Tartaruga mais velha desovando no Brasil é flagrada há 37 anos na mesma praia no ES Uma tartaruga-cabeçuda 🐢 monitorada desde a década de 1980 voltou a desovar na praia de Povoação, em Linhares, no Norte do Espírito Santo, e entrou para a história da conservação marinha no Brasil como a tartaruga mais velha a desovar no litoral brasileiro. Marcada pela primeira vez em 1988, a fêmea foi reencontrada no último dia 2 de dezembro de 2025, após 37 anos de registros. Segundo especialistas, esse é o acompanhamento mais longo já documentado no país para uma tartaruga marinha em atividade reprodutiva. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Durante toda a vida, as tartarugas sempre retornam, a cada ciclo reprodutivo, ao mesmo local de nascimento para desovar. No caso desse animal em específico, há quase 40 anos, ela volta para as areias da cidade capixaba, local onde nasceu. A Fundação Projeto Tamar monitora a região e marcou a tartaruga na década de 1980. Segundo o biólogo Alexsandro Santos, pesquisador da instituição e coordenador de pesquisa e conservação no Espírito Santo, a longevidade impressiona até mesmo quem trabalha há décadas com a espécie. “Essa é a tartaruga mais antiga que a gente tem registro desovando no Brasil. Ela foi vista pela primeira vez em 1988 e, de lá pra cá, reencontrada outras sete vezes. A oitava foi agora. E isso não significa que ela só tenha vindo essas oito vezes. Ela pode ter vindo e a gente não encontrou”, explicou. Tartaruga que desova há 37 anos na mesma praia é flagrada no Espírito Santo Fundação Projeto Tamar Pela estimativa dos pesquisadores, a fêmea já pode ter mais de 60 anos de idade. As tartarugas-cabeçudas começam a se reproduzir, em média, aos 25 anos. Como ela está sendo registrada há 37 anos, a conta sugere que esteja "mais para o final do período reprodutivo". “Ela já está desovando com as filhas, com certeza, e provavelmente com as netas também. É uma sobrevivente”, afirmou o biólogo. As imagens registradas durante a desova têm tonalidade avermelhada porque, a partir do momento em que a tartaruga é avistada, os pesquisadores passam a usar apenas luzes vermelhas. Esse tipo de iluminação é o mais indicado para não estressar nem desorientar o animal, já que interfere menos no comportamento desses animais. Recorde brasileiro e trabalho de longo prazo Ao longo dessas quase quatro décadas, a tartaruga foi recapturada sempre na mesma região, o que reforça a fidelidade ao local de desova, um comportamento típico da espécie. Para Alexsandro, o reencontro é também um símbolo da importância do monitoramento contínuo. “Esse é o registro mais longo que a gente tem no Brasil de recapturas. Isso reforça como o trabalho de marcação e recaptura ao longo de décadas é fundamental para entender a longevidade reprodutiva, estimar sobrevivência e conhecer melhor o ciclo de vida desses animais”, explicou o biólogo. A espécie, conhecida cientificamente como Caretta caretta, pode atingir até 1,23 metro de comprimento de casco e pesar entre 150 e 200 quilos. Tartaruga que desova há 37 anos na mesma praia é flagrada no Espírito Santo Fundação Projeto Tamar LEIA TAMBÉM: Gigante do mar: vídeo exclusivo mostra maior espécie de tartaruga do mundo desovando Tartarugas gigantes são monitoradas via satélite e desovam na praia onde nasceram Nativos deixam de comer tartarugas marinhas após educação ambiental no ES Segundo Alex, no caso dessa fêmea histórica, não foi possível medir o tamanho exato nem estimar o peso, já que parte do casco está danificado, o que impede a aferição precisa. "O peso dela a gente não tem, não pesamos o animal adulto assim. O tamanho