Taxa de condomínio sobe acima da inflação em quase todo o Rio e pode chegar a 40% do aluguel, diz pesquisa

Escrito em 14/08/2026


Taxa de condomínio sobe acima da inflação em quase todo o Rio e pode chegar a 40% do aluguel, diz pesquisa A taxa de condomínio subiu acima da inflação em quase todos os bairros do Rio de Janeiro pesquisados pelo Secovi-Rio. Entre julho de 2025 e junho de 2026, o maior aumento foi registrado no Centro, de 11,8%, enquanto o IPCA acumulado no período foi de 4,64%. Na Zona Norte, a despesa pode representar até 40,7% do valor do aluguel residencial. O aumento pesa diretamente no orçamento de quem procura um imóvel para alugar. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Arpoador, Ipanema e Leblon bairros da Zona Sul do Rio Pedro Kirilos/Riotur Há um ano, a aposentada Márcia Maria Longras busca um apartamento em Copacabana e conta que encontrou imóveis dentro da faixa de preço que pretendia pagar, mas acabou desistindo por causa do valor do condomínio. "O que eu venho encontrando agora nessa busca particular é exatamente a questão do condomínio, porque você estipula um valor pra investir no seu aluguel e na hora que você pergunta qual é o condomínio, esse condomínio pode chegar a 50% a 40% do valor do aluguel, então você já não pode mais escolher com aquele valor", afirmou. De acordo com o Secovi-Rio, sindicato que representa o setor de habitação, o condomínio residencial na Zona Norte pode equivaler a 40,7% do preço do aluguel. Nos imóveis comerciais, a proporção chega a 85,6%. Onde o condomínio mais subiu O levantamento do Secovi-Rio mostra que o aumento foi superior à inflação na maior parte dos 20 bairros analisados. O Centro teve a maior alta, de 11,8%, seguido por Jardim Botânico, com 9,3%, e Botafogo, com 8,9%. Entre os bairros destacados na pesquisa, Campo Grande teve aumento de 4,2%, enquanto na Lagoa a alta foi de 3,3%. Foram os únicos locais em que o reajuste ficou abaixo da inflação acumulada de 4,64% no período. Taxa de condomínio sobe acima da inflação em quase todo o Rio e pode chegar a 40% do aluguel, diz pesquisa. Reprodução TV Globo Taxas condominiais — julho de 2025 a junho de 2026: Centro: +11,8% Jardim Botânico: +9,3% Botafogo: +8,9% Campo Grande: +4,2% Lagoa: +3,3% IPCA no período: +4,64% Inadimplência pesa nas contas Segundo especialistas do setor, um dos fatores que pressionam os custos dos condomínios é a inadimplência. Gabriela Mattos, administradora condominial que atua em mais de 20 condomínios em diferentes regiões da cidade, afirma que o problema aparece em praticamente todos os empreendimentos que administra. "A questão da inadimplência é algo que abrange quase 99% de todos os condomínios. O sindico tem que ter uma régua de cobrança muito bem alinhada, muito justa com a administradora, fazer campanha internas para motivar as pessoas a fazer um acordo, enfim", afirmou. Região Central do Rio - ao Centro, a Praça da República Alexandre Macieira/RioTur Água e segurança encarecem O presidente da Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (Abadi), Marcelo Borges, aponta os gastos com água como outro fator importante para o aumento das despesas dos condomínios no Rio. "Aqui no Rio de Janeiro, em razão da possibilidade da cobrança do mínimo pelo número de economias, a água cresceu demais. A água que representava cerca de sete a oito por cento no orçamento total de um condomínio, tem condomínio que a água hoje tá representando quarenta e cinco por cento do orçamento total", disse. Borges também cita os investimentos em segurança, como aumento do efetivo nas portarias e instalação de novas tecnologias. "E outro, o investimento que os condomínios têm feito em segurança. É... em virtude da necessidade de ter um efetivo maior na portaria, de investimento em tecnologia para melhorar a segurança no condomínio, isso fez com um aumento de custo que, evidentemente, acaba refletindo na cota condominial", afirmou.