Contas públicas: rombo em 2025 é de R$ 55 bilhões As contas públicas fecharam 2025 com um rombo de R$ 55 bilhões. Ao longo do ano, o governo gastou muito mais do que arrecadou com impostos e o rombo foi de R$ 58 bilhões. As empresas estatais também ficaram no vermelho: déficit de R$ 5,9 bilhões. Só estados e municípios tiveram superávit. No balanço final, o setor público terminou 2025 com um buraco de R$ 55 bilhões – uma piora em relação ao ano anterior, que já tinha sido de déficit. O desempenho das estatais federais foi o segundo pior da série histórica do Banco Central, que começou em 2002. Segundo economistas, esse rombo foi influenciado, principalmente, pela crise financeira dos Correios, que acumulou um prejuízo de R$ 6 bilhões até setembro. O balanço da estatal no ano ainda não foi divulgado. Os Correios vão reabrir na próxima semana as inscrições para o plano de desligamento voluntário para cerca de 15 mil funcionários até 2027. A medida faz parte do plano de reestruturação anunciado pela estatal. No final de 2025, os Correios fecharam um empréstimo de R$ 12 bilhões, com garantia do Tesouro Nacional, para tentar recuperar o caixa, continuar as operações e quitar ou renegociar dívidas em atraso. "Nós vemos esse resultado mais dramático está nos Correios, uma empresa que foi mal governada, logo mal gerida, com prejuízos enormes, uma coisa catastrófica que agora estão tentando sanar. É uma empresa que deveria ter sido privatizada, não foi. Enfim, agora realmente o custo não é apenas para o Tesouro, é para sociedade e é muito grande", diz Cláudio Frischtak, presidente da Inter.B Consultoria. Contas públicas: rombo em 2025 é de R$ 55 bilhões Jornal Nacional/ Reprodução Os sequência de déficits do governo contribui para a disparada da dívida pública – um indicador da saúde financeira do país. Em três anos, ela subiu sete pontos percentuais e, quanto maior a dívida, maiores os juros que os investidores cobram para financiar o governo. Em 2008, quando o Banco Central adotou a atual metodologia, a dívida pública correspondia a 56% do Produto Interno Bruto. Em 2025, chegou a 78,7% do PIB – R$ 10 trilhões. E estimativas do governo apontam que a dívida vai continuar crescendo ano a ano até chegar a 88,6% do PIB em 2032. O governo criou uma regra para tentar limitar o crescimento das despesas, atrelando os gastos à evolução das receitas. Mas economistas avaliam que o chamado arcabouço fiscal – em vigor desde 2024 – não tem conseguido cumprir o objetivo de estabilizar ou reduzir a trajetória da dívida. “Essa dívida vem crescendo, em nenhum momento ela vem cessando. Ou seja, a gente entrou em uma situação meio paradoxal, na qual a gente tem um arcabouço fiscal que é para estabilizar o crescimento da dívida, mas que não consegue estabilizar o crescimento da dívida. Então, é uma situação fiscal muito ruim para este ano e deixa uma situação muito ruim para o próximo governo”, afirma Rafael Barros Barbosa, pesquisador do FGV IBRE. Para frear a disparada da dívida, economistas defendem que o governo precisa fazer uma reforma estrutural que envolva medidas efetivas de corte de gastos. "O governo tem feito basicamente aumentar as receitas através basicamente de novos impostos, como o caso de IOF, sobre vários itens. Aumento de outros impostos sobre operações financeiras. Enfim, não tem nenhum esforço do lado da despesa. Ao contrário. As despesas têm crescido em termos reais. Todos os tipos de despesas", Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central. "Esse resultado de sempre a gente estar correndo atrás de aumentar a arrecadação, aumentar a receita para sempre poder aumentar mais o gasto, é insustentável no longo prazo. De alguma forma, quando você aumenta a tributação, você retira parte dos recursos da população e isso tem impacto econômico significativo. Você reduz consumo, você reduz outros tipos de coisa", afirma Rafael Barros Barbosa. LEIA TAMBÉM Estatais federais registram rombo de R$ 5,1 bilhões em 2025, segundo pior da história Contas públicas têm piora em 2025 e registram déficit de R$ 55 bilhões
Contas públicas: rombo em 2025 é de R$ 55 bilhões
Escrito em 31/01/2026
Contas públicas: rombo em 2025 é de R$ 55 bilhões As contas públicas fecharam 2025 com um rombo de R$ 55 bilhões. Ao longo do ano, o governo gastou muito mais do que arrecadou com impostos e o rombo foi de R$ 58 bilhões. As empresas estatais também ficaram no vermelho: déficit de R$ 5,9 bilhões. Só estados e municípios tiveram superávit. No balanço final, o setor público terminou 2025 com um buraco de R$ 55 bilhões – uma piora em relação ao ano anterior, que já tinha sido de déficit. O desempenho das estatais federais foi o segundo pior da série histórica do Banco Central, que começou em 2002. Segundo economistas, esse rombo foi influenciado, principalmente, pela crise financeira dos Correios, que acumulou um prejuízo de R$ 6 bilhões até setembro. O balanço da estatal no ano ainda não foi divulgado. Os Correios vão reabrir na próxima semana as inscrições para o plano de desligamento voluntário para cerca de 15 mil funcionários até 2027. A medida faz parte do plano de reestruturação anunciado pela estatal. No final de 2025, os Correios fecharam um empréstimo de R$ 12 bilhões, com garantia do Tesouro Nacional, para tentar recuperar o caixa, continuar as operações e quitar ou renegociar dívidas em atraso. "Nós vemos esse resultado mais dramático está nos Correios, uma empresa que foi mal governada, logo mal gerida, com prejuízos enormes, uma coisa catastrófica que agora estão tentando sanar. É uma empresa que deveria ter sido privatizada, não foi. Enfim, agora realmente o custo não é apenas para o Tesouro, é para sociedade e é muito grande", diz Cláudio Frischtak, presidente da Inter.B Consultoria. Contas públicas: rombo em 2025 é de R$ 55 bilhões Jornal Nacional/ Reprodução Os sequência de déficits do governo contribui para a disparada da dívida pública – um indicador da saúde financeira do país. Em três anos, ela subiu sete pontos percentuais e, quanto maior a dívida, maiores os juros que os investidores cobram para financiar o governo. Em 2008, quando o Banco Central adotou a atual metodologia, a dívida pública correspondia a 56% do Produto Interno Bruto. Em 2025, chegou a 78,7% do PIB – R$ 10 trilhões. E estimativas do governo apontam que a dívida vai continuar crescendo ano a ano até chegar a 88,6% do PIB em 2032. O governo criou uma regra para tentar limitar o crescimento das despesas, atrelando os gastos à evolução das receitas. Mas economistas avaliam que o chamado arcabouço fiscal – em vigor desde 2024 – não tem conseguido cumprir o objetivo de estabilizar ou reduzir a trajetória da dívida. “Essa dívida vem crescendo, em nenhum momento ela vem cessando. Ou seja, a gente entrou em uma situação meio paradoxal, na qual a gente tem um arcabouço fiscal que é para estabilizar o crescimento da dívida, mas que não consegue estabilizar o crescimento da dívida. Então, é uma situação fiscal muito ruim para este ano e deixa uma situação muito ruim para o próximo governo”, afirma Rafael Barros Barbosa, pesquisador do FGV IBRE. Para frear a disparada da dívida, economistas defendem que o governo precisa fazer uma reforma estrutural que envolva medidas efetivas de corte de gastos. "O governo tem feito basicamente aumentar as receitas através basicamente de novos impostos, como o caso de IOF, sobre vários itens. Aumento de outros impostos sobre operações financeiras. Enfim, não tem nenhum esforço do lado da despesa. Ao contrário. As despesas têm crescido em termos reais. Todos os tipos de despesas", Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central. "Esse resultado de sempre a gente estar correndo atrás de aumentar a arrecadação, aumentar a receita para sempre poder aumentar mais o gasto, é insustentável no longo prazo. De alguma forma, quando você aumenta a tributação, você retira parte dos recursos da população e isso tem impacto econômico significativo. Você reduz consumo, você reduz outros tipos de coisa", afirma Rafael Barros Barbosa. LEIA TAMBÉM Estatais federais registram rombo de R$ 5,1 bilhões em 2025, segundo pior da história Contas públicas têm piora em 2025 e registram déficit de R$ 55 bilhões