a gente também não sabe porque o casco dela tinha um quebrado no final. Então, a gente não mede animal que tem o casco imperfeito", explicou. Uma vida em ciclos a cada 2 anos A tartaruga-cabeçuda costuma desovar a cada dois anos. O biólogo disse que nesses 37 anos retornando ao Espírito Santo, essa fêmea já tinha sido registrada fêmea sete vezes. "A oitava foi agora. Essa espécie desova a cada dois anos. Se ela vem na temporada 2025/2026, por exemplo, a tendência é que pule a seguinte e retorne em 2027/2028". No entanto, esse intervalo pode variar. Segundo o especialista, às vezes, a fêmea precisa de mais tempo para acumular energia. "Ela pode não ganhar peso suficiente para fazer a migração ou produzir os ovos e acaba pulando uma temporada reprodutiva. Além disso, o monitoramento não garante que todos os retornos sejam registrados. Mesmo com equipes percorrendo a praia todas as noites, é uma questão de sorte. A gente não consegue ver todas as tartarugas que desovam. Ela pode subir em um trecho diferente e passar despercebida”, detalhou. Pelos cálculos dos especialistas, nesses quase 40 anos, a mesma tartaruga poderia ter sido encontrada umas 20 vezes. Em cada temporada reprodutiva, a espécie faz de três a oito ninhos, com média de cinco desovas por animal. Cada ninho recebe cerca de 120 ovos. "Quando ela vem numa temporada, pode colocar em torno de 600 ovos no total. De cada ninho, nascem, em média, 90 filhotes, mesmo que a quantidade de ovos tenha sido maior", detalhou o pesquisador. Tartaruga-cabeçuda Divulgação/Projeto Tamar Apesar dos números altos, a sobrevivência desses animais é um dos maiores desafios que eles enfrentam na vida. Segundo especialistas, a regra geral na natureza é dura porque de cada mil filhotes que nascem, apenas um ou dois chegam à idade adulta. "Se a gente for simplificar para as pessoas entenderem, cada fêmea que vem desovar acaba 'salvando' um filhote por temporada. É uma perda natural muito grande, porque os filhotinhos fazem parte da cadeia alimentar dos oceanos, ou mesmo da areia. Quando pequenas, são presas de outros animais, e depois podem se alimentar de bichos maiores", detalhou o especialista. A vida da tartaruga recordista em números 🗓️ 37 anos de intervalo desde a primeira notificação dela no litoral capixaba; 🔁 Desova, em média, a cada 2 anos → 19 temporadas reprodutivas; 🥚 5 ninhos por temporada → são 120 ovos por ninho, em média; 🐣 Cerca de 90 filhotes nascem por ninho. Se a cada temporada a tartaruga faz 5 ninhos com 120 ovos, então ela pode colocar até 600 ovos. Como a fase reprodutiva dela já dura 19 temporadas, esse animal pode ter colocado, em média, 11.400 ovos até agora. 🐣 Quantos filhotes podem ter nascido por temporada? Se temos 5 ninhos com 90 filhotes que nascem efetivamente, então cada temporada podem nascer 450 filhotes, em média. Se temos 19 temporadas até agora, então essa tartaruga pode ter tido 8.550 filhotes. 🐢 Quantos filhotes sobrevivem? Considerando a regra natural de que apenas 1 ou 2 animais a cada 1.000 filhotes sobrevivem até a idade adulta: 8.550 filhotes resultaram, até agora, em algo entre 8 e 17 tartarugas adultas. Ou seja, ao longo de quase quatro décadas, essa única fêmea pode ter garantido a sobrevivência de cerca de uma dúzia de descendentes adultos. O que ajuda a explicar por que cada tartaruga reprodutiva é tão valiosa para a espécie. Qual estimativa de tartarugas-cabeçudas nos oceanos? A pergunta, segundo o especialista, ainda não tem resposta exata. "Essa é a pergunta de um milhão de dólares. A gente não sabe quantas tartarugas existem. Existem estimativas, mas são muito imprecisas. O que se