Cine Brasília Arquivo Público do DF O mais antigo cinema de rua do país também é a casa do mais antigo festival de cinema brasileiro. O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro chega à sua 59ª edição, no Cine Brasília, entre desafios orçamentários e o resgate do público para o cinema nacional. Criado em 1965, o festival atravessou a ditadura militar, enfrentou censura, revelou e premiou grandes nomes do cinema brasileiro e se tornou patrimônio imaterial do Distrito Federal. A noite de abertura do festival foi nesta sexta-feira (11) e, neste sábado (12), o festival dá início à Mostra Competitiva no Cine Brasília. A programação segue até o dia 19 de setembro e também terá sessões em outras regiões do DF. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Para a diretora-geral do festival e do Cine Brasília, Sara Rocha, espaços como esses ainda têm grande destaque pela experiência que proporcionam. "Nada substitui a liturgia de você assistir a um filme numa sala de cinema, por mais que você tenha acesso a catálogos de obras, em plataformas de streaming, para você consumir numa TV ou num laptop [...] é absolutamente distinta a experiência de você estar numa sala de cinema escura, com som, com uma tela grande, onde você tem uma experiência muito mais imersiva", explica. ➡️Neste ano, uma série de incertezas marcou a realização da 59ª edição do Festival. Após o evento ser cancelado por falta de verba, o governo do DF efetivou o pagamento da primeira parcela dos recursos, e a realização do festival foi confirmada. ➡️O g1 e a TV Globo mostraram que a organização social contratada e mais de 40 pessoas envolvidas na produção estavam sem receber. Veja abaixo: Festival de Cinema sob risco: equipe está sem receber salários Quase seis décadas de história Há 61 anos, a 1ª Semana do Cinema Brasileiro foi idealizada por uma comissão dirigida pelo professor e idealizador do curso de cinema da Universidade de Brasília (UnB), Paulo Emílio Salles Gomes. A primeira edição estreou premiando nomes como Arnaldo Jabor, com o curta "O circo", e Fernanda Montenegro, em seu primeiro filme da carreira, por sua atuação em "A falecida". Fernanda Montenegro no filme 'A falecida' de 1965, baseado na obra de Nelson Rodrigues Reprodução Resistência e Cultura Em 1967, a Semana se tornou o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Intensamente político, o espaço reunia diplomatas, jornalistas e críticos de cinema para premiações e debates, o que o tornou alvo da ditadura militar (1964-1985). Já como festival, em 1971, em plena ditadura, o documentário "O país de São Saruê", do cineasta Vladimir Carvalho, foi censurado e substituído pelo filme "Brasil bom de bola", de Carlos Niemeyer. Vaiado pelo público, o episódio aumentou a tensão com o regime e fez com que o festival vivesse sua única pausa, entre 1972 e 1974. O evento retornou apenas em 1975. Títulos premiados e reconhecimentos históricos Entre outros momentos históricos estão o primeiro prêmio da atriz e cantora Zezé Motta por "Xica da Silva", em 1976; e o prêmio de melhor filme para "A Hora da Estrela", em 1985, baseado no clássico de Clarice Lispector; além da última aparição pública do ator Grande Otelo. A história do cinema nacional está inscrita no festival que, desde 2007, é considerado patrimônio imaterial do Distrito Federal. Zezé Motta como Chica da Silva em filme de Cacá Diegues, em 1976. BBC Referência na indústria e do público Em 2026, o Festival de Brasília de Cinema Brasileiro contará com mais 70 produções. Nas últimas edições, mais de 35 mil expectadores passaram pelo festival. Mas o evento também tem o papel de debater a indústria do cinema brasileiro com masterclasses, encontros e oficinas. O ambiente de ideais ajuda a discutir o futuro do audiovisual, como comenta Sara Rocha. "[O festival] É essa grande ágora, historicamente, onde o setor audiovisual se reúne para debater e decantar todo o debate relativo às políticas públicas", explica. Ela também destaca o papel que o Cine Brasília e o Festival têm para a cultura do Distrito Federal. "O que de fato defende o cinema brasileiro e o festival hoje é a comunidade cultural, audiovisual e a sociedade civil de uma maneira mais ampla", completa. Fachada Cine Brasília Agência Brasília Novos desafios Desde a ditadura militar, o festival não parou. Mesmo na pandemia, houve sessões online. Os desafios mais recentes, no entanto, são orçamentários. O diretor de produção do festival, Henrique Rocha, destaca as dificuldades logísticas que a incerteza da realização causou. "A gente iniciou os trabalhos do festival esse ano em março [...] e desde então equipes começaram a trabalhar. E a gente só veio receber esse recurso no mês passado. Então, foi bem difícil esse tempo todo com a equipe trabalhando e com esse nível de incerteza", destaca. Apesar das incertezas, a diretora-geral do festival afirma que o evento está dentro do cronograma. Para ela, a repercussão na mídia e entre o público foi fundamental. "Foi agraciado pela sociedade civil, pelas entidades, pela própria imprensa, pelos realizadores e realizadores do Brasil inteiro. A gente conseguiu a manutenção das condições necessárias para realizar uma belíssima 59ª edição desse festival", comenta Sara Rocha. Não só o festival, mas também o Cine Brasília teve dificuldades. Em julho deste ano, houve o atraso do repasse semestra do governo do Distrito Federal. À época, os gestores afirmaram que a situação já afetava o pagamento de funcionários e fornecedores, portanto, poderia comprometer o funcionamento do cinema. RELEMBRE: Cine Brasília, último cinema de rua do DF e maior do Brasil, pode fechar as portas por falta de verba Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.
