Desfile dos Bonecos Gigantes reúne milhares de foliões no carnaval de Olinda Leonardo Caldas/g1 A prefeitura de Olinda publicou decreto que regulamenta desfile de agremiações em resposta às polêmicas envolvendo grupos de samba e carros de som no Sítio Histórico da cidade. As novas regras tentam solucionar o impasse entre os blocos e os grupos tradicionais que denunciaram a disputa do espaço com as baterias. De acordo com o secretário de Cultura de Olinda, Alexandre Miranda, as diretrizes entram em vigor para o carnaval deste ano, mas após as festas devem passar por reformulação. "Essa regra vem transitória porque, assim que terminar o carnaval, a gente volta a discutir essa pauta. Assim como outros assuntos importantes para o carnaval de Olinda", disse ao g1. ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp O decreto foi publicado na quarta-feira (11), véspera da abertura oficial do carnaval da cidade. O posicionamento da gestão municipal vem após repercussão das declarações dos maestros de algumas das principais orquestras de frevo que tocam em Olinda. Na visão desses regentes, que trabalham há décadas no carnaval, a presença de carros de som, "paredões" e baterias de samba com cordões de isolamento podem descaracterizar o carnaval da cidade. Eles também denunciam que esses grupos, sem regulamentação adequada, dificultam a circulação das troças tradicionais da folia olindense. Veja os vídeos que estão em alta no g1 De acordo com o secretário de Cultura, o debate não acaba com o novo decreto. "Em abril, a prefeitura vai convocar novamente as associações, os grupos culturais, toda a sociedade que se interessa pelo carnaval, para que possamos fazer esse debate mais aprofundado. Então, a gente tem agora um regramento básico para algumas necessidades de grupos da cidade", disse. O secretário também citou que a regulamentação veio para proibir práticas que estavam acontecendo nos últimos anos e dificultavam a fluidez dos desfiles, como: pessoas subirem em carros de som; uso de pirotecnia e fogos ao longo do desfile; membros das baterias entrando nas casas do Sítio Histórico ao longo do trajeto; paradas longas ao longo do desfile, o que atrapalha o fluxo das agremiações que estão nas ruas. Grupo Sambadeiras com 'paredão' de som em cima de carro, nas ladeiras do Sítio Histórico de Olinda Rafael Medeiros/g1 Para Sandro Valongueiro, presidente da Associação das Agremiações de Frevo de Olinda (Afrevo), o decreto funciona com medida emergencial. Ele espera uma nova reunião em abril, além de ajustes nas regras que foram prometidos pela prefeitura. "É isso que a associação do Frevo entende como ideal? Não. Nós, inclusive, só topamos participar e entendemos que esse decreto era válido por duas situações. Uma, porque ele é uma situação, que foi deixado claro pelo município, transitória, emergencial, porque a gente estava a um dia do carnaval. (...) E a outra condição que a gente tratou é que o município assumiu um compromisso público e formal com a gente de (...) discutir isso", disse o presidente da Afrevo ao g1. Ainda segundo Sandro Valongueiro, outros pontos precisam ser tratados para a atualização do decreto. Entre eles estão o controle urbano, a organização do comércio informal, a iluminação das ruas e as condições de conservação das vias por onde os blocos passam. "No ano passado, nós tivemos problemas repetidos, mas mais agravados. Como o Desfile dos Bonecos Gigantes de Olinda, que é uma das principais atrações culturais do carnaval e da cidade. Ele não pôde passar, depois de 36 anos, na frente da prefeitura, porque existiam paredões de som que não abriam para eles passarem", lembrou Sandro. O presidente da Afrevo também ressaltou que essa disputa não é uma afronta aos demais ritmos que compõem o carnaval de Olinda, mas é uma exigência para que ocorre uma melhor fluidez da festa para todos os brincantes. Inclusive, a associação que representa o frevo publicou uma nota conjunta com a Associação Carnavalesca de Samba de Olinda (Acaso). No texto, publicado nos perfis do Instagram das associações, os