Brasil envelhece sem estrutura adequada para cuidar dos idosos, aponta estudo

Escrito em 05/06/2026


Levantamento da Fiocruz identificou as necessidades geradas pelo aumento da população idosa, no Brasil Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificou as necessidades geradas pelo aumento da população idosa no Brasil. A pressão arterial de Maria da Salete, de 77 anos, já atingiu níveis muito elevados. “Já chegou a ponto de dar derrame, eu dei dois derrames”, lembra. O estudo da Fiocruz, realizado em 70 municípios de todas as regiões do país, aponta os desafios do envelhecimento. Entre pessoas com mais de 60 anos, três em cada dez são hipertensas, como Maria. " Isso aí aumenta risco de infarto miocárdio, de acidente vascular cerebral, de demência vascular e o que que acontece é que a maioria deles tá tratada, mas o tratamento não tá eficaz", pontua a epidemiologista e coordenadora do estudo, Maria Fernanda Costa, A pesquisa também avaliou a estrutura das cidades, fator essencial para a qualidade de vida dos idosos. Mais de 42,7% dos entrevistados afirmaram ter medo de cair nas calçadas. Foi o que aconteceu com Dona Raimunda, de 81 anos. "Ela estava saindo de casa com o marido dela, só que não tem muito apoio no corpo. Aí passou um carro, ela se assustou, soltou a mão dele e acabou caindo”, disse o cuidador. Brasil envelhece sem estrutura adequada para cuidar dos idosos, aponta estudo Globo/ Reprodução O estudo também mostra que a perda da capacidade funcional é comum nessa fase da vida. Cerca de 20% dos idosos brasileiros têm dificuldade para realizar pelo menos uma atividade do dia a dia sem ajuda, como se vestir, tomar banho, levantar-se ou se alimentar. Ao todo, são cerca de 6,5 milhões de pessoas com autonomia comprometida. Porém, menos de 40% dos idosos com alguma limitação contam com assistência. Para especialistas, o principal desafio do país é desenvolver uma cultura do cuidado, que garanta proteção e segurança à população idosa. "O maior desafio que o Brasil hoje tem em relação ao envelhecimento é implementar uma cultura do cuidado, uma cultura do cuidado que significa que todos nós possamos ter a confiança de estarmos protegidos e termos segurança (...) a medida em que nós vamos dar um salto de 16% da população idosa cerca de 35 milhões hoje para o dobro daqui a 25 anos não é nada, nós vamos fazer com que a grande conquista social que é poder envelhecer, uma catástrofe social. Não faz sentido", afirma Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional da Longevidade Brasil. Em um centro de acolhimento em Belo Horizonte, onde idosos passam o dia, muitos dependem integralmente de cuidadores para realizar atividades básicas. "Tem que ter muito carinho, dedicação, determinação, paciência e amor", concluiu Leyla Oliveira, que é cuidadora. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM Justiça condena Jairinho e solta mãe de Henry após perdão judicial