Conheça a história do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que chega à 59ª edição após crise orçamentária
Escrito em 12/09/2026
Cine Brasília Arquivo Público do DF O mais antigo cinema de rua do país também é a casa do mais antigo festival de cinema brasileiro. O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro chega à sua 59ª edição, no Cine Brasília, entre desafios orçamentários e o resgate do público para o cinema nacional. Criado em 1965, o festival atravessou a ditadura militar, enfrentou censura, revelou e premiou grandes nomes do cinema brasileiro e se tornou patrimônio imaterial do Distrito Federal. A noite de abertura do festival foi nesta sexta-feira (11) e, neste sábado (12), o festival dá início à Mostra Competitiva no Cine Brasília. A programação segue até o dia 19 de setembro e também terá sessões em outras regiões do DF. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Para a diretora-geral do festival e do Cine Brasília, Sara Rocha, espaços como esses ainda têm grande destaque pela experiência que proporcionam. "Nada substitui a liturgia de você assistir a um filme numa sala de cinema, por mais que você tenha acesso a catálogos de obras, em plataformas de streaming, para você consumir numa TV ou num laptop [...] é absolutamente distinta a experiência de você estar numa sala de cinema escura, com som, com uma tela grande, onde você tem uma experiência muito mais imersiva", explica. ➡️Neste ano, uma série de incertezas marcou a realização da 59ª edição do Festival. Após o evento ser cancelado por falta de verba, o governo do DF efetivou o pagamento da primeira parcela dos recursos, e a realização do festival foi confirmada. ➡️O g1 e a TV Globo mostraram que a organização social contratada e mais de 40 pessoas envolvidas na produção estavam sem receber. Veja abaixo: Festival de Cinema sob risco: equipe está sem receber salários Quase seis décadas de história Há 61 anos, a 1ª Semana do Cinema Brasileiro foi idealizada por uma comissão dirigida pelo professor e idealizador do curso de cinema da Universidade de Brasília (UnB), Paulo Emílio Salles Gomes. A primeira edição estreou premiando nomes como Arnaldo Jabor, com o curta "O circo", e Fernanda Montenegro, em seu primeiro filme da carreira, por sua atuação em "A falecida". Fernanda Montenegro no filme 'A falecida' de 1965, baseado na obra de Nelson Rodrigues Reprodução Resistência e Cultura Em 1967, a Semana se tornou o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Intensamente político, o espaço reunia diplomatas, jornalistas e críticos de cinema para premiações e debates, o que o tornou alvo da ditadura militar (1964-1985). Já como festival, em 1971, em plena ditadura, o documentário "O país de São Saruê", do cineasta Vladimir Carvalho, foi censurado e substituído pelo filme "Brasil bom de bola", de Carlos Niemeyer. Vaiado pelo público, o episódio aumentou a tensão com o regime e fez com que o festival vivesse sua única pausa, entre 1972 e 1974. O evento retornou apenas em 1975. Títulos premiados e reconhecimentos históricos Entre outros momentos históricos estão o primeiro prêmio da atriz e cantora Zezé Motta por "Xica da Silva", em 1976; e o prêmio de melhor filme para "A Hora da Estrela", em 1985, baseado no clássico de Clarice Lispector; além da última aparição pública do ator Grande Otelo. A história do cinema nacional está inscrita no festival que, desde 2007, é considerado patrimônio imaterial do Distrito Federal. Zezé Motta como Chica da Silva em filme de Cacá Diegues, em 1976. BBC Referência na indústria e do público Em 2026, o Festival de Brasília de Cinema Brasileiro contará com mais 70 produções. Nas últimas edições, mais de 35 mil expectadores passaram pelo festival. Mas o evento também tem o papel de debater a indústria do cinema brasileiro com masterclasses, encontros e oficinas. O ambiente de ideais ajuda a discutir o futuro do audiovisual, como comenta Sara Rocha. "[O festival] É essa grande ágora, historicamente, onde o setor audiovisual se reúne para debater e decantar todo o debate relativo às políticas públicas", explica. Ela também destaca o papel que o Cine Brasília e o Festival têm para a cultura do Distrito Federal. "O que de fato defende o cinema brasileiro e o festival hoje é a comunidade cultural, audiovisual e a sociedade civil de uma maneira mais ampla", completa. Fachada Cine Brasília Agência Brasília Novos desafios Desde a ditadura militar, o festival não parou. Mesmo na pandemia, houve sessões online. Os desafios mais recentes, no entanto, são orçamentários. O diretor de produção do festival, Henrique Rocha, destaca as dificuldades logísticas que a incerteza da realização causou. "A gente iniciou os trabalhos do festival esse ano em março [...] e desde então equipes começaram a trabalhar. E a gente só veio receber esse recurso no mês passado. Então, foi bem difícil esse tempo todo com a equipe trabalhando e com esse nível de incerteza", destaca. Apesar das incertezas, a diretora-geral do festival afirma que o evento está dentro do cronograma. Para ela, a repercussão na mídia e entre o público foi fundamental. "Foi agraciado pela sociedade civil, pelas entidades, pela própria imprensa, pelos realizadores e realizadores do Brasil inteiro. A gente conseguiu a manutenção das condições necessárias para realizar uma belíssima 59ª edição desse festival", comenta Sara Rocha. Não só o festival, mas também o Cine Brasília teve dificuldades. Em julho deste ano, houve o atraso do repasse semestra do governo do Distrito Federal. À época, os gestores afirmaram que a situação já afetava o pagamento de funcionários e fornecedores, portanto, poderia comprometer o funcionamento do cinema. RELEMBRE: Cine Brasília, último cinema de rua do DF e maior do Brasil, pode fechar as portas por falta de verba Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.