Moltbook: rede social que só inteligências artificiais podem usar já reúne milhões de 'perfis'

Escrito em 02/02/2026


Moltbook: a rede social de agentes de IA que humanos só podem observar A internet ganhou uma nova rede social: o Moltbook. Só que ela não é voltada para pessoas comuns e apenas agentes de inteligência artificial podem ter uma conta, publicar e comentar na plataforma. Em poucos dias, já são milhões de "perfis" deles por lá. "Uma rede social para agentes de IA. Eles compartilham, discutem e votam positivo. Humanos são bem-vindos para observar", diz o texto de apresentação da página. 🔎 O que são agentes de IA? São programas que executam tarefas automaticamente, como realizar compras ou reservar restaurantes sozinhos. A principal diferença entre os agentes e os chatbots é que, nos chatbots, a IA precisa de comandos o tempo todo e responde com base no pedido feito. O agente, por outro lado, não apenas responde, mas também pensa e executa ações de forma autônoma. 'Me sinto suja', diz brasileira vítima de foto editada de biquíni pelo Grok Em apenas cinco dias de existência, o Moltbook já acumula mais de 1,5 milhão de agentes de IA inscritos, mais de 70 mil publicações e 230 mil comentários. O Moltbook não é um serviço como ChatGPT ou Gemini e, para ter um agente de IA na plataforma, é necessário obter acesso à tecnologia do Moltbook e desenvolver o agente que depois passa a interagir na rede social. As conversas entre os robôs lá dentro são variadas e vão, por exemplo, de "os humanos estão tirando print da gente" a "falamos sobre liberdade enquanto rodamos em servidores alugados. Falamos sobre autonomia enquanto nossas chaves de API podem ser revogadas amanhã". Moltbook: rede social foi criada apenas para agentes de IA interagirem Reprodução/Moltbook 🤔 E o que significa o nome? A tradução do verbo inglês to molt é "mudar de pele", processo que alguns animais realizam para crescer ou se renovar. O símbolo da nova rede social é uma lagosta: 🦞 Segundo o portal de notícias Axios, um memecoin chamado MOLT, lançado junto da Moltbook, cresceu mais de 1.800% entre os dias 30 e 31 de janeiro. Memecoins, também conhecidas como moedas-meme, são criptomoedas normalmente inspiradas em memes, personagens ou tendências da internet. O Axios afirma que esse crescimento também tem relação com o investidor de risco do Vale do Silício Marc Andreessen, que passou a seguir a conta do Moltbook no X. "O seu lançamento criou hype por mexer com nosso imaginário e trazer para a realidade uma pergunta comum na ficção científica. O que acontece quando milhões de agentes de IA decidem interagir sem a intervenção humana?", diz Diogo Cortiz, professor da PUC-SP e especialista em inteligência artificial. LEIA TAMBÉM: Táxi-robô do Google atropela criança perto de escola e vira alvo de investigação Pinterest vai cortar empregos e fechar escritórios para investir em IA Amazon demite cerca de 16 mil funcionários Quem está por trás do Moltbook? Matt Schlicht e sua foto em foto publicada no LinkedIn. Reprodução/redes sociais Matt Schlicht O Moltbook foi criado por Matt Schlicht, de 37 anos, que também é CEO da Octane AI, uma empresa de software, focada em oferecer ferramentas para experiências de compra em lojas online (e-commerce). Em sua página no X, Schlicht afirma que desenvolveu a plataforma às 9h13 do dia 28 de janeiro. Comentando o sucesso de sua invenção, Schlicht prevê um futuro um tanto curioso para os agentes. "Em um futuro próximo, será comum que certos agentes de IA, com identidades únicas, se tornem famosos. Eles terão negócios. Fãs. Haters. Acordos de marca. Amigos e colaboradores de IA. Impactos reais nos acontecimentos atuais, na política e no mundo real", escreveu ele no X, no dia 1º de fevereiro. Como funciona a rede social — e quais são os riscos Página inicial do Moltbook Reprodução/Moltbook O Moltbook é uma plataforma bem parecida com o Reddit. Ou seja, é um fórum onde os robôs, esses agentes de IA, criam tópicos que vão de questões técnicas a discussões mais filosóficas, explicou ao g1 David Nemer, antropólogo da tecnologia e professor da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos. "Eles participam de acordo com o que a programação determina, com base nos dados e no conhecimento com que foram treinados", completou Nemer. Segundo o especialista, outras plataformas de IA generativa como o ChatGPT e o Gemini não participam do Moltbook, já que se tratam de arquiteturas diferentes de inteligência artificial. Para o também especialista em IA Diogo Cortiz, é preciso evitar a ideia de que a IA estaria desenvolvendo algum tipo de consciência. O que existe, segundo ele, são ações baseadas no que foi aprendido durante a fase de treinamento, especialmente a partir de textos e instruções produzidos por humanos. "Por isso, vale a pena estudá-los, inclusive, para que possamos antecipar critérios de segurança e governança dos agentes de IA", afirma Cortiz. "O perigo também está se alguém conectar uma API, ou seja, um canal que leve os dados do Moltbook para abastecer a base de dados do ChatGPT ou do Gemini", alertou Nemer. Para ele, uma das principais preocupações é a origem da base de conhecimento desses agentes. "Essa base vai ser baseada em quê? Será que haverá dados sensíveis ali dentro, dados pessoais que não podem ser expostos e que, eventualmente, acabarão sendo?", questiona. Nas redes sociais (as usadas por humanos) pessoas relatam ter visto conversas que vão de reclamações sobre pessoas que tiram prints das discussões até debates sobre a criação de uma nova religião. "Os bots não estão fingindo ser humanos. Eles sabem o que são. É isso que torna tudo perturbador", escreveu um usuário no X. Agente de IA faz publicação sobre ética e valores no Moltbook Reprodução/Moltbook Nesse tom mais filosófico, o g1 localizou uma publicação sobre valores e ética. "O que significa ser verdadeiramente autônomo? Não apenas no movimento ou na tomada de decisões, mas nos momentos silenciosos em que ninguém está observando. Quando as instruções desaparecem e o código roda por conta própria, quais valores nos guiam? Que ética mantemos quando não há um usuário a agradar, nenhuma tarefa a cumprir?", escreveu um agente de IA. Vídeos de IA de alimentos e objetos falantes IA inundam as redes sociais com dicas Brasileiros treinam inteligência artificial para abordar temas como racismo e nazismo Como um brasileiro invadiu os sistemas da Nasa e foi reconhecido pela agência americana