sabe é que a população vem apresentando sinais de recuperação. A espécie já foi considerada ameaçada de extinção e hoje está classificada como vulnerável, um degrau abaixo na escala de risco", contou. Nas áreas monitoradas pela Fundação Tamar, que incluem Bahia, Sergipe, Rio de Janeiro e Espírito Santo, são registrados, em média, 11 mil ninhos de tartaruga-cabeçuda por ano. "Esse número é de ninhos, não de fêmeas. A gente não consegue dizer quantas tartarugas existem no mar. Essa é uma informação que ainda não temos como obter", reforçou. Segundo especialistas, tartaruga-cabeçuda vive, em média, 80 anos Fundação Projeto Tamar Do Espírito Santo ao sul do continente Embora desove no Espírito Santo, a área de alimentação dessa fêmea específica ainda é desconhecida. Estudos de telemetria indicam que as cabeçudas que se reproduzem no estado costumam migrar para áreas costeiras do Sudeste e do Sul do Brasil e até para águas da Argentina e do Uruguai, principalmente sobre a plataforma continental, em águas mais rasas. Carnívora, a espécie se alimenta de camarões, lagostas, caranguejos e pequenos peixes. Mas pode se especializar dependendo da região onde vive. "São generalistas, mas quando escolhem uma área de alimentação, podem virar especialistas. Uma cabeçuda que se alimenta no Rio Grande do Sul pode comer mais moluscos, enquanto outra, no Nordeste, pode focar em lagosta. É a mesma espécie, mas com dietas diferentes". A espécie em números 🐢 37 anos de monitoramento da mesma fêmea desovando no Espírito Santo; 📍 1988 foi o primeiro registro dela na praia de Povoação, em Linhares; 🔁 8 encontros registrados ao longo das últimas décadas; 📏 Até 1,23 metro de comprimento de casco é o recorde da espécie; ⚖️ Entre 150 e 200 quilos é o peso que uma tartaruga-cabeçuda adulta pode atingir; 🎂 Cerca de 25 anos é a idade média em que começam a se reproduzir; ⏳ Estimativa de 70 a 80 anos de vida para tartarugas marinhas de casco duro; 🥚 Em média, 120 ovos por ninho; 🏖️ Entre 3 e 8 ninhos por temporada reprodutiva (média de 5); 🥚➡️🐣 Cerca de 600 ovos por temporada para cada fêmea; 🐣 Aproximadamente 90 filhotes nascem por ninho; 📉 De cada 1.000 filhotes, apenas 1 ou 2 chegam à idade adulta; 📊 Cerca de 11 mil ninhos por ano de tartaruga-cabeçuda nas áreas monitoradas pela Fundação; 🌊 156 quilômetros de praias monitorados no Espírito Santo. Vida longa à "vovó" Mesmo com monitoramento noturno em 156 quilômetros de praias, reencontrar a mesma fêmea ao longo de décadas envolve também uma dose de sorte. "Às vezes, a gente está num ponto da praia e ela sobe para desovar em outro. Mesmo monitorando todas as noites, não conseguimos ver todas as tartarugas", disse Alexsandro. O reencontro após 37 anos, portanto, é mais do que um dado científico: é um símbolo de resistência em um oceano repleto de ameaças. "Ficamos na torcida para encontrá-la por muitas temporadas ainda. Vida longa à nossa vovó", disse o biólogo. Gigante do mar: e g1 flagra desova da tartaruga-de-couro, maior espécie do mundo Conheça a espécie Se você se encantou pelas tartarugas-cabeçudas, ou Caretta caretta, pode conhecer a espécie no Museu Aberto das Tartarugas Marinhas da Fundação Projeto Tamar em Vitória. Os visitantes percorrem um roteiro interpretativo sobre a biologia das espécies e observam diferentes espécies de tartarugas em variadas fases da vida em três tanques temáticos. 📍Onde: Fundação Projeto Tamar - Avenida Nossa Sra. dos Navegantes, 700 - A, Vitória 🗓️ Quando: Terça a domingo, das 10h às 17h. VÍDEOS: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo
Tartaruga monitorada há 37 anos se torna a mais velha desovando no Brasil: 'Põe ovos ao lado das netas', diz especialista
