A figura da "mãe" em terreiros de religiões de matriz africana As mães de santo, em religiões de matrizes africanas, representam acolhimento e liderança espiritual, servindo de referência para a comunidade. Além de exercerem funções fundamentais nos terreiros, elas também acompanham a trajetória dos seus "filhos de santo" e, por isso, são chamadas de mães (veja vídeo acima). Neste domingo (9), quando é celebrado o Dia das Mães, essas lideranças ganham ainda mais destaque pelo papel de orientação e formação dentro das casas de axé. A depender das funções que desempenham no terreiro, as mães de santo têm diferentes cargos e responsabilidades. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE "Falar sobre mãe, que é uma segunda mãe, é falar sobre a importância do acolhimento, do poder, do ensinamento. Eu sou filha de Oxum, e Oxum nos ensina que a gente é a mãe do amor, da fertilidade", conta Larissa de Oxum, do terreiro Roça Oxaguiã Oxum Iponda, do bairro do Córrego do Jenipapo, na Zona Norte do Recife. Larissa é iyapetebí, função responsável pelo cuidado, acolhimento e proteção dos afilhados, além de atuar no suporte diário às atividades da casa. O papel reforça a presença constante de uma figura feminina de orientação e amparo dentro da estrutura do terreiro. "Oxum me ensina que eu sou forte, que vivemos em um mundo que é tão cruel com mulheres. Então, a gente tem que mostrar a nossa força e que possamos nos unir à nossa ancestralidade feminina e ao poder que cada mulher tem", afirma. No terreiro Roça Oxaguiã Oxum Iponda, as mulheres são maioria na divisão dos cargos, como explica a filha da casa Mércia Gadelha. "O terreiro é como se fosse uma família tradicional. Tem mãe, tem pai, tem madrinha", conta. Terreiro Roça Oxaguiã Oxum Ipondá, no bairro de Córrego do Jenipapo, na Zona Norte do Recife Reprodução/Instagram Na casa das Iyás No terreiro que Mércia frequenta, funções como a de madrinha da casa, que cuida da alimentação e da comunicação, são todas ligadas ao termo “Iyá” ou "Yá". De origem iorubá, a palavra significa “mãe” e é usada para designar figuras de liderança e autoridade feminina, reforçando o matriarcado presente nessas tradições. As responsáveis pela comida, por exemplo, são chamadas de iabassê, reconhecidas como as “cozinheiras dos orixás”. Já as que cuidam da comunicação e das questões sociais do terreiro são as iyaegbé, atuando como principais conselheiras da ialorixá ou do babalorixá. "A casa é regida por mulheres. Yá é um termo que traduz 'mãe'. Eu tenho mais de 10 anos de feita na casa e uma hora a gente vira yá. Primeiro a gente é irmã mais velha, depois a gente vira yá. Então, assim, é um prazer muito grande para a gente saber e respeitar, porque as yás que nós temos aqui traduzem respeito", conta Mércia. Para Júnior de Ajagunã, babalorixá do terreiro, a presença das mulheres é central para a estrutura e a força espiritual da casa, especialmente nas tradições ligadas às yabás, orixás femininas. "Essa relação das yabás, das mulheres, vem do culto aos orixás Nanã, Yewa, Oxum, Iemanjá, Iansã, que são as yabás, as mulheres que protegem. [...] Sem a mulher dentro do culto, não existe o axé positivo", disse. Yalorixá mãe Geni de Oxum Ipondá, do terreiro Roça Oxaguiã Oxum Ipondá, no Recife Reprodução/WhatsApp *Estagiária sob supervisão do editor Artur Ferraz. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias
Dia das Mães: liderança feminina das mães de santo fortalece tradição e acolhimento nos terreiros
Escrito em 10/05/2026
A figura da "mãe" em terreiros de religiões de matriz africana As mães de santo, em religiões de matrizes africanas, representam acolhimento e liderança espiritual, servindo de referência para a comunidade. Além de exercerem funções fundamentais nos terreiros, elas também acompanham a trajetória dos seus "filhos de santo" e, por isso, são chamadas de mães (veja vídeo acima). Neste domingo (9), quando é celebrado o Dia das Mães, essas lideranças ganham ainda mais destaque pelo papel de orientação e formação dentro das casas de axé. A depender das funções que desempenham no terreiro, as mães de santo têm diferentes cargos e responsabilidades. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE "Falar sobre mãe, que é uma segunda mãe, é falar sobre a importância do acolhimento, do poder, do ensinamento. Eu sou filha de Oxum, e Oxum nos ensina que a gente é a mãe do amor, da fertilidade", conta Larissa de Oxum, do terreiro Roça Oxaguiã Oxum Iponda, do bairro do Córrego do Jenipapo, na Zona Norte do Recife. Larissa é iyapetebí, função responsável pelo cuidado, acolhimento e proteção dos afilhados, além de atuar no suporte diário às atividades da casa. O papel reforça a presença constante de uma figura feminina de orientação e amparo dentro da estrutura do terreiro. "Oxum me ensina que eu sou forte, que vivemos em um mundo que é tão cruel com mulheres. Então, a gente tem que mostrar a nossa força e que possamos nos unir à nossa ancestralidade feminina e ao poder que cada mulher tem", afirma. No terreiro Roça Oxaguiã Oxum Iponda, as mulheres são maioria na divisão dos cargos, como explica a filha da casa Mércia Gadelha. "O terreiro é como se fosse uma família tradicional. Tem mãe, tem pai, tem madrinha", conta. Terreiro Roça Oxaguiã Oxum Ipondá, no bairro de Córrego do Jenipapo, na Zona Norte do Recife Reprodução/Instagram Na casa das Iyás No terreiro que Mércia frequenta, funções como a de madrinha da casa, que cuida da alimentação e da comunicação, são todas ligadas ao termo “Iyá” ou "Yá". De origem iorubá, a palavra significa “mãe” e é usada para designar figuras de liderança e autoridade feminina, reforçando o matriarcado presente nessas tradições. As responsáveis pela comida, por exemplo, são chamadas de iabassê, reconhecidas como as “cozinheiras dos orixás”. Já as que cuidam da comunicação e das questões sociais do terreiro são as iyaegbé, atuando como principais conselheiras da ialorixá ou do babalorixá. "A casa é regida por mulheres. Yá é um termo que traduz 'mãe'. Eu tenho mais de 10 anos de feita na casa e uma hora a gente vira yá. Primeiro a gente é irmã mais velha, depois a gente vira yá. Então, assim, é um prazer muito grande para a gente saber e respeitar, porque as yás que nós temos aqui traduzem respeito", conta Mércia. Para Júnior de Ajagunã, babalorixá do terreiro, a presença das mulheres é central para a estrutura e a força espiritual da casa, especialmente nas tradições ligadas às yabás, orixás femininas. "Essa relação das yabás, das mulheres, vem do culto aos orixás Nanã, Yewa, Oxum, Iemanjá, Iansã, que são as yabás, as mulheres que protegem. [...] Sem a mulher dentro do culto, não existe o axé positivo", disse. Yalorixá mãe Geni de Oxum Ipondá, do terreiro Roça Oxaguiã Oxum Ipondá, no Recife Reprodução/WhatsApp *Estagiária sob supervisão do editor Artur Ferraz. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias