Movimento das baratas humilha Modi no maior desafio em 12 anos à frente da Índia

Escrito em 27/07/2026


Revolta dos estudantes: Índia anuncia força-tarefa para reformular sistema de vestibular No embate com o governo indiano, as baratas venceram. O movimento de jovens que varreu o país no último mês levou o primeiro-ministro Narendra Modi a ceder à pressão pública e a aceitar humildemente a renúncia do ministro da Educação e aliado político, Dharmendra Pradhan, e a prometer reformas no sistema de exames. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp O desfecho representa uma derrota considerável para um premiê que, em seu terceiro mandato, sempre demonstrou firmeza diante de protestos. E levanta a dúvida sobre o futuro do movimento, criado em maio e liderado pelo estrategista político Abhijeet Dipke, e o impacto sobre o governo Modi. Formado em Boston, aos 30 anos, ele tornou-se o rosto visível das manifestações gigantescas da chamada Geração Z, deflagradas após as denúncias de vazamento das questões do concorrido exame de admissão para as faculdades de medicina. O escândalo obrigou o governo a cancelar o concurso e a convocar dois milhões de estudantes para novas provas. Para agravar a situação, os jovens desempregados foram descritos como baratas e parasitas pelo presidente da Suprema Corte do país. Dipke então sugeriu pelo X: “E se todas as baratas se unissem?” Era a deixa para a criação do movimento político satírico “Partido das Baratas” (CJP), que ocupou rapidamente as ruas e, num grito de indignação, abalou o governo de Modi pela primeira vez em 12 anos à frente do país. Ativistas da ala estudantil de diferentes partidos políticos participam de uma passeata exigindo reformas educacionais como parte do movimento de protesto contínuo do "Partido Cockroach Janta", em Calcutá, Índia, sexta-feira, 24 de julho de 2026. AP/Bikas Das Os protestos exigiam a demissão do ministro da Educação, mas abarcaram também a insatisfação dos jovens, que representam 370 milhões de indianos, em relação ao governo. Cerca de 40% dos formados entre 15 e 25 anos estão desempregados. De imediato, o movimento revigorou também a oposição, que se juntou aos protestos contra o governo e seu partido BJP. A adesão culminou com a rápida detenção de Rahul Gandhi, líder do partido Congresso Nacional Indiano, numa manifestação em frente à casa de Modi. O premiê, de 75 anos, transformou-se em alvo de insultos, no maior desafio ao seu reinado. A humilhante retratação do governo, traduzida na renúncia do ministro da Educação, sugere que “as baratas” dificilmente desaparecerão do cenário político indiano. “Governo de joelhos, primeira renúncia forçada em 12 anos. Abhijeet Dipke, você é um líder”, indicava a página do movimento. O próximo teste para Modi será no início do próximo ano, nas eleições estaduais. Governo e oposição entenderam que não é mais possível desprezar as demandas do eleitorado jovem. Agora no g1