Inteligência Artificial vem ajudando cada vez mais médicos a agilizar o atendimento No Brasil, médicos estão usando inteligência artificial para melhorar o atendimento de pacientes em São Paulo. O Hospital das Clínicas é um grande complexo de inovação na medicina brasileira. Um dos seus dez institutos, o InCor, é referência em tratamentos cardíacos, e o primeiro exame que quase todo paciente faz ali é um eletrocardiograma. “Ele dá uma ideia dos sinais elétricos do coração, e a gente tira várias informações, principalmente alterações de ritmo. É um teste de R$ 10, mas você vê que ele é fantástico desde que saiba interpretá-lo”, afirma José Eduardo Krieger, diretor do Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do InCor. Hoje, no InCor, quem primeiro analisa os eletrocardiogramas é a inteligência artificial. Repórter: A gente está vendo aqui, então, uma legenda? José Eduardo Krieger: Uma legenda com 13 tipos de problemas que podem aparecer. Repórter: Então, ele está fazendo a análise? A inteligência artificial? José Eduardo Krieger: Não entrou um médico aqui. Sozinho. Repórter: Esse paciente aqui tem um coraçãozinho vermelho e um rosa. Isso significa o quê? José Eduardo Krieger: Que ele está com dois tipos de problema: uma fibrilação atrial e um bloqueio de Ramo. É impossível ter um especialista do InCor em cada município brasileiro, mas talvez o conhecimento deles possa ir para todos os lugares. “O equipamento que está lá na ponta, mas a análise pode estar em outro lugar. Eu posso, inclusive, ter uma pessoa 24 horas por dia para resolver o problema. Então, aí você começa a ver a escala dessa transformação que pode acontecer”, explica José Eduardo Krieger. No Instituto de Radiologia, cada laudo de um exame precisa de todas as informações do paciente. “Essas informações estão em sistemas diferentes. Muitas vezes, a gente tem que abrir diversos sistemas, diversas janelas”, conta Márcio Sawamura, médico e diretor do corpo clínico do InCor. Com a IA, o trabalho manual acabou. “Com um clique só, conseguimos todas as informações do paciente e a gente consegue dar um laudo melhor e mais rápido”, afirma Márcio Sawamura. A cada clique, é possível ganhar entre 10 e 15 minutos de tempo por laudo. A IA segue ganhando tempo nos próprios exames. A Kátia fez uma ressonância, que não parece diferente das tradicionais. A diferença está no software. "Com algoritmos de inteligência artificial, ele consegue reduzir a quantidade de informações, a quantidade de dados para formar a imagem. Então, com isso, a gente consegue fazer o exame em um tempo menor", explica Márcio Sawamura. Repórter: Talvez, o mais importante da redução do tempo não seja só o conforto do paciente, que, às vezes, fica cinco minutos a menos tempo na máquina, ou dez minutos. O importante é quanto isso sobra para vocês? Márcio Sawamura: Exatamente. A gente tem uma demanda muito grande por exames e aí a gente está conseguindo fazer mais exames em um dia. Então, isso é muito importante. Inteligência artificial ajuda médicos brasileiros a avaliar pacientes e agilizar atendimentos Jornal Nacional/ Reprodução Na sala de cirurgia, onde um paciente recebe um stent - uma espécie de tela que é colocada por dentro da artéria do coração entupida para abrir caminho para o sangue circular novamente. Tudo começa com uma câmera na artéria e o planejamento no computador. “Hoje, sem a IA, como o médico faz? Ele tem que examinar toda a artéria, medir traçando manualmente qual o tamanho do contorno da artéria, qual o tamanho da placa de gordura, para eu saber o tamanho do stent que eu vou colocar. Com a IA, a gente faz isso. Eu cliquei naquele botão e a informação está pronta. Por isso, a gente consegue ter mais agilidade - 60% mais rápido -, mas, ao mesmo tempo, muito mais precisão", afirma o cardiologista Carlos Campos, Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista do InCor. Depois que o stent é colocado, a IA checa o que foi feito. A análise da IA foi certeira. A correção dos médicos, precisa. A ideia é que o resultado se espalhe, que a IA faça com que diferentes pacientes, atendidos em diferentes realidades e por profissionais diferentes, tenham o mesmo resultado de excelência na cirurgia. Repórter: Então, imagino que se diminui erros de avaliação, isso também pode possibilitar que todo mundo tenha acesso a uma avaliação melhor? “Eu acho que essa tecnologia vem para democratizar o tratamento. Ela equaliza os resultados. E os médicos do futuro vão ser aqueles que já aprendam a tecnologia desde o início. E, muitas vezes, ele vai ter muito mais tempo para olhar para o olho do paciente, para olhar para a alma do paciente, e dar o conforto que o paciente e a família precisam”, diz Alexandre Abizaid, professor e diretor de hemodinâmica e cardiologia intervencionista no InCor. LEIA TAMBÉM Brasil cria primeira regra para IA na medicina: diagnóstico não pode ser automático e paciente poderá recusar uso IA, 5G e decisões em segundos: veja como será o 1º hospital inteligente do SUS no Hospital das Clínicas da USP Governo lança projeto que prevê uso de IA na triagem de pacientes e ampliação da telemedicina em hospitais do SUS
Inteligência artificial ajuda médicos brasileiros a avaliar pacientes e agilizar atendimentos
