Usina de reciclagem transforma bitucas de cigarro em artesanato em Votorantim Uma usina de reciclagem em Votorantim (SP) encontrou uma solução sustentável para um dos tipos de lixo mais comuns do planeta: a bituca de cigarro. A Poiato Recicla já reciclou mais de 800 milhões de bitucas, vindas de mais de 9 mil pontos de coleta distribuídos pelo Brasil. A iniciativa é do empresário Marcos Poiato, que investiu mais de R$ 1 milhão no projeto. Neste Dia da Reciclagem, comemorado em 17 de maio, o g1 mostra uma tecnologia desenvolvida pela empresa capaz de transformar o resíduo tóxico em papel e outros materiais. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Consideradas um grande problema ambiental, as bitucas de cigarro podem levar até 15 anos para se decompor, liberando substâncias tóxicas que contaminam o solo e a água. Na usina, o material passa por um processo que o transforma em uma massa de celulose, livre de odor e toxinas. Com apenas 10 bitucas, é possível produzir uma folha de papel reciclado. O material também pode ser usado em artesanato e na construção civil. “Eu percebia que as pessoas fumavam e jogavam a bituca no chão sem entender que a responsabilidade pelo resíduo também era delas. Quando comecei a estudar o assunto, entendi que existia uma oportunidade de negócio e decidi deixar a carreira de executivo para investir nisso (...) É gratificante ver as possibilidades de transformação desse material, tanto para o mercado quanto para projetos com universidades e pesquisas”, afirma. Usina de reciclagem de bitucas de cigarro funciona em Votorantim (SP) Beatriz Pereira/g1 🚬 Descontaminação das bitucas O processo para transformar o lixo tóxico em matéria-prima começa com o cozimento das bitucas em grandes panelas. A usina em Votorantim recicla cerca de 90 quilos por dia. Após o cozimento, as toxinas do tabaco são transferidas para a água, que não é descartada, mas sim armazenada e enviada para cooperativas especializadas no tratamento de efluentes. Em seguida, as bitucas passam por um processo de lavagem e secagem. Curiosamente, a empresa utiliza uma máquina de lavar industrial adaptada, já que não existem equipamentos específicos para essa reciclagem. A água usada nesta etapa também é tratada e reutilizada na própria usina. "São três lavagens. Aqui, a finalidade é que, se ainda houver um resíduo contido nela, ele vai ser eliminado", explicou o empresário Marcos Poiato. Bombonas com 15 quilos de bitucas de cigarro são usadas para cozimento na usina em Votorantim (SP) Beatriz Pereira/g1 Após a limpeza, as bitucas são tratadas para clarear e, 24 horas depois, são prensadas, transformando-se em discos de celulose. Essa massa de celulose é a matéria-prima final, que pode ser usada para criar papel, itens de papelaria, embalagens e até esculturas. O trabalho da Poiato, com ajuda de pesquisadores, é tornar essa massa resistente para ser aplicada em mais projetos de construção civil, como uma pista de skate que foi construída em Ubatuba (SP). Veja mais detalhes abaixo. Bitucas de cigarro passam por triagem antes de irem para o cozimento, em usina de reciclagem de Votorantim (SP) Beatriz Pereira/g1 Para colaborar com o projeto, basta descartar as bitucas nos coletores da empresa, que estão espalhados por diversas cidades do Brasil. As localidades podem ser consultadas nas redes sociais da iniciativa. "Esse material ficou leve, fácil de manusear e pra gente encaixotar. Deixamos prontos para nós encaminharmos para as oficinas de artes, seja em instituições de beneficência, artesãos, enfim (...) Vão colocar numa bacia com água, mexer com a mão, ela vai virar a polpa de papel, da mesma forma quando é feito papel reciclado comum", disse Marcos. Discos com a massa de celulose feita de bitucas de cigarro em Votorantim (SP) Beatriz Pereira/g1 🏠 Uso na construção civil A pesquisa com a massa de celulose das bitucas busca oferecer uma alternativa mais sustentável para a construção civil, reduzindo o uso de materiais de alto impacto ambiental, como cimento e ferro. Segundo o empresário Marcos Poiato, os resultados são promissores. “Os resultados preliminares mostram redução de até 