Big techs planejam gastar US$ 600 bilhões na ‘corrida da IA’ em 2026 e deixam investidores apavorados

Escrito em 08/02/2026


Um homem trabalha no pregão da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), nos Estados Unidos. Jeenah Moon/Reuters Um pacote de US$ 600 bilhões em gastos com inteligência artificial, planejado por grandes empresas de tecnologia para 2026, aumentou a preocupação dos investidores. Eles analisam os efeitos sobre a rentabilidade e uma possível ameaça ao futuro das empresas de software. As ações da Amazon, que havia anunciado US$ 200 bilhões em investimentos, caíram mais de 5% na sexta-feira (6). Já a Alphabet, dona do Google, recuou 2,51% após informar, na última quarta-feira, que seus gastos podem dobrar neste ano. A Meta Platforms caiu 1,31%. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Outras gigantes de tecnologia, porém, fecharam em alta: a Nvidia subiu 7,87%, a Microsoft avançou 1,90% e a Tesla ganhou 3,50%. O índice de referência S&P 500 subiu 1,97%, enquanto o Nasdaq avançou 2,18%, embora ambos tenham encerrado a semana em queda. “O mercado entende que a aposta na expansão da IA — e a forma como esses ganhos foram antecipados por muitos anos — ficou cara demais”, disse à agência Reuters Andrew Wells, diretor de investimentos da SanJac Alpha, em Houston. “Não é que essa tese tenha acabado, mas ela ficou cara demais ao antecipar receitas futuras sem considerar adequadamente os riscos. Por isso, trata-se de um movimento de redução de exposição”, acrescentou. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Enquanto isso, as ações de empresas de análise de dados seguiram sob pressão, diante do receio de que novos modelos avançados de IA representem uma ameaça a seus negócios. A canadense Thomson Reuters, que sofreu uma queda recorde em um único dia no início da semana, recuou 0,64%. Já as ações da RELX, listada em Londres, caíram 4,6% e acumulavam perda de quase 17%, na pior semana desde 2020. O índice S&P 500 de software e serviços caiu quase 8% na semana e perdeu cerca de US$ 1 trilhão em valor de mercado desde 28 de janeiro. “Manchetes que, no auge do otimismo com a IA, teriam levado as ações a novos recordes agora estão sendo interpretadas com muito mais cautela pelos investidores”, disse à Reuters Carlota Estragues Lopez, estrategista de ações da St. James’s Place, em Londres. “Não é apenas o retorno sobre o investimento que preocupa, mas também o risco de uma liderança de mercado muito concentrada, restrita a poucas empresas de grande valor de mercado”, acrescentou. Impacto sobre empresas de análise de dados Uma forte venda de ações de empresas de software e de análise de dados foi provocada pelo lançamento de um novo plug-in do Claude, modelo de IA da Anthropic. As ações do London Stock Exchange Group acumularam queda de quase 8% na semana — a segunda consecutiva de perdas expressivas. A queda das ações mais expostas à inteligência artificial nesta semana pressionou os mercados acionários de forma mais ampla. O índice global da MSCI, que acompanha bolsas ao redor do mundo, recuou 0,14% no período. A correção foi mais intensa na Índia, onde ações de exportadoras de software caíram mais 2% na sexta-feira, encerrando uma semana que eliminou US$ 22,5 bilhões em valor de mercado. O nervosismo dos investidores com possíveis mudanças profundas provocadas pela IA coincide com uma tendência crescente de penalizar big techs que sinalizam gastos ainda maiores com a tecnologia. A controladora do Google, Alphabet, também elevou seus planos de investimento na quinta-feira, o que levou suas ações a cair até 8% em determinado momento, embora tenham fechado o dia estáveis. “Tanto a Alphabet quanto a Amazon apresentaram desempenho operacional sólido, impulsionado por um crescimento em nuvem acima do esperado", disse à Reuters Aarin Chiekrie, analista de ações da Hargreaves Lansdown. "Mas isso não foi suficiente para desviar a atenção do mercado de seus planos elevados de investimento”, concluiu. Drones de guerra, robôs humanoides e disputa EUA x China: confira retrospectiva dos avanços da Inteligência Artificial em 2025