Escrito em 19/02/2026
Tartaruga mais velha desovando no Brasil é flagrada há 37 anos na mesma praia no ES Uma tartaruga-cabeçuda 🐢 monitorada desde a década de 1980 voltou a desovar na praia de Povoação, em Linhares, no Norte do Espírito Santo, e entrou para a história da conservação marinha no Brasil como a tartaruga mais velha a desovar no litoral brasileiro. Marcada pela primeira vez em 1988, a fêmea foi reencontrada no último dia 2 de dezembro de 2025, após 37 anos de registros. Segundo especialistas, esse é o acompanhamento mais longo já documentado no país para uma tartaruga marinha em atividade reprodutiva. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Durante toda a vida, as tartarugas sempre retornam, a cada ciclo reprodutivo, ao mesmo local de nascimento para desovar. No caso desse animal em específico, há quase 40 anos, ela volta para as areias da cidade capixaba, local onde nasceu. A Fundação Projeto Tamar monitora a região e marcou a tartaruga na década de 1980. Segundo o biólogo Alexsandro Santos, pesquisador da instituição e coordenador de pesquisa e conservação no Espírito Santo, a longevidade impressiona até mesmo quem trabalha há décadas com a espécie. “Essa é a tartaruga mais antiga que a gente tem registro desovando no Brasil. Ela foi vista pela primeira vez em 1988 e, de lá pra cá, reencontrada outras sete vezes. A oitava foi agora. E isso não significa que ela só tenha vindo essas oito vezes. Ela pode ter vindo e a gente não encontrou”, explicou. Tartaruga que desova há 37 anos na mesma praia é flagrada no Espírito Santo Fundação Projeto Tamar Pela estimativa dos pesquisadores, a fêmea já pode ter mais de 60 anos de idade. As tartarugas-cabeçudas começam a se reproduzir, em média, aos 25 anos. Como ela está sendo registrada há 37 anos, a conta sugere que esteja "mais para o final do período reprodutivo". “Ela já está desovando com as filhas, com certeza, e provavelmente com as netas também. É uma sobrevivente”, afirmou o biólogo. As imagens registradas durante a desova têm tonalidade avermelhada porque, a partir do momento em que a tartaruga é avistada, os pesquisadores passam a usar apenas luzes vermelhas. Esse tipo de iluminação é o mais indicado para não estressar nem desorientar o animal, já que interfere menos no comportamento desses animais. Recorde brasileiro e trabalho de longo prazo Ao longo dessas quase quatro décadas, a tartaruga foi recapturada sempre na mesma região, o que reforça a fidelidade ao local de desova, um comportamento típico da espécie. Para Alexsandro, o reencontro é também um símbolo da importância do monitoramento contínuo. “Esse é o registro mais longo que a gente tem no Brasil de recapturas. Isso reforça como o trabalho de marcação e recaptura ao longo de décadas é fundamental para entender a longevidade reprodutiva, estimar sobrevivência e conhecer melhor o ciclo de vida desses animais”, explicou o biólogo. A espécie, conhecida cientificamente como Caretta caretta, pode atingir até 1,23 metro de comprimento de casco e pesar entre 150 e 200 quilos. Tartaruga que desova há 37 anos na mesma praia é flagrada no Espírito Santo Fundação Projeto Tamar LEIA TAMBÉM: Gigante do mar: vídeo exclusivo mostra maior espécie de tartaruga do mundo desovando Tartarugas gigantes são monitoradas via satélite e desovam na praia onde nasceram Nativos deixam de comer tartarugas marinhas após educação ambiental no ES Segundo Alex, no caso dessa fêmea histórica, não foi possível medir o tamanho exato nem estimar o peso, já que parte do casco está danificado, o que impede a aferição precisa. "O