43% no uso desses materiais e uma economia entre 35% e 40% nos custos das obras”, afirma. Como a reciclagem de bitucas de cigarro virou um negócio milionário no litoral de São Paulo Reprodução/PEGN A iniciativa já saiu do papel. Em parceria com arquitetos, a empresa já construiu duas pistas de skate usando o material reciclado. O próximo passo é a conclusão de uma casa de mais de 100 metros quadrados em Aiuruoca (MG). A casa, projetada pelo arquiteto George Rotatori, tem paredes, pisos e até a cobertura feitos com a massa de celulose. Segundo Marcos, o imóvel será habitado para testar a resistência e a durabilidade do material. A obra, que começou há um ano, deve ser concluída ainda em 2026. “Os primeiros resultados indicam mais um grande avanço para a construção civil, que é um setor que gera muito resíduo e impacto ambiental”, diz. Imóvel em Aiuruoca (SP) feito com massa de bitucas de cigarro será habitado normalmente para que os estudos sobre resistência e aplicação do material tenham continuidade Marcos Poiato/Arquivo pessoal Casa está sendo construída em Aiuruoca (MG) com massa feita de bitucas de cigarro em usina de Votorantim (SP) Marcos Poiato/Arquivo pessoal ♻️ A Poiato Votorantim A usina da Poiato Recicla está localizada em um complexo comercial no bairro Parque Jataí, em Votorantim. Diariamente, a unidade recebe barris com bitucas coletadas em todo o país e despacha a massa de celulose para parceiros. Para o fundador, Marcos Poiato, o diferencial é a profissionalização do processo. A empresa emprega 12 pessoas da área ambiental, que trabalham de segunda a sexta, das 8h às 17h. “O trabalho precisa seguir normas ambientais e ter uma estrutura organizada. Isso faz diferença para conquistar grandes clientes e manter um projeto sustentável funcionando”, afirma. Moisés Alves trabalha como auxiliar de produção na Poiato Recicla em Votorantim (SP) Beatriz Pereira/g1 Moisés Brito da Silva Alves, de 23 anos, é auxiliar de produção na usina há quatro anos. Ao g1, ele contou que o trabalho o ensina diariamente sobre a importância da reciclagem. "É muito gratificante porque podemos ajudar as pessoas. Não jogar as bitucas no chão, sempre colocar no devido lugar, isso ajuda as pessoas e o meio ambiente", disse o rapaz. 📗 Projetos educativos Além de transformar bitucas de cigarro em matéria-prima, a Poiato Recicla investe em ações de educação ambiental para conscientizar sobre o descarte correto de resíduos. A empresa mantém parcerias com escolas, universidades e prefeituras para realizar palestras, oficinas e atividades interativas. LEIA TAMBÉM: Setor de reciclagem enfrenta crise e coleta seletiva diminui em Sorocaba: 'Ciclo difícil de romper', diz presidente de cooperativa Contrato de R$ 157 mi para lixo comum ignora crise na reciclagem em Sorocaba, diz especialista 'Caminho de obstáculos': descarte irregular de lixo bloqueia calçada de escola em Votorantim Segundo a empresa, o objetivo é estimular a prática sustentável desde cedo. "Acreditamos que, desde os primeiros anos de vida, as crianças e os jovens devem ser incentivados a cuidar do meio ambiente. As ações educativas ajudam os alunos a compreender a importância da reciclagem, despertando o senso de responsabilidade ambiental", informa a empresa em seu site. A iniciativa também se estende ao ambiente corporativo. A Poiato Recicla oferece consultoria para empresas que desejam implementar programas de coleta seletiva e campanhas de conscientização interna, além de oferecer treinamentos para os funcionários. Para o fundador, Marcos Poiato, o investimento em educação é fundamental. Ele acredita que a conscientização é um processo contínuo que depende da participação ativa de todos. Brindes, itens de papelaria e decorações são feitos com massa de celulose reciclada de bitucas de cigaro em Votorantim (SP) Beatriz Pereira/g1 Como a reciclagem de bitucas de cigarro virou um negócio milionário no litoral de São Paulo Reprodução/PEGN Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí Initial plugin text VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM
Usina de reciclagem transforma bitucas de cigarro em artesanato e até material de construção no interior de SP; conheça
