BRB aciona STF para receber recursos do Banco Master entregues ao liquidante do banco

Escrito em 03/03/2026


Presidente do BRB passa o dia em reunião fechada na CLDF O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, afirmou nesta segunda-feira (2) que acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar recuperar o fluxo financeiro das carteiras de crédito que o BRB comprou do Banco Master. Com a liquidação extrajudicial do Banco Master, definida pelo Banco Central, os bens que estavam sob titularidade do Master passaram às mãos de um liquidante – um responsável por encerrar as atividades do banco e quitar os compromissos pendentes. "Entramos com uma ação junto ao STF para que todo o fluxo financeiro das carteiras que estão no BRB e foram adquiridas no Master, que está indo para o liquidante. Que esse fluxo financeiro venha para nós. E as carteiras que estão ainda em posse do liquidante, que forem oriundas do Banco Master, também venham para nós", explicou Nelson Souza em entrevista. "Isso nos dá liquidez, com certeza nós estamos somando esse número. Nós temos que ter esse contato com o liquidante – já tivemos presencialmente, mas nós achamos por bem entrarmos com uma petição junto ao Supremo Tribunal Federal", emendou. Se o STF determinar o repasse, esses recursos podem ajudar o BRB a cobrir o rombo deixado em seu patrimônio pelas transações malsucedidas com o Banco Master. O déficit gerado por essa confusão é estimado em R$ 8 bilhões. "Fomos bastante conservadores na definição desse valor. Tem uma auditoria do Banco Central, uma auditoria independente e tem todos os órgãos de controle e reguladores acompanhando. Em todos eles, a provisão é de aproximadamente R$ 8 bilhões e o aporte de capital, na faixa máxima de R$ 6,6 bilhões", afirmou. As declarações foram dadas após uma reunião de mais de nove horas entre Nelson Souza e deputados da Câmara Legislativa do Distrito Federal. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. O governo do DF tenta o aval dos distritais para repassar nove imóveis ao BRB e usar o valor desses lotes – estimado em cerca de R$ 6,6 bilhões – para recompor o patrimônio do banco, danificado pelo caso Master. Apesar de longa, a reunião terminou com críticas de deputados de oposição e aliados ao governo Ibaneis Rocha (MDB). Segundo os parlamentares, ainda há lacunas não respondidas sobre os valores e o uso desses imóveis. A votação do projeto nesta semana ainda é dúvida. Sede do Banco BRB Getty Images via BBC De onde vem esse rombo? Entre 2024 e 2025, o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Master. Desses, segundo a Polícia Federal, pelo menos R$ 12,2 bilhões envolvem operações em que há fortes indícios de fraude. Há dúvidas, inclusive, sobre o verdadeiro valor dos ativos comprados pelo BRB. Com a liquidação do Master, boa parte desses ativos foi retida e nem sequer passou a integrar o patrimônio do banco distrital. ➡️Ao longo de meses, o BRB tentou fechar um acordo para comprar o Banco Master. A operação tinha o apoio do governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), mas foi barrada pelo Banco Central. ➡️O Ministério Público Federal identificou "indícios de participação consciente dos dirigentes do BRB no suposto esquema fraudulento engendrado pelos gestores do Banco Master". ➡️ Nelson Antônio de Souza assumiu o BRB após a operação Compliance Zero, em novembro de 2025, mirar o então presidente do banco, Paulo Henrique Costa. A atual gestão do BRB e uma auditoria independente seguem investigando a situação interna da instituição. Presidente do BRB se reúne com deputados distritais para defender projeto que reforça caixa do banco GDF tem pressa para votar Se houver acordo, o projeto de lei sobre o uso dos imóveis para reforçar o capital do BRB pode ser pautado para votação nesta terça (3). Deputados de oposição e até aliados de Ibaneis, no entanto, vêm expressando resistência ao tema. Do ponto de vista dos parlamentares de oposição, o projeto é visto como uma manobra para "salvar o calendário eleitoral" dos agentes políticos — Ibaneis Rocha, Celina Leão e aliados —, e não para salvar o patrimônio do BRB. O governo Ibaneis esperava ter aprovado o projeto ainda em fevereiro. Quanto maior o "atraso", mais complicadas ficam as condições do BRB para captar dinheiro no mercado financeiro. 🔎 O governador Ibaneis nunca enfrentou dificuldades para aprovar os projetos que enviou à Câmara Legislativa desde que assumiu o Palácio do Buriti, em 2019. 🔎 O texto sobre os imóveis é visto como "teste" para saber o quanto o escândalo do Banco Master abalou o apoio de Ibaneis junto a seus aliados. Assembleia de acionistas Enquanto aguarda o aval da Câmara Legislativa para usar esses imóveis, o BRB já convocou uma assembleia de acionistas para "incorporar" esses valores ao patrimônio. A reunião virtual está marcada para 18 de março. A proposta que será levada aos investidores prevê emitir até 1,67 bilhão de ações ordinárias para captar dinheiro no mercado e reforçar o patrimônio da instituição. 💰Com essa emissão, o BRB espera aumentar o próprio capital social do banco em, no mínimo R$ 529 milhões – e, no máximo, R$ 8,86 bilhões de reais. 💰Hoje, o capital social do BRB é de R$ 2,34 bilhões. Ou seja: se conseguir captar o montante máximo, o BRB passaria a um capital de R$ 11,2 bilhões – cifra quase quatro vezes maior que o valor atual. ➡️No início de fevereiro, o BRB entregou ao Banco Central um "plano preventivo" com medidas para recompor seu patrimônio e evitar o descumprimento de regras de solidez do mercado financeiro brasileiro.️ O documento é mantido sob sigilo. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.