforço acumulado durante a preparação. As possibilidades profissionais que considera também estão em áreas diferentes: Engenharia Elétrica ou Educação Física. Depois da escola, uma nova tentativa Antônio vive a experiência de estudar para a prova depois de já ter concluído o ensino médio. Arquivo Pessoal/Antônio Raniary Se Josué precisa encaixar a preparação para o Enem dentro do calendário escolar, Antônio vive a experiência de estudar para a prova depois de já ter concluído o ensino médio. Aos 18 anos, ele terminou a educação básica em 2025 e começou a trabalhar um mês depois da conclusão da escola. Atualmente, atua com recreação infantil, atividade que costuma ter maior demanda nos fins de semana. A organização da semana foi adaptada para que o emprego não ocupe o espaço reservado à preparação. Quando surgem eventos profissionais durante os dias úteis, Antônio conta que, geralmente, opta por não aceitá-los para conseguir manter o foco nos estudos. “Geralmente eu renuncio a esses eventos durante a semana para focar mais no estudo, para que no final de semana eu consiga trabalhar e conciliar o resto dos meus afazeres”, explica. Como o trabalho não ocorre em uma jornada fixa de emprego formal, Antônio considera que consegue organizar os horários sem grandes prejuízos à preparação para o exame. A rotina de estudos começa cedo. Todas as manhãs são destinadas a uma plataforma de ensino on-line. Três vezes por semana, o estudante também frequenta um cursinho presencial no período da tarde e retorna para casa à noite. É uma preparação diferente daquela que experimentou quando ainda estava na escola. Para Antônio, ter concluído o ensino médio tornou a rotina de estudos para o Enem mais administrável. Durante o período escolar, explica, o tempo precisava ser dividido entre provas, atividades e outras demandas da própria escola. Agora, apesar do trabalho, há maior possibilidade de direcionar os esforços para os conteúdos cobrados no exame. “Acredito que a preparação tenha ficado mais tranquila pelo fato de que, durante o período escolar, o tempo acaba tendo que ser distribuído em outros tipos de tarefa, o que prejudica um pouco”, afirma. A experiência da primeira tentativa também mudou a forma como encara a preparação. Segundo Antônio, depois da conclusão do ensino médio, aumentou a determinação para conquistar uma vaga. Desta vez, ele tem como primeira opção Engenharia de Software. Caso não consiga ingressar no curso, considera Engenharia Elétrica como segunda escolha. Rotinas diferentes, um objetivo em comum ENEM 2025 - DOMINGO (16) – RIBEIRÃO PRETO (SP) – Movimentação na saída dos candidatos após cinco horas de prova Érico Andrade/g1 A preparação de Josué e Antônio evidencia dois cenários enfrentados por estudantes que chegam ao Enem enquanto também ingressam no mercado de trabalho. Para quem ainda está no ensino médio, como Josué, escola, emprego e preparação para a prova acontecem simultaneamente. O tempo disponível para estudar precisa disputar espaço com o deslocamento, as atividades domésticas e a necessidade de descanso. Para Antônio, a conclusão da escola eliminou parte dessas obrigações, mas trouxe outras responsabilidades. O início da vida profissional passou a exigir escolhas sobre quais trabalhos aceitar e quais horários preservar para manter uma rotina de preparação. Em comum, os dois jovens tentam transformar as horas disponíveis em estudo sem abandonar a experiência profissional. Entre jornadas, deslocamentos, cursinhos e renúncias, o Enem passa a fazer parte de uma rotina que já não é composta apenas pelos estudos. Para Josué, será a primeira tentativa de transformar essa preparação em uma vaga no ensino superior. Para Antônio, será uma nova oportunidade depois da experiência do ano anterior. Em ambos os casos, o desafio até a prova passa não apenas pelo conteúdo que será cobrado, mas também pela capacidade de conciliar o presente com os planos para o futuro. *Sob supervisão de Erickson Nogueira Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba
Entre trabalho, escola e preparação para o Enem, jovens na Paraíba conciliam rotina em busca de uma vaga no ensino superior
Escrito em 20/09/2026
Entre trabalho, escola e preparação para o Enem, jovens conciliam rotina em busca de uma vaga no ensino superior Reprodução/Arquivo Pessoal Conciliar trabalho e preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) faz parte da rotina de jovens que enxergam na prova uma possibilidade de ingresso no ensino superior. Entre aulas, expediente de trabalho, deslocamentos e responsabilidades dentro de casa, encontrar tempo para estudar exige organização e, em alguns casos, renúncias. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp Em João Pessoa, Josué Henrique Mendes Araujo, de 19 anos, enfrenta esse desafio enquanto ainda cursa o 3º ano do ensino médio. Ele deve fazer o Enem pela primeira vez este ano e além da escola trabalha há pouco mais de um mês como estagiário em uma empresa de tecnologia voltada para a área de softwares, com uma jornada diária de quatro horas. Já Antônio Raniary do Carmo Corrêa Júnior, de 18 anos, concluiu o ensino médio em 2025 e vive uma rotina diferente. Ele trabalha com recreação infantil, principalmente nos fins de semana, e se prepara para fazer o Enem pela segunda vez em busca de uma vaga no ensino superior. As duas histórias partem de momentos diferentes da vida escolar, mas se encontram em um mesmo desafio: administrar o tempo entre trabalho, estudo e preparação para uma prova que pode definir os próximos passos da formação profissional. Agora no g1 Escola, estágio e Enem na mesma rotina Para Josué, a preparação acontece em meio às obrigações do último ano da escola e às primeiras experiências no mercado de trabalho. Arquivo Pessoal/Josué Henrique Para Josué, a preparação acontece em meio às obrigações do último ano da escola e às primeiras experiências no mercado de trabalho. O jovem está há pouco mais de um mês no estágio e avalia de forma positiva a experiência profissional, principalmente pelo suporte que recebe durante o período de aprendizagem. A principal dificuldade, segundo ele, não está necessariamente nas quatro horas de trabalho, mas no tempo gasto no deslocamento. O estudante relata que o transporte público, o trânsito e a distância fazem com que normalmente chegue em casa entre 19h30 e 20h. Depois disso, ainda precisa cumprir tarefas domésticas antes de conseguir reservar algum tempo para os estudos. Mesmo com a rotina apertada, Josué tenta estudar entre 40 minutos e uma hora por dia depois de chegar em casa. O limite também é uma escolha: prolongar os estudos durante a noite poderia comprometer o descanso e, consequentemente, o rendimento na escola e no trabalho no dia seguinte. “Com pouco tempo, ainda consigo estudar uns 40 minutos ou uma hora, para não ficar tarde e acabar me prejudicando na rotina estudantil do outro dia”, relata. Além da escola, do estágio e da preparação para o Enem, o jovem pratica jiu-jítsu em alguns dias da semana. A atividade funciona, segundo ele, como um momento de distração em meio aos compromissos. A rotina também trouxe mudanças na vida social. Josué afirma que, muitas vezes, precisa abrir mão de momentos de lazer, redes sociais ou encontros com amigos. Nos fins de semana, quando há mais tempo disponível, consegue equilibrar melhor essas atividades. Apesar do cansaço, abandonar o trabalho ou os estudos não aparece como uma alternativa para o estudante. “Nunca. Desde pequeno, fui ensinado que trabalho e, principalmente, os estudos são as coisas mais importantes do mundo. O trabalho é pela questão financeira e para, no futuro, ter estabilidade. E minha mãe falava que o conhecimento ninguém nunca tira de você”, afirma. Na primeira experiência com o Enem, a proximidade da prova mistura insegurança e confiança. Josué admite o receio de não conseguir uma vaga, mas diz confiar no esforço acumulado durante a preparação. As possibilidades