Escrito em 17/05/2026
Usina de reciclagem transforma bitucas de cigarro em artesanato em Votorantim Uma usina de reciclagem em Votorantim (SP) encontrou uma solução sustentável para um dos tipos de lixo mais comuns do planeta: a bituca de cigarro. A Poiato Recicla já reciclou mais de 800 milhões de bitucas, vindas de mais de 9 mil pontos de coleta distribuídos pelo Brasil. A iniciativa é do empresário Marcos Poiato, que investiu mais de R$ 1 milhão no projeto. Neste Dia da Reciclagem, comemorado em 17 de maio, o g1 mostra uma tecnologia desenvolvida pela empresa capaz de transformar o resíduo tóxico em papel e outros materiais. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Consideradas um grande problema ambiental, as bitucas de cigarro podem levar até 15 anos para se decompor, liberando substâncias tóxicas que contaminam o solo e a água. Na usina, o material passa por um processo que o transforma em uma massa de celulose, livre de odor e toxinas. Com apenas 10 bitucas, é possível produzir uma folha de papel reciclado. O material também pode ser usado em artesanato e na construção civil. “Eu percebia que as pessoas fumavam e jogavam a bituca no chão sem entender que a responsabilidade pelo resíduo também era delas. Quando comecei a estudar o assunto, entendi que existia uma oportunidade de negócio e decidi deixar a carreira de executivo para investir nisso (...) É gratificante ver as possibilidades de transformação desse material, tanto para o mercado quanto para projetos com universidades e pesquisas”, afirma. Usina de reciclagem de bitucas de cigarro funciona em Votorantim (SP) Beatriz Pereira/g1 🚬 Descontaminação das bitucas O processo para transformar o lixo tóxico em matéria-prima começa com o cozimento das bitucas em grandes panelas. A usina em Votorantim recicla cerca de 90 quilos por dia. Após o cozimento, as toxinas do tabaco são transferidas para a água, que não é descartada, mas sim armazenada e enviada para cooperativas especializadas no tratamento de efluentes. Em seguida, as bitucas passam por um processo de lavagem e secagem. Curiosamente, a empresa utiliza uma máquina de lavar industrial adaptada, já que não existem equipamentos específicos para essa reciclagem. A água usada nesta etapa também é tratada e reutilizada na própria usina. "São três lavagens. Aqui, a finalidade é que, se ainda houver um resíduo contido nela, ele vai ser eliminado", explicou o empresário Marcos Poiato. Bombonas com 15 quilos de bitucas de cigarro são usadas para cozimento na usina em Votorantim (SP) Beatriz Pereira/g1 Após a limpeza, as bitucas são tratadas para clarear e, 24 horas depois, são prensadas, transformando-se em discos de celulose. Essa massa de celulose é a matéria-prima final, que pode ser usada para criar papel, itens de papelaria, embalagens e até esculturas. O trabalho da Poiato, com ajuda de pesquisadores, é tornar essa massa resistente para ser aplicada em mais projetos de construção civil, como uma pista de skate que foi construída em Ubatuba (SP). Veja mais detalhes abaixo. Bitucas de cigarro passam por triagem antes de irem para o cozimento, em usina de reciclagem de Votorantim (SP) Beatriz Pereira/g1 Para colaborar com o projeto, basta descartar as bitucas nos coletores da empresa, que estão espalhados por diversas cidades do Brasil. As localidades podem ser consultadas nas redes sociais da iniciativa. "Esse material ficou leve, fácil de manusear e pra gente encaixotar. Deixamos prontos para nós encaminharmos para as oficinas de artes, seja em instituições de beneficência, artesãos, enfim (...) Vão colocar numa bacia com água, mexer com a mão, ela vai virar a polpa de papel, da mesma forma quando é feito papel reciclado comum", disse Marcos. Discos com a massa de celulose feita de bitucas de cigarro em Votorantim (SP) Beatriz Pereira/g1 🏠 Uso na construção civil A pesquisa com a massa de celulose das bitucas busca oferecer uma alternativa mais sustentável para a construção civil, reduzindo o uso de materiais de alto impacto ambiental, como cimento e ferro. Segundo o empresário Marcos Poiato, os resultados