Escrito em 23/04/2026
Inteligência Artificial vem ajudando cada vez mais médicos a agilizar o atendimento No Brasil, médicos estão usando inteligência artificial para melhorar o atendimento de pacientes em São Paulo. O Hospital das Clínicas é um grande complexo de inovação na medicina brasileira. Um dos seus dez institutos, o InCor, é referência em tratamentos cardíacos, e o primeiro exame que quase todo paciente faz ali é um eletrocardiograma. “Ele dá uma ideia dos sinais elétricos do coração, e a gente tira várias informações, principalmente alterações de ritmo. É um teste de R$ 10, mas você vê que ele é fantástico desde que saiba interpretá-lo”, afirma José Eduardo Krieger, diretor do Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do InCor. Hoje, no InCor, quem primeiro analisa os eletrocardiogramas é a inteligência artificial. Repórter: A gente está vendo aqui, então, uma legenda? José Eduardo Krieger: Uma legenda com 13 tipos de problemas que podem aparecer. Repórter: Então, ele está fazendo a análise? A inteligência artificial? José Eduardo Krieger: Não entrou um médico aqui. Sozinho. Repórter: Esse paciente aqui tem um coraçãozinho vermelho e um rosa. Isso significa o quê? José Eduardo Krieger: Que ele está com dois tipos de problema: uma fibrilação atrial e um bloqueio de Ramo. É impossível ter um especialista do InCor em cada município brasileiro, mas talvez o conhecimento deles possa ir para todos os lugares. “O equipamento que está lá na ponta, mas a análise pode estar em outro lugar. Eu posso, inclusive, ter uma pessoa 24 horas por dia para resolver o problema. Então, aí você começa a ver a escala dessa transformação que pode acontecer”, explica José Eduardo Krieger. No Instituto de Radiologia, cada laudo de um exame precisa de todas as informações do paciente. “Essas informações estão em sistemas diferentes. Muitas vezes, a gente tem que abrir diversos sistemas, diversas janelas”, conta Márcio Sawamura, médico e diretor do corpo clínico do InCor. Com a IA, o trabalho manual acabou. “Com um clique só, conseguimos todas as informações do paciente e a gente consegue dar um laudo melhor e mais rápido”, afirma Márcio Sawamura. A cada clique, é possível ganhar entre 10 e 15 minutos de tempo por laudo. A IA segue ganhando tempo nos próprios exames. A Kátia fez uma ressonância, que não parece diferente das tradicionais. A diferença está no software. "Com algoritmos de inteligência artificial, ele consegue reduzir a quantidade de informações, a quantidade de dados para formar a imagem. Então, com isso, a gente consegue fazer o exame em um tempo menor", explica Márcio Sawamura. Repórter: Talvez, o mais importante da redução do tempo não seja só o conforto do paciente, que, às vezes, fica cinco minutos a menos tempo na máquina, ou dez minutos. O importante é quanto isso sobra para vocês? Márcio Sawamura: Exatamente. A gente tem uma demanda muito grande por exames e aí a gente está conseguindo fazer mais exames em um dia. Então, isso é muito importante. Inteligência artificial ajuda médicos brasileiros a avaliar pacientes e agilizar atendimentos Jornal Nacional/ Reprodução Na sala de cirurgia, onde um paciente recebe um stent - uma espécie de tela que é colocada por dentro da artéria do coração entupida para abrir caminho para o sangue circular novamente. Tudo começa com uma câmera na artéria e o planejamento no computador. “Hoje, sem a IA, como o médico faz? Ele tem que examinar toda a artéria, medir traçando manualmente qual o tamanho do contorno da artéria, qual o tamanho da placa de gordura, para eu saber o tamanho do stent que eu vou colocar. Com a IA, a gente faz isso. Eu cliquei naquele botão e a informação está pronta. Por isso, a gente consegue ter mais agilidade - 60% mais rápido -, mas, ao mesmo tempo, muito mais precisão", afirma o cardiologista Carlos Campos, Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista do InCor. Depois que o stent é colocado, a IA checa o que foi feito. A análise da IA foi certeira. A correção dos médicos, precisa. A ideia é que o resultado se espalhe, que a IA faça com que diferentes pacientes, atendidos em diferentes realidades e por profissionais diferentes, tenham o mesmo resultado de excelência na cirurgia. Repórter: Então, imagino que se diminui erros de avaliação, isso também pode possibilitar que todo mundo tenha acesso a uma avaliação melhor? “Eu acho que essa tecnologia vem para democratizar o tratamento. Ela equaliza os resultados. E os médicos do futuro vão ser aqueles que já aprendam a tecnologia desde o início. E, muitas vezes, ele vai ter muito mais tempo para olhar para o olho do paciente, para olhar para a alma do paciente, e dar o conforto que o paciente e a família precisam”, diz Alexandre Abizaid, professor e diretor de hemodinâmica e cardiologia intervencionista no InCor. LEIA TAMBÉM Brasil cria primeira regra para IA na medicina: diagnóstico não pode ser automático e paciente poderá recusar uso IA, 5G e decisões em segundos: veja como será o 1º hospital inteligente do SUS no Hospital das Clínicas da USP Governo lança projeto que prevê uso de IA na triagem de pacientes e ampliação da telemedicina em hospitais do SUS