Ovelhas, bovinos e veados: cães atacam rebanhos e propriedades rurais têm prejuízos no RS

Escrito em 28/08/2026


Cães atacam rebanhos e propriedades rurais têm prejuízos no RS Produtores rurais de diferentes regiões do Rio Grande do Sul relatam uma situação que tem se repetido com frequência no campo: ataques de cães a animais de criação e até à fauna silvestre. Os casos vêm causando mortes, ferimentos e prejuízos para quem depende da atividade pecuária. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Em Lagoão, câmeras registraram o momento em que uma vaca foi cercada e atacada por cães. O animal sofreu ferimentos em várias partes do corpo e morreu. Em Bagé, o esquilador Claudiomar Batista perdeu um pônei reprodutor após um ataque. O animal ficou gravemente ferido e precisou ser sacrificado. "Era um reprodutor, estava em um potreiro especial para ele", afirmou. No entanto, os episódios não se restringem aos rebanhos. Em Candelária, imagens mostram um veado tentando fugir de cães durante uma perseguição. Em outro registro, um dos animais aparece carregando a presa já abatida. Os ataques também têm atingido a ovinocultura. Em Tapejara, câmeras de segurança flagraram cães dentro de uma propriedade rural atacando ovelhas. Em um período de 30 dias, seis animais morreram. Para o produtor rural André Silva, além do prejuízo financeiro, os ataques representam a perda de um trabalho construído ao longo do tempo. “Uma situação que é uma perda lamentável. Agora é recomeçar, é começar praticamente do zero”, disse. No interior de Osório, um rebanho sofreu dois ataques em menos de duas semanas. Nove ovelhas morreram e outras 27 ficaram feridas. O proprietário, que mora em Porto Alegre e prefere não se identificar, viaja três vezes por semana até a propriedade para cuidar dos animais. Segundo ele, após o primeiro ataque, os animais receberam tratamento e foram soltos novamente no campo. Pouco tempo depois, houve uma nova investida dos cães. “A gente pegou, curou elas tudo, deixou uma semana curando, pra daí sexta-feira, na outra semana, a gente soltou elas e sábado teve o ataque de novo. Então é difícil porque a gente não sabe como resolver e quando vai acontecer de novo”, relatou. Cães atacam rebanhos e propriedades rurais têm prejuízos no RS Reprodução/ RBS TV Poder público Diante da sequência de ocorrências, a Associação dos Ovinocultores do Rio Grande do Sul pede ações mais efetivas do poder público. O presidente da entidade, Edmundo Ferreira Gressler, defende a criação de políticas públicas e a responsabilização dos donos dos animais envolvidos nos ataques. “Nós possamos ter aí políticas públicas que permitam que esses produtores tenham alguma resposta com relação à perca das suas ovelhas e àqueles que criem cães que também possam ser responsabilizados por isso”, afirmou. Em nota, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente informou que não recebeu, até o momento, comunicações formais dos municípios que permitam mensurar a dimensão do problema. Já a Secretaria da Agricultura declarou que a criação, guarda e circulação de cães são temas regulados pela legislação municipal e que a fiscalização e o recolhimento desses animais não são atribuições da pasta. Cães de guarda Na tentativa de proteger os rebanhos, produtores têm investido em cães de guarda da raça Maremmano-Abruzzês, conhecida pela defesa de rebanhos. A Polícia Civil orienta que os proprietários afetados registrem boletim de ocorrência. Conforme o diretor da Divisão de Repressão aos Crimes Rurais e de Abigeato (Dicrab), Heleno dos Santos, os responsáveis pelos cães podem responder nas esferas criminal e cível. "O proprietário de um cão que ataca a ovelha, ele pode ser responsabilizado criminalmente. E também na esfera cível, pode vir a ser condenado a uma indenização para a vítima pelos danos causados", afirma Santos. VÍDEOS: Tudo sobre o RS