Robôs que salvam vidas e arrumam a casa

Escrito em 17/02/2026


Esqueça por um instante a imagem recorrente dos robôs, a de geringonças de aparência inspirada nos humanos. Na verdade, no futuro eles estarão entre nós de formas e tamanhos dos mais variados. Pesquisadores da Universidade Stanford, na Califórnia, estão desenvolvendo milli-bots (micro-robôs em escala milimétrica) que desobstruem vasos sanguíneos. Com um movimento giratório único, eles podem mudar a forma como os acidentes vasculares cerebrais (derrames) são tratados. O milli-spinner magnético, do tamanho de um grão de arroz, é inserido na corrente sanguínea para romper redes de fibrina que prendem os glóbulos vermelhos e formam coágulos fatais. Droide Gitamini: pesquisadores trabalham para que se torne um acompanhante atento para humanos Divulgação Nos Estados Unidos, alguém sofre um AVC a cada 40 segundos, tornando-o uma das principais causas de morte – e quase três quartos dos derrames ocorrem em indivíduos com mais de 65 anos. No Brasil, estima-se que, a cada 6,5 minutos, uma pessoa morre em decorrência de um AVC. Como o milli-spinner não possui fios e é controlado magneticamente, os pesquisadores afirmam que é pelo menos duas vezes mais eficaz do que os tratamentos atuais. O Stanford Robotics Center (Centro de Robótica de Stanford) reúne especialistas de diferentes áreas: bioengenharia, ciência da computação e medicina, entre outras. O que vem sendo desenvolvido ali tem o potencial de reformular o futuro do envelhecimento. A mobilidade é um pilar da robótica voltada para a longevidade, pois atividades como caminhar reduzem a gravidade de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e declínio cognitivo. Em 2022, o Laboratório de Biomecatrônica de Stanford introduziu um protótipo de exosqueleto portátil, que se assemelha a uma bota da panturrilha ao tornozelo, capaz de se adaptar à marcha da pessoa. Os pesquisadores agora se dedicam a um droide companheiro para incentivar hábitos saudáveis. “Estamos interessados em como os robôs podem ajudar no que chamaríamos de robótica do bem-estar”, afirmou Michelle Baldonado, engenheira do centro, em entrevista a uma publicação da instituição. Isso inclui de companheiros para combater a solidão aos que o incentivam a prática de atividade física. O droide Gitamini se assemelha a um balde de design caprichado com rodas, que carrega livros e mantimentos, projetado para seguir seu companheiro humano “de forma intuitiva e educada”. Seu fabricante, a Piaggio Fast Forward, liberou para Stanford acesso à tecnologia, permitindo que os pesquisadores modificassem o Gitamini e adicionassem uma tela com ChatGPT presa a uma haste no corpo da máquina. Baldonado o chamou de Rosie, em homenagem à mãe, para simular uma amiga falante. O droide está sendo programado para dar avisos sobre desníveis e rachaduras nas calçadas, sugerir rotas alternativas e aconselhar pausas para o descanso se o equilíbrio da pessoa parecer instável. A pesquisa também se volta para o ambiente doméstico. O TidyBot é um robô com um braço motorizado e garras, que funciona por meio de visão computacional e inteligência artificial. Ele identifica objetos cotidianos, como pratos e roupas sujas, recolhendo-os e colocando-os em gavetas ou cestos. Em testes reais, organizou 85% dos itens que encontrou. Como ocorre com toda nova tecnologia, a tendência é que o alto custo inicial diminua com o aumento de produção. O mais importante: são iniciativas com o objetivo de prolongar a saúde, proporcionar maior independência e dignidade para as pessoas à medida que envelhecem. O TidyBot tem braço motorizado e garras para ajudar na organização doméstica Divulgação