são promissores. “Os resultados preliminares mostram redução de até 43% no uso desses materiais e uma economia entre 35% e 40% nos custos das obras”, afirma. Como a reciclagem de bitucas de cigarro virou um negócio milionário no litoral de São Paulo Reprodução/PEGN A iniciativa já saiu do papel. Em parceria com arquitetos, a empresa já construiu duas pistas de skate usando o material reciclado. O próximo passo é a conclusão de uma casa de mais de 100 metros quadrados em Aiuruoca (MG). A casa, projetada pelo arquiteto George Rotatori, tem paredes, pisos e até a cobertura feitos com a massa de celulose. Segundo Marcos, o imóvel será habitado para testar a resistência e a durabilidade do material. A obra, que começou há um ano, deve ser concluída ainda em 2026. “Os primeiros resultados indicam mais um grande avanço para a construção civil, que é um setor que gera muito resíduo e impacto ambiental”, diz. Imóvel em Aiuruoca (SP) feito com massa de bitucas de cigarro será habitado normalmente para que os estudos sobre resistência e aplicação do material tenham continuidade Marcos Poiato/Arquivo pessoal Casa está sendo construída em Aiuruoca (MG) com massa feita de bitucas de cigarro em usina de Votorantim (SP) Marcos Poiato/Arquivo pessoal ♻️ A Poiato Votorantim A usina da Poiato Recicla está localizada em um complexo comercial no bairro Parque Jataí, em Votorantim. Diariamente, a unidade recebe barris com bitucas coletadas em todo o país e despacha a massa de celulose para parceiros. Para o fundador, Marcos Poiato, o diferencial é a profissionalização do processo. A empresa emprega 12 pessoas da área ambiental, que trabalham de segunda a sexta, das 8h às 17h. “O trabalho precisa seguir normas ambientais e ter uma estrutura organizada. Isso faz diferença para conquistar grandes clientes e manter um projeto sustentável funcionando”, afirma. Moisés Alves trabalha como auxiliar de produção na Poiato Recicla em Votorantim (SP) Beatriz Pereira/g1 Moisés Brito da Silva Alves, de 23 anos, é auxiliar de produção na usina há quatro anos. Ao g1, ele contou que o trabalho o ensina diariamente sobre a importância da reciclagem. "É muito gratificante porque podemos ajudar as pessoas. Não jogar as bitucas no chão, sempre colocar no devido lugar, isso ajuda as pessoas e o meio ambiente", disse o rapaz. 📗 Projetos educativos Além de transformar bitucas de cigarro em matéria-prima, a Poiato Recicla investe em ações de educação ambiental para conscientizar sobre o descarte correto de resíduos. A empresa mantém parcerias com escolas, universidades e prefeituras para realizar palestras, oficinas e atividades interativas. LEIA TAMBÉM: Setor de reciclagem enfrenta crise e coleta seletiva diminui em Sorocaba: 'Ciclo difícil de romper', diz presidente de cooperativa Contrato de R$ 157 mi para lixo comum ignora crise na reciclagem em Sorocaba, diz especialista 'Caminho de obstáculos': descarte irregular de lixo bloqueia calçada de escola em Votorantim Segundo a empresa, o objetivo é estimular a prática sustentável desde cedo. "Acreditamos que, desde os primeiros anos de vida, as crianças e os jovens devem ser incentivados a cuidar do meio ambiente. As ações educativas ajudam os alunos a compreender a importância da reciclagem, despertando o senso de responsabilidade ambiental", informa a empresa em seu site. A iniciativa também se estende ao ambiente corporativo. A Poiato Recicla oferece consultoria para empresas que desejam implementar programas de coleta seletiva e campanhas de conscientização interna, além de oferecer treinamentos para os funcionários. Para o fundador, Marcos Poiato, o investimento em educação é fundamental. Ele acredita que a conscientização é um processo contínuo que depende da participação ativa de todos. Brindes, itens de papelaria e decorações são feitos com massa de celulose reciclada de bitucas de cigaro em Votorantim (SP) Beatriz Pereira/g1 Como a reciclagem de bitucas de cigarro virou um negócio milionário no litoral de São Paulo Reprodução/PEGN Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí Initial plugin text VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM