Por que decisão do Departamento de Guerra dos EUA é um exemplo negativo sobre uso de suplementação hormonal

Escrito em 17/07/2026


A reposição de testosterona pode ser feita por meio de utilização de gel de testosterona ou de forma injetável Adobe Stock Nesta semana, o Secretário da Guerra dos EUA, Pete Hegseth, anunciou a implementação de um novo programa de triagem para "deficiência de testosterona" entre as tropas, classificando-o como necessário para permitir que atuem em seu "desempenho máximo". ➡️A medida ocorre em um momento em que outras autoridades da administração Trump começaram a defender um acesso mais fácil a terapias de reposição de testosterona para homens. (entenda mais abaixo) Mas, diferentemente do que defendem as autoridades norte-americanas, a suplementação desse hormônio não é indicada para todos os homens e o abuso da substância pode causar consequências graves para a saúde. 🩸A testosterona é responsável pelo desenvolvimento das características sexuais: o desenvolvimento do pênis, crescimento dos pelos e aumento da massa muscular. Ela também tem ação no sistema ósseo, garante a libido masculina, ajuda na parte metabólica. Abaixo, nesta reportagem, você entende quem precisa de reposição e quais os riscos da suplementação desnecessária. VEJA TAMBÉM: SUS oferecerá testosterona para homens com deficiência hormonal Quem precisa de reposição de testosterona? A queda gradual da testosterona com a idade é algo comum, mas nem sempre exige reposição. A reposição só é feita depois de um diagnóstico combinado: clínico e laboratorial. Segundo os especialistas, o indivíduo precisa estar com os níveis de testosterona baixos e ter sintomas, como diminuição de desejo, cansaço, fadiga, irritabilidade. "Se o paciente estiver com a testosterona baixa, mas sem sintomas, não indicamos a reposição. Também não indicamos se ele estiver com os sintomas, mas com a testosterona normal. Agora, se ele tem os sintomas e o hormônio está baixo, aí começamos a pensar na reposição", explica o urologista Luiz Otávio Torres. A reposição é indicada quando se constata uma condição chamada hipogonadismo, em que o corpo não consegue produzir testosterona suficiente por conta própria devido a problemas nos testículos ou na glândula pituitária, ou para homens com alguma síndrome genética que afeta a produção de testosterona. O diagnóstico é feito com base em exames de sangue que confirmam níveis consistentemente baixos de testosterona, combinados com sintomas que afetam o bem-estar. LEIA TAMBÉM: 'Departamento de Alta Testosterona': por que os EUA querem monitorar os níveis hormonais de milhares de militares Médicos exploram brecha e seguem vendendo implantes anabolizantes após veto para fins estéticos Já para mulheres, a reposição é indicada para aquelas com diagnóstico de desejo sexual hipoativo (DSH), distúrbio sexual que se caracteriza por uma diminuição ou cessação do desejo sexual por mais de seis meses. No sexo feminino, a testosterona é produzida principalmente nos ovários e nas glândulas adrenais e está disponível em níveis muito mais baixos do que em indivíduos do sexo masculino. O hormônio pode contribuir para a libido, saúde óssea, energia e humor. ⚠️Os especialistas ainda lembram que não há indicação para reposição de testosterona visando o vigor físico ou a estética. Lembrando que os chamados "chips da beleza" são proibidos no Brasil. Riscos da reposição sem indicação A reposição de testosterona, quando bem indicada, pode melhorar muito a qualidade de vida da pessoa. Mas não é recomendado repor um hormônio que não está em falta. Nas mulheres, a reposição sem acompanhamento pode trazer uma série de riscos, como a masculinização (engrossamento da voz e aumento de pelos faciais), além de elevação dos níveis de colesterol e alterações no humor. 👉Já nos homens, o excesso de testosterona está ligado a problemas como: Hipertrofia da musculatura cardíaca Alteração hepática Acne Queda de cabelo Infertilidade na faixa entre 40 e 55 anos de idade Piora do câncer de próstata ou de mama em pacientes com a doença Portanto, a suplementação só deve ser realizada quando os benefícios para a saúde superam os riscos e sempre com orientação. Testes de testosterona nos EUA e facilitação na prescrição As novas triagens para identificar a deficiência de testosterona entre as tropas, anunciadas pelo Departamento de Guerra dos EUA, serão realizadas anualmente como parte dos exames médicos obrigatórios para militares com 30 anos ou mais. Militares com menos de 30 anos poderão se voluntariar para os testes e o Pentágono não especificou quais condições ou doenças seriam o alvo da política. No vídeo de divulgação da iniciativa, Hegseth afirmou que a adesão à terapia de reposição de testosterona seria voluntária. O anúncio de Hegseth ocorre em um momento em que o Secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., e outras autoridades da administração Trump estão tomando medidas para facilitar a prescrição de testosterona por médicos. No mês passado, a FDA (agência reguladora de medicamentos dos EUA) propôs flexibilizar as restrições de prescrição para géis, comprimidos, adesivos e injeções de testosterona. Não só nos EUA, como também no Brasil, o hormônio vem se popularizando nas redes sociais e em clínicas que prometem benefícios como ganho de massa muscular, emagrecimento, aumento de energia, melhora da disposição e rejuvenescimento.