peso dela a gente não tem, não pesamos o animal adulto assim. O tamanho a gente também não sabe porque o casco dela tinha um quebrado no final. Então, a gente não mede animal que tem o casco imperfeito", explicou. Uma vida em ciclos a cada 2 anos A tartaruga-cabeçuda costuma desovar a cada dois anos. O biólogo disse que nesses 37 anos retornando ao Espírito Santo, essa fêmea já tinha sido registrada fêmea sete vezes. "A oitava foi agora. Essa espécie desova a cada dois anos. Se ela vem na temporada 2025/2026, por exemplo, a tendência é que pule a seguinte e retorne em 2027/2028". No entanto, esse intervalo pode variar. Segundo o especialista, às vezes, a fêmea precisa de mais tempo para acumular energia. "Ela pode não ganhar peso suficiente para fazer a migração ou produzir os ovos e acaba pulando uma temporada reprodutiva. Além disso, o monitoramento não garante que todos os retornos sejam registrados. Mesmo com equipes percorrendo a praia todas as noites, é uma questão de sorte. A gente não consegue ver todas as tartarugas que desovam. Ela pode subir em um trecho diferente e passar despercebida”, detalhou. Pelos cálculos dos especialistas, nesses quase 40 anos, a mesma tartaruga poderia ter sido encontrada umas 20 vezes. Em cada temporada reprodutiva, a espécie faz de três a oito ninhos, com média de cinco desovas por animal. Cada ninho recebe cerca de 120 ovos. "Quando ela vem numa temporada, pode colocar em torno de 600 ovos no total. De cada ninho, nascem, em média, 90 filhotes, mesmo que a quantidade de ovos tenha sido maior", detalhou o pesquisador. Tartaruga-cabeçuda Divulgação/Projeto Tamar Apesar dos números altos, a sobrevivência desses animais é um dos maiores desafios que eles enfrentam na vida. Segundo especialistas, a regra geral na natureza é dura porque de cada mil filhotes que nascem, apenas um ou dois chegam à idade adulta. "Se a gente for simplificar para as pessoas entenderem, cada fêmea que vem desovar acaba 'salvando' um filhote por temporada. É uma perda natural muito grande, porque os filhotinhos fazem parte da cadeia alimentar dos oceanos, ou mesmo da areia. Quando pequenas, são presas de outros animais, e depois podem se alimentar de bichos maiores", detalhou o especialista. A vida da tartaruga recordista em números 🗓️ 37 anos de intervalo desde a primeira notificação dela no litoral capixaba; 🔁 Desova, em média, a cada 2 anos → 19 temporadas reprodutivas; 🥚 5 ninhos por temporada → são 120 ovos por ninho, em média; 🐣 Cerca de 90 filhotes nascem por ninho. Se a cada temporada a tartaruga faz 5 ninhos com 120 ovos, então ela pode colocar até 600 ovos. Como a fase reprodutiva dela já dura 19 temporadas, esse animal pode ter colocado, em média, 11.400 ovos até agora. 🐣 Quantos filhotes podem ter nascido por temporada? Se temos 5 ninhos com 90 filhotes que nascem efetivamente, então cada temporada podem nascer 450 filhotes, em média. Se temos 19 temporadas até agora, então essa tartaruga pode ter tido 8.550 filhotes. 🐢 Quantos filhotes sobrevivem? Considerando a regra natural de que apenas 1 ou 2 animais a cada 1.000 filhotes sobrevivem até a idade adulta: 8.550 filhotes resultaram, até agora, em algo entre 8 e 17 tartarugas adultas. Ou seja, ao longo de quase quatro décadas, essa única fêmea pode ter garantido a sobrevivência de cerca de uma dúzia de descendentes adultos. O que ajuda a explicar por que cada tartaruga reprodutiva é tão valiosa para a espécie. Qual estimativa de tartarugas-cabeçudas nos oceanos? A pergunta, segundo o especialista, ainda não tem resposta exata. "Essa é a pergunta de um milhão de dólares. A gente não sabe quantas tartarugas existem. Existem estimativas, mas são muito imprecisas. O que se sabe é que a população vem apresentando sinais de recuperação. A espécie já foi considerada ameaçada de extinção e hoje está classificada como vulnerável, um degrau abaixo na escala de risco", contou. Nas áreas monitoradas pela Fundação Tamar, que incluem Bahia, Sergipe, Rio de Janeiro e Espírito Santo, são registrados, em média, 11 mil ninhos de tartaruga-cabeçuda por ano. "Esse número é de ninhos, não de fêmeas. A gente não consegue dizer quantas tartarugas existem no mar. Essa é uma informação que ainda não temos como obter", reforçou. Segundo especialistas, tartaruga-cabeçuda vive, em média, 80 anos Fundação Projeto Tamar Do Espírito Santo ao sul do continente Embora desove no Espírito Santo, a área de alimentação dessa fêmea específica ainda é desconhecida. Estudos de telemetria indicam que as cabeçudas que se reproduzem no estado costumam migrar para áreas costeiras do Sudeste e do Sul do Brasil e até para águas da Argentina e do Uruguai, principalmente sobre a plataforma continental, em águas mais rasas. Carnívora, a espécie se alimenta de camarões, lagostas, caranguejos e pequenos peixes. Mas pode se especializar dependendo da região onde vive. "São generalistas, mas quando escolhem uma área de alimentação, podem virar especialistas. Uma cabeçuda que se alimenta no Rio Grande do Sul pode comer mais moluscos, enquanto outra, no Nordeste, pode focar em lagosta. É a mesma espécie, mas com dietas diferentes". A espécie em números 🐢 37 anos de monitoramento da mesma fêmea desovando no Espírito Santo; 📍 1988 foi o primeiro registro dela na praia de Povoação, em Linhares; 🔁 8 encontros registrados ao longo das últimas décadas; 📏 Até 1,23 metro de comprimento de casco é o recorde da espécie; ⚖️ Entre 150 e 200 quilos é o peso que uma tartaruga-cabeçuda adulta pode atingir; 🎂 Cerca de 25 anos é a idade média em que começam a se reproduzir; ⏳ Estimativa de 70 a 80 anos de vida para tartarugas marinhas de casco duro; 🥚 Em média, 120 ovos por ninho; 🏖️ Entre 3 e 8 ninhos por temporada reprodutiva (média de 5); 🥚➡️🐣 Cerca de 600 ovos por temporada para cada fêmea; 🐣 Aproximadamente 90 filhotes nascem por ninho; 📉 De cada 1.000 filhotes, apenas 1 ou 2 chegam à idade adulta; 📊 Cerca de 11 mil ninhos por ano de tartaruga-cabeçuda nas áreas monitoradas pela Fundação; 🌊 156 quilômetros de praias monitorados no Espírito Santo. Vida longa à "vovó" Mesmo com monitoramento noturno em 156 quilômetros de praias, reencontrar a mesma fêmea ao longo de décadas envolve também uma dose de sorte. "Às vezes, a gente está num ponto da praia e ela sobe para desovar em outro. Mesmo monitorando todas as noites, não conseguimos ver todas as tartarugas", disse Alexsandro. O reencontro após 37 anos, portanto, é mais do que um dado científico: é um símbolo de resistência em um oceano repleto de ameaças. "Ficamos na torcida para encontrá-la por muitas temporadas ainda. Vida longa à nossa vovó", disse o biólogo. Gigante do mar: e g1 flagra desova da tartaruga-de-couro, maior espécie do mundo Conheça a espécie Se você se encantou pelas tartarugas-cabeçudas, ou Caretta caretta, pode conhecer a espécie no Museu Aberto das Tartarugas Marinhas da Fundação Projeto Tamar em Vitória. Os visitantes percorrem um roteiro interpretativo sobre a biologia das espécies e observam diferentes espécies de tartarugas em variadas fases da vida em três tanques temáticos. 📍Onde: Fundação Projeto Tamar - Avenida Nossa Sra. dos Navegantes, 700 - A, Vitória 🗓️ Quando: Terça a domingo, das 10h às 17h. VÍDEOS: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo