Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) em agendas de campanhas ao governo de SP Caiuá Maia e Diogo Zacarias Os dois principais candidatos ao governo de São Paulo apresentam ritmos bastante diferentes de gastos de campanha. Enquanto Tarcísio de Freitas (Republicanos) já declarou despesas de R$ 23,7 milhões, equivalente a 88% do teto eleitoral para o 1° turno, Fernando Haddad (PT) informou gastos de R$ 12,3 milhões — 46% do limite estabelecido pela Justiça Eleitoral. O diretório nacional do PT é o principal financiador da campanha de Haddad e responde por 94,58% dos recursos recebidos pela candidatura, segundo dados do DivulgaCand, plataforma do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A campanha de Haddad teria sofrido um corte de verbas do diretório nacional do partido, segundo informações do jornal O Globo. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o teto de gastos para candidatos a governador no 1º turno é de R$ 26.683.209,24. No eventual 2º turno, cada candidato poderá gastar mais R$ 13.341.604,62. Os dados são do DivulgaCand, plataforma do TSE, e fazem parte da prestação parcial de contas dos candidatos, atualizada até esta segunda-feira (21). 🔎 As prestações de contas referentes ao 1º turno deverão ser encaminhadas entre 5 de outubro e 3 de novembro. No 2º turno, o prazo para envio será de 26 de outubro a 14 de novembro. Candidatos eleitos que não apresentarem as contas e permanecerem omissos não podem ser diplomados enquanto a situação não for regularizada. Apesar da diferença no volume de gastos, as prestações de contas mostram que Tarcísio e Haddad priorizaram comunicação e marketing eleitoral, além da produção de conteúdo para TV, rádio e internet. Veja as principais despesas dos candidatos abaixo: Transmissão ao vivo g1 Tarcísio de Freitas O governador e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas declarou R$ 23,7 milhões em gastos de campanha até agora. O valor foi distribuído entre 53 empresas e pessoas físicas. A maior despesa foi com a PLTK Comunicação Estratégica, que recebeu R$ 4,5 milhões em dois contratos — quase 20% de tudo o que Tarcísio declarou ter gasto até o momento. A empresa é especializada em comunicação política, especialmente em campanhas eleitorais. Aberta em 2023, a empresa foi fundada por Pablo Alejandro Nobel, Fabio Modena, Bruno Bernardes de Oliveira e Marcelo Arbex. Nobel foi consultor de comunicação da campanha do presidente argentino Javier Milei e também atuou na campanha vitoriosa de Tarcísio ao governo de São Paulo em 2022. Os sócios da PLTK chegaram a acompanhar Tarcísio e Cláudio Castro, governador do Rio de Janeiro, na posse de Milei, em dezembro de 2023, segundo publicação feita pela própria empresa nas redes sociais. Tarcísio de Freitas e Cláudio Castro acompanharam ao lado dos sócios da PLTK a cerimônia de posse do presidente argentino Javier Milei. Reprodução/Redes sociais Tarcísio também destinou R$ 7,8 milhões a três empresas ligadas à comunicação, ao marketing e à produção de conteúdo audiovisual da campanha: D. P. Malachias – Filmes (R$ 3,8 milhões), Connect Filmes – Produção de Filmes e Publicidade (R$ 3,5 milhões) e Estúdio 9 Produções Audiovisuais (R$ 468,6 mil). A D. P. Malachias foi fundada por Daniel Parra Malachias, diretor e proprietário da RTV Digital Films, com experiência em produção de campanhas eleitorais, inclusive internacionais. E este não é o primeiro trabalho dele com o governador: Daniel já dirigiu campanhas para o governo de São Paulo sobre o balanço da gestão de três anos e o Provão Paulista. Os gastos jurídicos também têm peso relevante na prestação de contas: R$ 3,7 milhões. A maior parte, R$ 3 milhões, foi destinada ao escritório Malheiros, Penteado e Toledo. Outros R$ 500 mil foram pagos a Flávio Britto & Cristiane Britto e R$ 200 mil, a Vita Porto. Na frente digital, a campanha declarou R$ 2,38 milhões em promoção de conteúdo. Desse valor, R$ 2,079 milhões foram pagos à DLocal para impulsionamento e outros R$ 300 mil ao Facebook, mostrando que a divulgação da campanha também concentra uma parcela relevante das despesas. A prestação de contas registra ainda R$ 650 mil em transporte aéreo: R$ 400 mil pagos à SPAIR – Táxi Aéreo e R$ 250 mil à Líder Táxi Aéreo. Fernando Haddad Já o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad declarou R$ 12,3 milhões em gastos de campanha até agora. A quantia foi distribuída entre 24 empresas. Diferentemente da campanha de Tarcísio, que tem gastos mais elevados e pulverizados, mais da metade (53%) das despesas de Haddad estão concentradas em uma única empresa: a Urissanê Comunicação Ltda. A agência recebeu R$ 6,5 milhões para a produção de programas de rádio, televisão ou internet. Aberta em 2017 pelo marqueteiro político Otávio Antunes, a Urissanê atende especialmente candidatos do PT. Antes de trabalhar com marketing eleitoral, Antunes passou pela Assembleia Legislativa de São Paulo, onde ocupou cargos ligados à comunicação e à assessoria parlamentar entre 2005 e 2016, e pela Fundação Perseu Abramo, onde foi coordenador de comunicação. Nesta eleição, a Urissanê já recebeu R$ 8,7 milhões. Além da campanha de Haddad, a agência também foi contratada pelas campanhas de Gleisi Hoffmann (PT-PR), Dr. Rosinha (PT-PR) e Cinthia Ribeiro (PSDB-TO). Geraldo Alckmin, Simone Tebet, Lula e Marina Silva durante convenção para lançar candidatura de Fernando Haddad ao Governo de São Paulo Marcello Carvalho/g1 A concentração dos gastos em comunicação não se limita à Urissanê. A campanha destinou R$ 1,32 milhão ao Facebook para impulsionamento de conteúdos e outros R$ 1 milhão à MCA Produções Artísticas, para produção de programas de rádio, televisão ou vídeo e serviços de comunicação e planejamento de marketing político. A estrutura jurídica também representa uma parcela relevante da prestação de contas. Sete empresas receberam, ao todo, R$ 1,89 milhão em serviços advocatícios. Entre elas estão o Bertoni Soares Advogados, que recebeu R$ 715 mil, e o Silveira Andrade Advogados, com R$ 640 mil. Nesta eleição, o escritório Silveira Andrade presta serviços para 12 candidatos do PT, incluindo os candidatos a deputado federal e irmãos Jilmar e Nilto Tatto, e já recebeu R$ 805 mil no total. Fora das áreas de comunicação e jurídico, há ainda uma despesa de R$ 300 mil com segurança e prevenção, repressão e combate à violência política, paga à DG Serviços de Vigilância, segundo o DivulgaCand.
Tarcísio já gastou 88% do teto permitido para campanha ao governo de SP; Haddad, 46%
Escrito em 22/09/2026
Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) em agendas de campanhas ao governo de SP Caiuá Maia e Diogo Zacarias Os dois principais candidatos ao governo de São Paulo apresentam ritmos bastante diferentes de gastos de campanha. Enquanto Tarcísio de Freitas (Republicanos) já declarou despesas de R$ 23,7 milhões, equivalente a 88% do teto eleitoral para o 1° turno, Fernando Haddad (PT) informou gastos de R$ 12,3 milhões — 46% do limite estabelecido pela Justiça Eleitoral. O diretório nacional do PT é o principal financiador da campanha de Haddad e responde por 94,58% dos recursos recebidos pela candidatura, segundo dados do DivulgaCand, plataforma do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A campanha de Haddad teria sofrido um corte de verbas do diretório nacional do partido, segundo informações do jornal O Globo. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o teto de gastos para candidatos a governador no 1º turno é de R$ 26.683.209,24. No eventual 2º turno, cada candidato poderá gastar mais R$ 13.341.604,62. Os dados são do DivulgaCand, plataforma do TSE, e fazem parte da prestação parcial de contas dos candidatos, atualizada até esta segunda-feira (21). 🔎 As prestações de contas referentes ao 1º turno deverão ser encaminhadas entre 5 de outubro e 3 de novembro. No 2º turno, o prazo para envio será de 26 de outubro a 14 de novembro. Candidatos eleitos que não apresentarem as contas e permanecerem omissos não podem ser diplomados enquanto a situação não for regularizada. Apesar da diferença no volume de gastos, as prestações de contas mostram que Tarcísio e Haddad priorizaram comunicação e marketing eleitoral, além da produção de conteúdo para TV, rádio e internet. Veja as principais despesas dos candidatos abaixo: Transmissão ao vivo g1 Tarcísio de Freitas O governador e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas declarou R$ 23,7 milhões em gastos de campanha até agora. O valor foi distribuído entre 53 empresas e pessoas físicas. A maior despesa foi com a PLTK Comunicação Estratégica, que recebeu R$ 4,5 milhões em dois contratos — quase 20% de tudo o que Tarcísio declarou ter gasto até o momento. A empresa é especializada em comunicação política, especialmente em campanhas eleitorais. Aberta em 2023, a empresa foi fundada por Pablo Alejandro Nobel, Fabio Modena, Bruno Bernardes de Oliveira e Marcelo Arbex. Nobel foi consultor de comunicação da campanha do presidente argentino Javier Milei e também atuou na campanha vitoriosa de Tarcísio ao governo de São Paulo em 2022. Os sócios da PLTK chegaram a acompanhar Tarcísio e Cláudio Castro, governador do Rio de Janeiro, na posse de Milei, em dezembro de 2023, segundo publicação feita pela própria empresa nas redes sociais. Tarcísio de Freitas e Cláudio Castro acompanharam ao lado dos sócios da PLTK a cerimônia de posse do presidente argentino Javier Milei. Reprodução/Redes sociais Tarcísio também destinou R$ 7,8 milhões a três empresas ligadas à comunicação, ao marketing e à produção de conteúdo audiovisual da campanha: D. P. Malachias – Filmes (R$ 3,8 milhões), Connect Filmes – Produção de Filmes e Publicidade (R$ 3,5 milhões) e Estúdio 9 Produções Audiovisuais (R$ 468,6 mil). A D. P. Malachias foi fundada por Daniel Parra Malachias, diretor e proprietário da RTV Digital Films, com experiência em produção de campanhas eleitorais, inclusive internacionais. E este não é o primeiro trabalho dele com o governador: Daniel já dirigiu campanhas para o governo de São Paulo sobre o balanço da gestão de três anos e o Provão Paulista. Os gastos jurídicos também têm peso relevante na prestação de contas: R$ 3,7 milhões. A maior parte, R$ 3 milhões, foi destinada ao escritório Malheiros, Penteado e Toledo. Outros R$ 500 mil foram pagos a Flávio Britto & Cristiane Britto e R$ 200 mil, a Vita Porto. Na frente digital, a campanha declarou R$ 2,38 milhões em promoção de conteúdo. Desse valor, R$ 2,079 milhões foram pagos à DLocal para impulsionamento e outros R$ 300 mil ao Facebook, mostrando que a divulgação da campanha também concentra uma parcela relevante das despesas. A prestação de contas registra ainda R$ 650 mil em transporte aéreo: R$ 400 mil pagos à SPAIR – Táxi Aéreo e R$ 250 mil à Líder Táxi Aéreo. Fernando Haddad Já o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad declarou R$ 12,3 milhões em gastos de campanha até agora. A quantia foi distribuída entre 24 empresas. Diferentemente da campanha de Tarcísio, que tem gastos mais elevados e pulverizados, mais da metade (53%) das despesas de Haddad estão concentradas em uma única empresa: a Urissanê Comunicação Ltda. A agência recebeu R$ 6,5 milhões para a produção de programas de rádio, televisão ou internet. Aberta em 2017 pelo marqueteiro político Otávio Antunes, a Urissanê atende especialmente candidatos do PT. Antes de trabalhar com marketing eleitoral, Antunes passou pela Assembleia Legislativa de São Paulo, onde ocupou cargos ligados à comunicação e à assessoria parlamentar entre 2005 e 2016, e pela Fundação Perseu Abramo, onde foi coordenador de comunicação. Nesta eleição, a Urissanê já recebeu R$ 8,7 milhões. Além da campanha de Haddad, a agência também foi contratada pelas campanhas de Gleisi Hoffmann (PT-PR), Dr. Rosinha (PT-PR) e Cinthia Ribeiro (PSDB-TO). Geraldo Alckmin, Simone Tebet, Lula e Marina Silva durante convenção para lançar candidatura de Fernando Haddad ao Governo de São Paulo Marcello Carvalho/g1 A concentração dos gastos em comunicação não se limita à Urissanê. A campanha destinou R$ 1,32 milhão ao Facebook para impulsionamento de conteúdos e outros R$ 1 milhão à MCA Produções Artísticas, para produção de programas de rádio, televisão ou vídeo e serviços de comunicação e planejamento de marketing político. A estrutura jurídica também representa uma parcela relevante da prestação de contas. Sete empresas receberam, ao todo, R$ 1,89 milhão em serviços advocatícios. Entre elas estão o Bertoni Soares Advogados, que recebeu R$ 715 mil, e o Silveira Andrade Advogados, com R$ 640 mil. Nesta eleição, o escritório Silveira Andrade presta serviços para 12 candidatos do PT, incluindo os candidatos a deputado federal e irmãos Jilmar e Nilto Tatto, e já recebeu R$ 805 mil no total. Fora das áreas de comunicação e jurídico, há ainda uma despesa de R$ 300 mil com segurança e prevenção, repressão e combate à violência política, paga à DG Serviços de Vigilância, segundo o DivulgaCand.