profissionais que considera também estão em áreas diferentes: Engenharia Elétrica ou Educação Física. Depois da escola, uma nova tentativa Antônio vive a experiência de estudar para a prova depois de já ter concluído o ensino médio. Arquivo Pessoal/Antônio Raniary Se Josué precisa encaixar a preparação para o Enem dentro do calendário escolar, Antônio vive a experiência de estudar para a prova depois de já ter concluído o ensino médio. Aos 18 anos, ele terminou a educação básica em 2025 e começou a trabalhar um mês depois da conclusão da escola. Atualmente, atua com recreação infantil, atividade que costuma ter maior demanda nos fins de semana. A organização da semana foi adaptada para que o emprego não ocupe o espaço reservado à preparação. Quando surgem eventos profissionais durante os dias úteis, Antônio conta que, geralmente, opta por não aceitá-los para conseguir manter o foco nos estudos. “Geralmente eu renuncio a esses eventos durante a semana para focar mais no estudo, para que no final de semana eu consiga trabalhar e conciliar o resto dos meus afazeres”, explica. Como o trabalho não ocorre em uma jornada fixa de emprego formal, Antônio considera que consegue organizar os horários sem grandes prejuízos à preparação para o exame. A rotina de estudos começa cedo. Todas as manhãs são destinadas a uma plataforma de ensino on-line. Três vezes por semana, o estudante também frequenta um cursinho presencial no período da tarde e retorna para casa à noite. É uma preparação diferente daquela que experimentou quando ainda estava na escola. Para Antônio, ter concluído o ensino médio tornou a rotina de estudos para o Enem mais administrável. Durante o período escolar, explica, o tempo precisava ser dividido entre provas, atividades e outras demandas da própria escola. Agora, apesar do trabalho, há maior possibilidade de direcionar os esforços para os conteúdos cobrados no exame. “Acredito que a preparação tenha ficado mais tranquila pelo fato de que, durante o período escolar, o tempo acaba tendo que ser distribuído em outros tipos de tarefa, o que prejudica um pouco”, afirma. A experiência da primeira tentativa também mudou a forma como encara a preparação. Segundo Antônio, depois da conclusão do ensino médio, aumentou a determinação para conquistar uma vaga. Desta vez, ele tem como primeira opção Engenharia de Software. Caso não consiga ingressar no curso, considera Engenharia Elétrica como segunda escolha. Rotinas diferentes, um objetivo em comum ENEM 2025 - DOMINGO (16) – RIBEIRÃO PRETO (SP) – Movimentação na saída dos candidatos após cinco horas de prova Érico Andrade/g1 A preparação de Josué e Antônio evidencia dois cenários enfrentados por estudantes que chegam ao Enem enquanto também ingressam no mercado de trabalho. Para quem ainda está no ensino médio, como Josué, escola, emprego e preparação para a prova acontecem simultaneamente. O tempo disponível para estudar precisa disputar espaço com o deslocamento, as atividades domésticas e a necessidade de descanso. Para Antônio, a conclusão da escola eliminou parte dessas obrigações, mas trouxe outras responsabilidades. O início da vida profissional passou a exigir escolhas sobre quais trabalhos aceitar e quais horários preservar para manter uma rotina de preparação. Em comum, os dois jovens tentam transformar as horas disponíveis em estudo sem abandonar a experiência profissional. Entre jornadas, deslocamentos, cursinhos e renúncias, o Enem passa a fazer parte de uma rotina que já não é composta apenas pelos estudos. Para Josué, será a primeira tentativa de transformar essa preparação em uma vaga no ensino superior. Para Antônio, será uma nova oportunidade depois da experiência do ano anterior. Em ambos os casos, o desafio até a prova passa não apenas pelo conteúdo que será cobrado, mas também pela capacidade de conciliar o presente com os planos para o futuro. *Sob supervisão de Erickson Nogueira Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba