Eleição para presidência da Alerj tem promessa de boicote da oposição e só Ruas como candidato

Escrito em 17/04/2026


Eleição na Alerj tem disputas judiciais antes mesmo de acontecer A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) elege nesta sexta-feira (16) seu novo presidente em meio a disputas políticas e questionamentos judiciais, que começaram dias antes da votação e, ao que tudo indica, vão continuar. Inicialmente, a disputa seria entre dois deputados candidatos: Douglas Ruas (PL), ligado à base do ex-governador Cláudio Castro (PL), e Vitor Junior (PDT), apoiado pela frente partidária do ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD), pré-candidato ao governo do estado. O candidato da oposição, porém, disse à TV Globo na noite de quinta-feira (16) que iria retirar a candidatura. Neste caso, Douglas Ruas será o único candidato. O movimento é um protesto contra a decisão da Justiça que manteve a votação aberta. Em paralelo à retirada da candidatura de Vitor Junior, uma frente de 25 deputados e 9 partidos (PSD, MDB, Podemos, PT, PDT, PSB, Cidadania, PCdoB e PV ) afirmou que não participará da votação. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça 'Cartas marcadas' x 'transparência' Douglas Ruas (PL) e Vitor Junior (PDT) Reprodução/Alerj Para a oposição, a votação aberta se torna um jogo de "cartas marcadas". A avaliação é de que o sigilo poderia estimular deputados da base governista a mudar de posição sem sofrer pressão. "Essa frente partidária não irá legitimar um processo eleitoral de fachada, retirando-se do plenário caso mantido o voto aberto", diz um trecho da nota da frente partidária. “Entendemos que o voto secreto evita a intimidação que, por certo, a base do então governador Cláudio Castro vai tentar fazer com os deputados”, afirmou a deputada Martha Rocha (PDT). Ruas, por sua vez, defende o voto aberto e questiona a oposição: "Por que esconder em quem você vai votar? Eu acho que a população tem direito. Quanto mais transparência no poder público, melhor. Seja no Legislativo, no Judiciário, no Executivo, eu sou a favor da máxima transparência", disse o deputado do PL. Novo presidente da Alerj não será governador Justiça anula eleição na Alerj, que tinha eleito Douglas Ruas como presidente Ruas já havia sido eleito presidente da Alerj em março, poucos dias após a cassação da chapa do então governador Cláudio Castro, mas a votação foi anulada pelo Tribunal de Justiça do Rio, e ele não chegou a tomar posse. Tradicionalmente, o presidente da Alerj ocupa posição de destaque na linha sucessória do governo do estado, à frente do presidente do Tribunal de Justiça. Desta vez, porém, o eleito não assumirá o comando do Executivo. Uma decisão liminar do ministro Cristiano Zanin, do STF, determinou que o desembargador Ricardo Couto de Castro, presidente do Tribunal de Justiça do Rio, permaneça como governador em exercício até que a Corte defina o modelo para escolha do novo chefe do Executivo em mandato-tampão. Segundo Ruas, a prioridade no momento é encerrar a instabilidade institucional. “A primeira etapa é dar fim à interinidade no Legislativo. Já no Executivo, isso depende da decisão do STF sobre como será feita a eleição do novo governador”, afirmou.