Caso Lea Maria: Justiça de SP torna humorista Juliano Gaspar réu por violência doméstica contra ex-mulher e marca julgamento

Escrito em 17/09/2026


Lea Maria e Juliano Gaspar. Reprodução/Arquivo pessoal A Justiça de São Paulo tornou o humorista brasileiro Juliano Gaspar, de 38 anos, réu por violência doméstica contra a comediante alemã Lea Maria, de 30, em 2023. E marcou para 30 de novembro o julgamento do caso. A decisão judicial é de 20 de março de 2026, mas só foi confirmada nesta quarta-feira (16) pelo g1. A audiência está marcada para as 16h, e as partes serão ouvidas por videoconferência. O processo corre pela Vara do Foro Central de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, no Fórum Criminal da Barra Funda, Zona Oeste da capital. Nesta etapa processual serão ouvidas as testemunhas de acusação e, se houver tempo, as de defesa. Também poderá ocorrer o depoimento da vítima e o interrogatório do réu, que atualmente é o seu ex-marido. Ao final, a Justiça decidirá se o acusado pode ser absolvido ou condenado. A pena para esse tipo de crime pode ser de até 7 anos de prisão. Ainda não há previsão de quando a sentença será dada. O caso envolvendo os humoristas de stand up veio a público em fevereiro de 2023, quando Lea denunciou o então marido na Polícia Civil e nas redes sociais por agressões físicas e psicológicas. E chegou a conseguir medida protetiva que determinou que ele não se aproximasse dela — o benefício foi revogado pela Justiça em abril de 2026. O que diz Lea Lea Maria diz que está vivendo após condenação de ex por agressão Procurada para comentar o assunto, a assessoria de imprensa de Lea informou que a humorista se pronunciou por meio de um vídeo publicado na terça (15) em suas redes sociais (veja acima). A postagem foi feita no seu Instagram, que tem 1,6 milhão de seguidores, para dizer que não estava "vivendo" durante o relacionamento e afirmou que depois do término voltou a "viver". Na legenda, a comediante escreveu: "A notícia que eu estava esperando desde que aconteceu tudo". A legenda da gravação ainda informa: “Saiu a notícia que traz coragem para toda mulher que duvida da força da Lei Maria da Penha”. Polícia de SP investiga Juliano Gaspar por violência doméstica, lesão corporal e injúria No vídeo, Lea conta como está se sentindo: “A vida tem que ser vivida. Essa frase um amigo meu me falou e virou a minha doutrina. E, na real, deveria virar doutrina de todo mundo... que sabem como estamos, porque a vida tem que ser vivida. E isso também pensei dez anos atrás, quando me apaixonei por uma pessoa ao ouvir pela primeira vez a língua portuguesa e decidi então me mudar para o país que não fala, mas canta." "A vida tem que ser vivida diz também essa pessoa sem eu saber que ele só estava falando da própria vida. A minha vida tem que ser vivida, pensei, então, depois de uns anos dessa relação ao me olhar no espelho e vendo que não estava mais vivendo." "A sua vida tem que ser vivida diz a terapeuta e o policial que anotou o BO para me fazer entender que eu tenho que voltar a viver. A minha vida tem que ser vivida e hoje é.” Lea Maria postou vídeo no Instagram para falar da decisão judicial: 'A notícia que eu tava esperando desde que aconteceu tudo'. Reprodução/Arquivo pessoal O advogado Roberto Podval acompanhou Lea no processo até a denúncia feita pelo Ministério Público (MP) contra Juliano. Não há confirmação se ela constituiu outro advogado para o julgamento. "Atuamos na defesa de Lea Maria desde que vieram a público os graves episódios de violência doméstica dos quais foi vítima. Vemos com satisfação que seu ex-companheiro, Juliano Gaspar, foi denunciado e que o processo segue regularmente seu curso, com a rigorosa apuração dos fatos pelo Poder Judiciário", informa nota divulgada por Podval. "A violência contra a mulher não pode ser tolerada, e a atuação firme das instituições é indispensável para a responsabilização de seus autores", continua o advogado. A primeira audiência do caso havia sido marcada para 13 de julho deste ano, mas foi adiada para o final de novembro. O que diz Juliano Lea Maria e Juliano Gaspar eram casados. Reprodução/Arquivo pessoal Procurado para comentar a decisão que tornou Juliano réu no processo por violência doméstica contra Lea, a defesa dele informou que seu cliente não foi condenado no processo. E o que ocorrerá, segundo o advogado Jorge Luis Contorno, é o julgamento no qual ele provará sua inocência: "O processo encontra-se em tramitação perante o Poder Judiciário e não houve sentença condenatória contra o acusado. Inclusive, a audiência anteriormente designada foi adiada em razão da ausência da parte acusadora, não havendo, portanto, qualquer decisão judicial que reconheça a responsabilidade de Juliano pelos fatos que lhe são imputados." "A defesa repudia a divulgação de informações que apresentem como fato definitivamente reconhecido pelo Poder Judiciário aquilo que, até o presente momento, constitui acusação ainda submetida à apreciação judicial." "Juliano Areias Gaspar nega as acusações que lhe são atribuídas e exercerá plenamente seu direito de defesa, apresentando perante o Juízo todos os elementos necessários ao esclarecimento dos fatos." "A defesa confia que o processo judicial é o ambiente adequado para a apuração dos acontecimentos, com observância do contraditório, da ampla defesa e da presunção de inocência, assegurados constitucionalmente a qualquer acusado.' "Ao final da instrução processual, Juliano pretende demonstrar perante o Poder Judiciário a sua inocência em relação aos fatos que lhe são imputados." O caso Humorista alemã no Brasil relata ser vítima de violência doméstica Em fevereiro de 2023 Lea Maria registrou um boletim de ocorrência contra Juliano Gaspar na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). Na ocasião, ela afirmou ter sido vítima de violência física e psicológica do marido, com quem estava casada desde 2016. A Justiça concedeu medida protetiva de urgência para impedir que Juliano se aproximasse da humorista. A decisão ocorreu depois da denúncia e determinou o afastamento entre os dois. Na época, Lea publicou um vídeo nas redes sociais em que apareceu com o braço imobilizado e afirmou ser vítima de violência doméstica (veja acima). O advogado que a representava informou que ela havia passado por exame de corpo de delito. Juliano negou as acusações. Em manifestação pública na época, afirmou que não havia cometido agressões contra Lea e apresentou uma versão diferente para o episódio. Ainda em 2023, ele chegou a perder seguidores no Instagram após as acusações de que agrediu a então esposa. Ao menos 4 mil seguidores tinham saído de sua rede social, que totalizava 115 mil à época. Nesta quarta, ele contava com cerca de 97 mil fãs. Meses depois da denúncia, em junho de 2023, o caso ganhou outro capítulo na Justiça. Juliano entrou com uma ação para tentar recuperar bens que, segundo ele, haviam ficado com Lea Maria depois da separação. Entre os objetos estava um PlayStation 5, além de equipamentos usados pelo humorista em seu trabalho. Lea Maria divulga vídeo que mostra lesões causadas por suposta agressão do marido