grupos pontuam que o diálogo com a prefeitura de Olinda "representa um passo em direção à construção de acordos que considerem as especificidades de cada manifestação cultural e a preservação do patrimônio material e imaterial de Olinda". O que muda com novo decreto O decreto determina que grupos devem pedir autorização para circular com carros de som e prevê multa para quem descumprir regras. Confira tópicos do regulamento: multa de R$ 10 mil para grupos que impedirem ou dificultarem a passagem de agremiações como troças, blocos de frevo, maracatus e afoxés; é permitindo a utilização de carros de som no Sítio Histórico, mas com autorização prévia da prefeitura. Os solicitações devem ser feitas até sexta-feira (13); decreto não menciona os cordões de isolamento usados pelas baterias, prática criticada pelos blocos tradicionais da cidade; as "passarelas naturais da folia" terão prioridade para a circulação das pessoas e, de modo especial, das agremiações tradicionais do carnaval; o grupo que utilizar equipamentos é obrigado a reduzir o volume do som quando uma agremiação tradicional se aproximar; grupos também devem manter, ao menos, 50 metros de distância de equipamentos de diferentes agremiações, "evitando sobreposição e poluição sonora"; veículos que transporam "paredões" de som podem circular em velocidade de até 10 quilômetros por hora. Porém, é proibido que pessoas subam, permaneçam ou circulem sobre o automóvel ou sobre a estrutura sonora; é proibido o uso de fogos de artifício, artefatos pirotécnicos ou similares, bem como paradas prolongadas ao longo do percurso. Mesmo com a autorização de aparelhos de som acompanhando os grupos, eles não podem: impedir, retardar ou dificultar a evolução das agremiações tradicionais; comprometer a fluidez da circulação nas passarelas naturais; gerar obstrução física ou sonora incompatível com a preservação do caráter tradicional da festa. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias
O que muda no carnaval de Olinda após decreto regulamentar desfile de agremiações e baterias
Escrito em 13/02/2026
Desfile dos Bonecos Gigantes reúne milhares de foliões no carnaval de Olinda Leonardo Caldas/g1 A prefeitura de Olinda publicou decreto que regulamenta desfile de agremiações em resposta às polêmicas envolvendo grupos de samba e carros de som no Sítio Histórico da cidade. As novas regras tentam solucionar o impasse entre os blocos e os grupos tradicionais que denunciaram a disputa do espaço com as baterias. De acordo com o secretário de Cultura de Olinda, Alexandre Miranda, as diretrizes entram em vigor para o carnaval deste ano, mas após as festas devem passar por reformulação. "Essa regra vem transitória porque, assim que terminar o carnaval, a gente volta a discutir essa pauta. Assim como outros assuntos importantes para o carnaval de Olinda", disse ao g1. ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp O decreto foi publicado na quarta-feira (11), véspera da abertura oficial do carnaval da cidade. O posicionamento da gestão municipal vem após repercussão das declarações dos maestros de algumas das principais orquestras de frevo que tocam em Olinda. Na visão desses regentes, que trabalham há décadas no carnaval, a presença de carros de som, "paredões" e baterias de samba com cordões de isolamento podem descaracterizar o carnaval da cidade. Eles também denunciam que esses grupos, sem regulamentação adequada, dificultam a circulação das troças tradicionais da folia olindense. Veja os vídeos que estão em alta no g1 De acordo com o secretário de Cultura, o debate não acaba com o novo decreto. "Em abril, a prefeitura vai convocar novamente as associações, os grupos culturais, toda a sociedade que se interessa pelo carnaval, para que possamos fazer esse debate mais aprofundado. Então, a gente tem agora um regramento básico para algumas necessidades de grupos da cidade", disse. O secretário também citou que a regulamentação veio para proibir práticas que estavam acontecendo nos últimos anos e dificultavam a fluidez dos desfiles, como: pessoas subirem em carros de som; uso de pirotecnia e fogos ao longo do desfile; membros das baterias entrando nas casas do Sítio Histórico ao longo do trajeto; paradas longas ao longo do desfile, o que atrapalha o fluxo das agremiações que estão nas ruas. Grupo Sambadeiras com 'paredão' de som em cima de carro, nas ladeiras do Sítio Histórico de Olinda Rafael Medeiros/g1 Para Sandro Valongueiro, presidente da Associação das Agremiações de Frevo de Olinda (Afrevo), o decreto funciona com medida emergencial. Ele espera uma nova reunião em abril, além de ajustes nas regras que foram prometidos pela prefeitura. "É isso que a associação do Frevo entende como ideal? Não. Nós, inclusive, só topamos participar e entendemos que esse decreto era válido por duas situações. Uma, porque ele é uma situação, que foi deixado claro pelo município, transitória, emergencial, porque a gente estava a um dia do carnaval. (...) E a outra condição que a gente tratou é que o município assumiu um compromisso público e formal com a gente de (...) discutir isso", disse o presidente da Afrevo ao g1. Ainda segundo Sandro Valongueiro, outros pontos precisam ser tratados para a atualização do decreto. Entre eles estão o controle urbano, a organização do comércio informal, a iluminação das ruas e as condições de conservação das vias por onde os blocos passam. "No ano passado, nós tivemos problemas repetidos, mas mais agravados. Como o Desfile dos Bonecos Gigantes de Olinda, que é uma das principais atrações culturais do carnaval e da cidade. Ele não pôde passar, depois de 36 anos, na frente da prefeitura, porque existiam paredões de som que não abriam para eles passarem", lembrou Sandro. O presidente da Afrevo também ressaltou que essa disputa não é uma afronta aos demais ritmos que compõem o carnaval de Olinda, mas é uma exigência para que ocorre uma melhor fluidez da festa para todos os brincantes. Inclusive, a associação que representa o frevo publicou uma nota conjunta com a Associação Carnavalesca de Samba de Olinda (Acaso). No texto, publicado nos perfis do Instagram das associações, os grupos pontuam que o diálogo com a prefeitura de Olinda "representa um passo em direção à construção de acordos que considerem as especificidades de cada manifestação cultural e a preservação do patrimônio material e imaterial de Olinda". O que muda com novo decreto O decreto determina que grupos devem pedir autorização para circular com carros de som e prevê multa para quem descumprir regras. Confira tópicos do regulamento: multa de R$ 10 mil para grupos que impedirem ou dificultarem a passagem de agremiações como troças, blocos de frevo, maracatus e afoxés; é permitindo a utilização de carros de som no Sítio Histórico, mas com autorização prévia da prefeitura. Os solicitações devem ser feitas até sexta-feira (13); decreto não menciona os cordões de isolamento usados pelas baterias, prática criticada pelos blocos tradicionais da cidade; as "passarelas naturais da folia" terão prioridade para a circulação das pessoas e, de modo especial, das agremiações tradicionais do carnaval; o grupo que utilizar equipamentos é obrigado a reduzir o volume do som quando uma agremiação tradicional se aproximar; grupos também devem manter, ao menos, 50 metros de distância de equipamentos de diferentes agremiações, "evitando sobreposição e poluição sonora"; veículos que transporam "paredões" de som podem circular em velocidade de até 10 quilômetros por hora. Porém, é proibido que pessoas subam, permaneçam ou circulem sobre o automóvel ou sobre a estrutura sonora; é proibido o uso de fogos de artifício, artefatos pirotécnicos ou similares, bem como paradas prolongadas ao longo do percurso. Mesmo com a autorização de aparelhos de som acompanhando os grupos, eles não podem: impedir, retardar ou dificultar a evolução das agremiações tradicionais; comprometer a fluidez da circulação nas passarelas naturais; gerar obstrução física ou sonora incompatível com a preservação do caráter tradicional da festa. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias