Quem tem empréstimo e quer trocar de banco para reduzir os juros já pode fazer isso pelo celular

Escrito em 08/02/2026

Brasileiros já podem fazer portabilidade, de forma digital, pelo celular O brasileiro que pegou um empréstimo e quer trocar de banco para reduzir os juros já pode fazer isso digitalmente, pelo celular mesmo. A novidade começou a valer nesta semana. Quando a conta não fecha e o brasileiro recorre a um empréstimo, as prestações costumam assustar. Otília Teixeira, coordenadora comercial, afirma: “Às vezes a gente não tem um grau de instrução tão grande, a gente acaba se envolvendo com o empréstimo que vai dar dor de cabeça no futuro”. Para o taxista Marco Antônio da Silva, a situação é preocupante: “É uma bola de neve, entendeu? Então tem muita gente que entra nisso aí como diz de gaiato”. O Banco Central lançou uma nova opção de portabilidade da dívida, que pode ajudar a reduzir o peso dos juros. No modelo tradicional, que continua valendo, o cliente faz contato prévio com o banco de origem, apresenta documentos ou até mesmo vai a uma agência para solicitar a transferência da dívida para outra instituição. Agora, é só entrar no sistema Open Finance e autorizar o compartilhamento dos próprios dados financeiros de forma segura. Com essa troca de informações entre os bancos, o cliente tem acesso às ofertas disponíveis. Antônio Marcos Fonte Guimarães, chefe-adjunto do Departamento de Regulação do Banco Central, explica o funcionamento: “Toda a interação e troca informacional vai ocorrer de forma automatizada, num ambiente que já está regulado pelo Banco Central, entre as instituições envolvidas. O cliente não tem que ter nenhum contato. Se de alguma forma alguém tentar dizer que esse contato tem que ser feito a gente tem que ficar atento, se não é uma tentativa de fraudes também”. Segundo o Banco Central, no empréstimo pessoal não consignado a diferença entre os juros cobrados pelos bancos varia de 1% a 21% ao mês. Com a nova ferramenta, a expectativa é aumentar a concorrência e fazer com que os consumidores tenham mais autonomia e melhores condições de pagamento. O economista do Ipead, Paulo Casaca, avalia a medida: “Quanto mais fácil e mais simplificado é o mercado de crédito para o consumidor melhor, ele consegue comparar as melhores taxas, ele consegue ter acesso aos melhores instrumentos de crédito, que muitas vezes ele não tinha antes, isso é bastante positivo. Não vai cair na armadilha de contratar um empréstimo com uma taxa de juros muito elevada em relação ao que o mercado cobra”. No modelo tradicional de portabilidade, o prazo para concluir a operação é de até cinco dias úteis. Já pelo Open Finance, pode ser em menos de três dias. Todos os bancos são obrigados a oferecer o novo serviço, sem taxas. O Banco Central deve ampliar esse tipo de portabilidade para outras modalidades de crédito, como o empréstimo consignado, até novembro deste ano. O professor Paulo de Morais Júnior considera a iniciativa válida: “Eu acho que é interessante isso que proporciona essa competitividade entre os bancos e em relação à taxa de juro principalmente.”