Defender home office nas redes custou o emprego deles O Itaú decidiu aumentar a presença obrigatória nos escritórios para três dias por semana a partir de 2028. Atualmente, são oito dias presenciais por mês. Assim, o banco embarca numa tendência que vem se consolidando em grandes empresas. ➡️ O trabalho remoto vem perdendo espaço, enquanto o modelo híbrido se consolida como uma espécie de meio-termo nessa transição. Em muitos casos, essa mudança veio acompanhada de novas regras, mudanças na rotina e insatisfação entre profissionais que já tinham reorganizado a vida com mais flexibilidade. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Em nota, o Itaú afirmou que o cronograma foi planejado para dar tempo de adaptação. Segundo o banco, a ideia é permitir que os funcionários reorganizem a vida pessoal e familiar sem mudanças bruscas. A instituição também destacou que os formatos de trabalho são ajustados conforme o contexto e as necessidades de cada período. Do lado dos trabalhadores, a reação foi de surpresa. O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região afirmou que não houve negociação prévia. A entidade pediu reunião com o banco e disse que vai acompanhar de perto a estrutura dos escritórios. Há relatos também de que nem todos os espaços físicos comportam o aumento de pessoas nos dias presenciais. Sem novidade A discussão se tornou rotina em grandes empresas. Em São Paulo, por exemplo, a quantidade de escritórios vazios caiu para 13,4% no primeiro trimestre de 2026, segundo a consultoria JLL. É o menor nível em 14 anos. Isso mostra que mais empresas voltaram a ocupar prédios e usar mais os espaços físicos ao mesmo tempo. Um levantamento da Mercer Brasil mostra que 76% dos gestores relatam insegurança em relação à produtividade no trabalho remoto, além de desafios como excesso de reuniões (66%) e dificuldades na gestão e na cultura organizacional. Por outro lado, embora as empresas defendam essa retomada, o modelo presencial encontra resistência entre os trabalhadores. Em novembro do ano passado, o Nubank também anunciou que aumentaria os dias presenciais (com dois dias por semana a partir de 2026 e três em 2027), a empresa enfrentou reação imediata. Funcionários divulgaram um manifesto com críticas sobre os possíveis impactos na vida pessoal. De acordo com os relatos, muitos profissionais aceitaram as vagas no banco por conta do regime de home office, e organizaram a vida familiar e financeira em outras cidades, inclusive comprando imóveis e assinando contratos de aluguel. Trabalhadores alegam que a exigência de retorno presencial pode dificultar a rotina familiar, especialmente para quem cuida de filhos, pais ou outros familiares, tornando mais difícil cumprir os novos requisitos da instituição. Preocupações com o tempo de deslocamento, o custo do transporte e a falta de diálogo nessa mudança também foram apontadas pelos trabalhadores. Em nota, o Nubank disse que tem canais de comunicação com os funcionários e espaços para debate interno. A empresa afirmou que não aceita descumprimento de regras, mas não comentou casos específicos de demissão. Novo escritório da Conta Simples fica no Brooklin, um dos bairros mais valorizados de São Paulo Gladstone Campos/ Conta Simples No Itaú, essa mudança vem depois de outro episódio recente. No ano passado, o banco demitiu cerca de mil funcionários que trabalhavam em regime híbrido ou remoto. À época, o banco disse que a medida foi tomada após uma revisão de condutas relacionadas ao trabalho remoto e ao registro de jornada. Quando mudanças assim chegam ao trabalhador, o impacto é grande. Pesquisas ajudam a mostrar isso. O custo do retorno ao presencial Um levantamento da WeWork com a Offerwise mostra que 63% dos brasileiros já trabalham totalmente de forma presencial, mas 79% dizem que isso não é escolha, e sim obrigação. Quando podem decidir, apenas 42% escolheriam ir ao escritório todos os dias. Além disso, 44% dizem que a perda da flexibilidade gera desmotivação e 38%, ansiedade. Os motivos aparecem no dia a dia. O deslocamento é o principal problema para 65% das pessoas. Não é só o tempo no trânsito. É a rotina que muda, com menos tempo em casa e o cansaço que começa antes mesmo do trabalho. Mais da metade dos trabalhadores também diz gastar mais quando precisa ir ao escritório. Transporte e comida pesam no bolso, e esse custo não aparece no salário. “O escritório não compete mais apenas com outras empresas — ele compete com o conforto do lar”, afirma Claudio Hidalgo, presidente regional da WeWork Latam. O ambiente de trabalho também interfere. 57% reclamam de ambientes barulhentos 53% apontam falta de áreas de descanso Por outro lado, quando o ambiente é melhor, a percepção muda bastante. Em lugares mais confortáveis, a satisfação pode chegar a 96%, segundo a pesquisa. A pesquisa, feita com 2,5 mil profissionais em todo o país, mostra predominância de millennials (37%) e da geração Z (32%). Esses grupos priorizam propósito e flexibilidade, enquanto a geração X, com 26%, mantém o papel de estabilidade nas equipes. Segundo a WeWork, os dados da mostram uma mudança que vai além do local de trabalho. É uma mudança na vida das pessoas. Para muita gente, o impacto não começa quando a regra entra em vigor, mas no momento em que o aviso chega. As pessoas precisam reorganizar transporte, moradia, rotina com a família e até o orçamento. Tudo de uma vez.
Itaú amplia presença no escritório e reforça recuo do home office; veja efeitos para os trabalhadores
Escrito em 24/06/2026
Defender home office nas redes custou o emprego deles O Itaú decidiu aumentar a presença obrigatória nos escritórios para três dias por semana a partir de 2028. Atualmente, são oito dias presenciais por mês. Assim, o banco embarca numa tendência que vem se consolidando em grandes empresas. ➡️ O trabalho remoto vem perdendo espaço, enquanto o modelo híbrido se consolida como uma espécie de meio-termo nessa transição. Em muitos casos, essa mudança veio acompanhada de novas regras, mudanças na rotina e insatisfação entre profissionais que já tinham reorganizado a vida com mais flexibilidade. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Em nota, o Itaú afirmou que o cronograma foi planejado para dar tempo de adaptação. Segundo o banco, a ideia é permitir que os funcionários reorganizem a vida pessoal e familiar sem mudanças bruscas. A instituição também destacou que os formatos de trabalho são ajustados conforme o contexto e as necessidades de cada período. Do lado dos trabalhadores, a reação foi de surpresa. O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região afirmou que não houve negociação prévia. A entidade pediu reunião com o banco e disse que vai acompanhar de perto a estrutura dos escritórios. Há relatos também de que nem todos os espaços físicos comportam o aumento de pessoas nos dias presenciais. Sem novidade A discussão se tornou rotina em grandes empresas. Em São Paulo, por exemplo, a quantidade de escritórios vazios caiu para 13,4% no primeiro trimestre de 2026, segundo a consultoria JLL. É o menor nível em 14 anos. Isso mostra que mais empresas voltaram a ocupar prédios e usar mais os espaços físicos ao mesmo tempo. Um levantamento da Mercer Brasil mostra que 76% dos gestores relatam insegurança em relação à produtividade no trabalho remoto, além de desafios como excesso de reuniões (66%) e dificuldades na gestão e na cultura organizacional. Por outro lado, embora as empresas defendam essa retomada, o modelo presencial encontra resistência entre os trabalhadores. Em novembro do ano passado, o Nubank também anunciou que aumentaria os dias presenciais (com dois dias por semana a partir de 2026 e três em 2027), a empresa enfrentou reação imediata. Funcionários divulgaram um manifesto com críticas sobre os possíveis impactos na vida pessoal. De acordo com os relatos, muitos profissionais aceitaram as vagas no banco por conta do regime de home office, e organizaram a vida familiar e financeira em outras cidades, inclusive comprando imóveis e assinando contratos de aluguel. Trabalhadores alegam que a exigência de retorno presencial pode dificultar a rotina familiar, especialmente para quem cuida de filhos, pais ou outros familiares, tornando mais difícil cumprir os novos requisitos da instituição. Preocupações com o tempo de deslocamento, o custo do transporte e a falta de diálogo nessa mudança também foram apontadas pelos trabalhadores. Em nota, o Nubank disse que tem canais de comunicação com os funcionários e espaços para debate interno. A empresa afirmou que não aceita descumprimento de regras, mas não comentou casos específicos de demissão. Novo escritório da Conta Simples fica no Brooklin, um dos bairros mais valorizados de São Paulo Gladstone Campos/ Conta Simples No Itaú, essa mudança vem depois de outro episódio recente. No ano passado, o banco demitiu cerca de mil funcionários que trabalhavam em regime híbrido ou remoto. À época, o banco disse que a medida foi tomada após uma revisão de condutas relacionadas ao trabalho remoto e ao registro de jornada. Quando mudanças assim chegam ao trabalhador, o impacto é grande. Pesquisas ajudam a mostrar isso. O custo do retorno ao presencial Um levantamento da WeWork com a Offerwise mostra que 63% dos brasileiros já trabalham totalmente de forma presencial, mas 79% dizem que isso não é escolha, e sim obrigação. Quando podem decidir, apenas 42% escolheriam ir ao escritório todos os dias. Além disso, 44% dizem que a perda da flexibilidade gera desmotivação e 38%, ansiedade. Os motivos aparecem no dia a dia. O deslocamento é o principal problema para 65% das pessoas. Não é só o tempo no trânsito. É a rotina que muda, com menos tempo em casa e o cansaço que começa antes mesmo do trabalho. Mais da metade dos trabalhadores também diz gastar mais quando precisa ir ao escritório. Transporte e comida pesam no bolso, e esse custo não aparece no salário. “O escritório não compete mais apenas com outras empresas — ele compete com o conforto do lar”, afirma Claudio Hidalgo, presidente regional da WeWork Latam. O ambiente de trabalho também interfere. 57% reclamam de ambientes barulhentos 53% apontam falta de áreas de descanso Por outro lado, quando o ambiente é melhor, a percepção muda bastante. Em lugares mais confortáveis, a satisfação pode chegar a 96%, segundo a pesquisa. A pesquisa, feita com 2,5 mil profissionais em todo o país, mostra predominância de millennials (37%) e da geração Z (32%). Esses grupos priorizam propósito e flexibilidade, enquanto a geração X, com 26%, mantém o papel de estabilidade nas equipes. Segundo a WeWork, os dados da mostram uma mudança que vai além do local de trabalho. É uma mudança na vida das pessoas. Para muita gente, o impacto não começa quando a regra entra em vigor, mas no momento em que o aviso chega. As pessoas precisam reorganizar transporte, moradia, rotina com a família e até o orçamento. Tudo de uma vez.