Humorista gaúcha viraliza ‘falando mal de homem’ e transforma experiências de mulheres em stand-up

Escrito em 07/06/2026


Humorista gaúcha viraliza ‘falando mal de homem’ e transforma experiências em stand-up Carol Delgado ficou conhecida por uma definição simples, repetida por parte do público: a humorista gaúcha que "fala mal de homem". Ela ri da fama, mas diz que, por trás das piadas sobre relacionamentos, traições e autoestima, o assunto principal não são exatamente os homens. São as mulheres. Em entrevista ao g1, a comediante afirmou que usa situações da própria vida para falar de experiências que, segundo ela, se repetem na vida de outras mulheres. Assédio, términos, cobranças, julgamentos e relações afetivas aparecem nos shows como ponto de partida para o humor. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp "Eu nunca tive a intenção de ser uma pessoa que traz pautas, por exemplo, sociais, ou como se fosse uma militância ativa mesmo”, disse. "Mas a minha experiência acabou me conectando mais com mulheres." A humorista nasceu em Porto Alegre e cresceu na Cohab Rubem Berta, na Zona Norte da capital gaúcha. Antes de viver da comédia, trabalhou como vendedora de shopping, estoquista em uma loja de roupas, em um call center e na organização de uma ONG. Ela até ingressou no curso de Políticas Públicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Atualmente rodando o Brasil com o show "Energia Feminina", Carol afirma que sempre quis ser comediante, mas que a realidade em que cresceu era "pé no chão". Segundo ela, terminar a escola e começar a trabalhar no shopping era um caminho comum para quem vivia no mesmo contexto. Carol conta que começou fazendo vídeos sobre o Rio Grande do Sul mas, aos poucos, o humor passou a se aproximar de temas ligados à vivência de mulheres. A humorista afirma que essa mudança não foi planejada como uma bandeira e apenas passou a tratar da própria experiência em cena. Na visão da artista, o stand-up é uma comédia confessional, construída a partir do ponto de vista de quem está no palco. A humorista diz que não se incomoda com a leitura de que "fala mal de homem". Para ela, a reação também mostra uma diferença na forma como homens e mulheres são percebidos no humor. A diferença, afirma, é que a experiência masculina costuma ser vista como universal. Já quando mulheres falam de relações, assédio ou autoestima, o conteúdo muitas vezes é tratado como nicho. "A comédia de stand-up é confessional, é uma comédia pessoal, intransferível, do seu ponto de vista. Mas eu acredito que por a comédia ser dominada por homens, a gente normalizou a experiência do homem" , disse. Carol afirma que fez o mesmo movimento a partir da própria vivência. Assim, temas como traição, términos e assédio passaram a aparecer nos shows não como casos isolados, mas como situações em que outras mulheres se reconhecem. "Eu acho engraçado porque geralmente o homem quando fala mal da esposa não ligam como se ele falasse mal de mulheres, mas a mulher sim", afirmou. Carol em seu primeiro show e em show recente Arquivo pessoal e @dudaboninii A humorista diz que não pretende ser referência de comportamento, mas mostrar outras possibilidades a partir da própria trajetória. Segundo ela, falar de homens nos shows é uma forma de tratar de temas que atravessam a vida de mulheres. "Eu não tenho como falar de autoestima com a mulher sem falar de homem, eu não tenho como falar de faculdade sem falar de homem, de emprego sem falar de homem porque isso interpela as relações da feminilidade o tempo inteiro", afirmou. Nos shows, Carol também aborda o que considera uma cobrança maior sobre mulheres. Ela cita a própria experiência no início da carreira, quando afirma que era julgada rapidamente mesmo com pouco tempo de comédia. "Quando eu comecei a fazer comédia, eu fiz lá um mês de comédia, e as pessoas ficavam assim 'nossa, é muito ruim'", disse. “E um cara de 20 anos de comédia, às vezes fazia um show ruim e a galera falava 'ah, não tava em um dia bom'.” Para Carol, esse tratamento diferente aparece também fora dos palcos. Ela diz que gostaria que mulheres tivessem as mesmas oportunidades de recomeçar que homens costumam ter. “Eu, inclusive, queria muito que todas as mulheres pudessem ter as oportunidades de errar, e errar de novo, e acertar, e errar de novo, e errar de novo, até acertar”, afirmou. A participação da plateia reforçou esse caminho. Segundo a humorista, o público passou a levar para as apresentações histórias de relacionamentos, traições e conflitos com ex-companheiros. Entre as brincadeiras que surgiram nesse contato, está a “cobrança de pensão”, quando mulheres pedem que ela provoque ex-parceiros durante o espetáculo. "Acontecem coisas na vida delas e elas já pensam assim: 'nossa, tenho que contar isso no show da Carol', 'ah, fui traída, vou contar no show da Carol'", disse. "As pessoas falam: 'ah, cobra pensão no show'. Tudo isso é muito orgânico." Para Carol, a troca com o público cria um ambiente de identificação. Ela afirma que muitas mulheres saem dos shows com sensação de alívio, mesmo quando não viveram exatamente as histórias contadas no palco. "Acho que as mulheres saem de lá como se fosse quase um culto, sabe, como você vai, grita e sai meio de alma lavada", afirmou. Carol também diz que quer mostrar que mulheres podem sair de relações que não fazem bem e construir outros caminhos. “Então, é muito sobre isso. É sobre você poder se priorizar e encontrar o que você precisa. Isso me deixa muito em paz”, disse. Humorista gaúcha viraliza ‘falando mal de homem’ e transforma experiências de mulheres em stand-up Divulgação/@dudaboninii VÍDEOS: Tudo sobre o RS